Pan-Pacífico: algumas considerações

Autor: dtakata



- Ryan Lochte alcançou o feito de ser o maior vencedor em uma edição de Pan-Pacífico, com seus seis ouros. Superou as performances de Matt Biondi (1985), Ian Thorpe (2002) e Michael Phelps (2006 e 2010), que conquistaram cinco ouros. Deve receber no final do ano o prêmio de melhor nadador do mundo da revista Swimming World. É de se notar suas viradas com vigorosas golfinhadas nos finais de prova. Michael Phelps não está mais só!

- Contribuição do leitor Maktub: com as cinco medalhas de ouro conquistadas em 2010, Michael Phelps é o maior medalhista da história da competição no masculino, com 16, empatado com Matt Biondi. É também o maior medalhista individual, com 9 medalhas, ao lado de Grant Hackett e Matt Dunn, o maior medalhista de ouro isolado (13) e o maior vencedor individual (7, empatado com Kieren Perkins). Se consideramos ambos os sexos, ele ainda perde em todos os critérios para Jenny Thompson. Lembrando que ele também é o nadador com mais ouros (14) e medalhas (16) na história Olímpica e em Campeonatos Mundiais (25 medalhas e 21 ouros).

- É impressionante a sequencia de vitórias apresentada por dois nadadores. Desde 2001, Aaron Peirsol e Michael Phelps conquistam ao menos uma medalha de ouro individual na principal competição do ano (contando Olimpíada, Mundial e Pan-Pacífico). 10 anos consecutivos vencendo! Eles superam, assim, a sequencia obtida por Grant Hackett (1997 a 2005).

- Impressionante também o retorno de Natalie Couhglin e Kosuke Kitajima às grandes competições. Para quem os dava como aposentados depois das férias que tiraram, mostraram que estão mais vivos do que nunca para conquistar tricampeonatos olímpicos em 2012.

- Reveladora a declaração de Felipe França após sua vitória nos 50m peito. Em entrevista para a televisão, disse: "não tem jeito, 50m peito é minha prova". Não é de hoje que se fala em tentar converter a habilidade que ele tem nos 50m peito em um trajetória bem-sucedida também nos 100m. Mas pelo visto até ele mesmo sabe que isso não é uma coisa fácil e que talvez seja melhor continuar focado na prova mais curta. Não é demérito para ninguém ser campeão em uma prova não-olímpica. Ele pode até melhorar como nadador de 100m, mas é muito difícil ser um dos melhores do mundo como vem sendo nos 50m.

- Fabiola Molina empatou com outras duas nadadoras na terceira posição nos 50m costas. Nunca, jamais, na história da natação, um pódio individual de uma grande competição internacional em piscina longa contou com cinco atletas no pódio!

- César Cielo vacilou na eliminatória dos 100m livre. Ao marcar 49.13, terminou na 11ª posição, e só se classificou para a final na 8ª posição pela regra de no máximo dois países na final A por prova. Isso não foi nadar com o regulamento embaixo do braço, foi vacilo mesmo! Por sete centésimos, ele não fica fora da final. É bom para que não se repita em Mundiais e Olimpíadas.

- Cielo pediu desculpas pelas suas performances nos 50m e 100m livre. Totalmente desnecessário. Para ele, sua performance não foi satisfatória, mas isso faz parte do esporte. Todos entendemos que há dias bons e ruins. Ele também pediu desculpas por não ter nadado o 4x100m livre. Por isso, sim, ele deveria mesmo ter se desculpado. O 4x100m livre brasileiro sempre foi o principal revezamento do país, e poderia ter conquistado uma medalha inédita. A justificativa de se poupar para os 50m livre não é razoável, a não ser se a razão fosse doença ou lesão. A decisão de retirar da disputa o revezamento também é inadmissível. Uma falta de respeito com o país, que investe nestes nadadores e o mínimo que estes tem a fazer é cair na água e nadar. Seja quem tenha sido o responsável por essa decisão, pisou na bola feio!

- Ótima transmissão da SporTV, comentários nem tanto. Para quem esperava o Coach Alex Pussieldi, deve ter ficado decepcionado com os erros de informação e os comentários enche-linguiça sem conteúdo de Ricardo Prado - que fala muito bem, mas poderia se preparar melhor.

O segundo Mark Spitz?

Autor: dtakata



Desde o Mundial de 2003, a primeira vez que Michael Phelps terminou multi-medalhista em uma grande competição mundial, que muitos começaram a aventar a possibilidade dele igualar ou superar os sete ouros olímpicos de Mark Spitz de 1972. A resposta de Phelps era sempre a mesma: "não sou o segundo Mark Spitz, e sim o primeiro Michael Phelps".

A história provou que ele estava certo, e com os oito ouros de Pequim ele tomou o lugar de seu compatriota como o ponto máximo em que um nadador já chegou.

Mas o mundo dá voltas, e Phelps pode chegar a Londres/2012 novamente sob as comparações com Spitz. Por que isso, se ele já o superou em todos os quesitos?

Michael Phelps sempre se notabilizou por ser um nadador de meio-fundo. Não é a toa que suas primeiras grandes performances foram nos 200m borbo (final olímpica em 2000 aos 15 anos, recorde mundial em 2001) e 400m medley (recorde mundial em 2002). Essa aptidão explica seus tempos fenomenais em provas como 200m livre e 200m medley. Para quem não se lembra, ele tambem já foi recordista americano dos 400m livre em 2003.

Mas ele é tão fora-de-série que sempre teve um grande 100m borbo. Não no mesmo nível das outras provas - tanto que foi ser recordista mundial desta somente em 2009, contra 2001 (200m borbo), 2002 (400m medley), 2003 (200m medley) e 2007 (200m livre).

O tempo passou, 16 medalhas olímpicas e 25 mundiais foram conquistadas e Phelps está mudado. Como é natural, ficou mais forte e, com a idade, a capacidade de recuperação diminuiu. Seria arriscado dizer que ele viraria um velocista. Mas não é exatamente isso que aconteceu?

Este ano, Phelps experimenta uma supremacia que ele nunca teve nos 100m borboleta. Seu tempo de 50.65 no Campeonato Americano é o melhor do mundo por um segundo! Ele foi o único em 2010 a nadar abaixo de 51s, e por duas vezes. Também tem os três melhores tempos do ano. Comparando com suas outras especialidades (200m livre, 200m borbo, 200m e 400m medley), essa é a única prova que ele melhorou seu tempo em relação às suas melhores performances sem trajes hi-tech, (antes de 2008) que era de 50.77. Como é notório que ele está treinando bem menos (pouco mais de um terço do que treinava antes da Olimpíada de Pequim, de acordo com seu técnico), não era de se esperar nenhuma melhora. Nem mesmo nos 100m.



E há também os 100m livre. Phelps sempre se destacou nessa prova. Em 2003, pela primeira vez se arriscou no Campeonato Americano, e venceu com 49.19. Em 2004, causou controvérsia ao ser escalado para nadar o 4x100m livre olímpico sem ter nadado a prova individual na seletiva. Em 2005, venceu novamente a prova no Campeonato Americano e se credenciou para nadar no Mundial de Montreal, onde chegou na 7ª posição (48.93). No Pan-Pacífico de 2006, abriu o revezamento que bateu o recorde mundial com 48.83. No Mundial de 2007, um destaque inesperado: além das sete medalhas de ouro, ele abriu o revezamento para 48.42, tempo que lhe daria mais um ouro nos 100m livre. Na Olimpíada de 2008, o recorde mundial era 47.50, e ele abriu o revezamento para 47.51! Ao fim da Olimpíada, o recorde já estaria em 47.05, mas todos se espantaram com aquela performance.

Agora, novamente ele aprontou. Abrindo o 4x100m livre no Pan-Pacífico, fez 48.13, tempo que lhe daria o ouro nos 100m livre. É também o melhor tempo do mundo este ano. É grande a chance dele terminar na liderança do ranking, pela primeira vez em sua carreira na prova. Interessante notar suas parciais: 23.51/24.62. Em 1992, ao vencer os Jogos Olímpicos de Barcelona com 49.02, Alexander Popov foi o primeiro homem a cumprir a segunda metade abaixo de 25s, com 24.99. Ainda hoje, repetir o feito é uma raridade. Na final individual dos 100m livre, nenhum nadador conseguiu fazê-lo (a melhor volta foi a do vencedor Nathan Adrian, com 25.05). E outro dado mais significante: considerando apenas trajes têxteis (ou seja, excluindo o período 2008/2009), a volta de Phelps é a melhor da história, igualada com a de Pieter van den Hoogenband na semifinal do Europeu de 2002 (tempo final de 47.86)!

Além de sua volta, agora ele está conseguindo passar não muito atrás dos adversários. Como ele mesmo disse durante a competição, "minha velocidade está melhor do que as outras coisas. Com a musculação que tenho feito, estou com velocidade e explosão. Isso realmente ajuda numa prova de 100m".

No momento, ele está em primeiro no ranking mundial dos 100m livre e 100m e 200m borboleta, e 3º nos 200m livre. Como agora ele é um nadador diferente, o mais natural é ele se concentrar nessas provas para Londres/2012. Bem treinado e focado, alguém tem dúvida de que ele possa ser um sério concorrente ao ouro em todas elas?

Como os revezamentos 4x100m e 4x200m livre e 4x100m medley são uma consequência, seu programa de provas seria exatamente o mesmo do de Mark Spitz em 1972. Nunca ninguém tentou igualá-lo em uma grande competição exatamente nas mesmas provas. Mais uma razão para as comparações ressurgirem com força total.


Uma natação igual e diferente

Autor: dtakata

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Não demorou muito. César Cielo entrou em 2010 com o primeiro objetivo de melhorar o tempo dos 50m livre de Alexander Popov, sem o uso dos trajes tecnológicos. Popov foi o detentor do recorde mundial da prova por quase 8 anos, e tinha o melhor tempo da história sem trajes (21.64).

Ontem, Cielo anotou 21.55 no Open de Paris, assumiu a liderança do ranking mundial e alcançou o objetivo mais rápido do que esperava (na foto acima, sua comemoração). Afinal, no dia anterior piorou mais de meio segundo de seu melhor tempo do ano nos 100m livre, mostrando estar pesado devido aos fortes treinamentos visando o Pan-Pacífico.

No final das contas, demorou 10 anos para que, sem trajes, um nadador superasse o tempo de Popov, que na ocasião nadou de sunga (e também sem touca, uma opção inexplicável para quem nadava provas nas quais um fio de cabelo podia fazer a diferença). Mas, além de Cielo, quais nadadores este ano superaram os antigos recordes de sunga e maiô?

Os trajes começaram a povoar as piscinas no início de 2000. Eram trajes têxteis, é verdade, bem diferentes dos de poliuretano vistos em 2008 e 2009. Mas indiscutivelmente já colaboravam com a performance dos atletas. Abaixo, segue um comparativo entre os últimos recordes mundiais marcados com sungas e maiôs antes de 2000 (exceto de Popov, de 2000, teimoso em não aderir aos trajes) e os melhores tempos deste ano, com trajes parecidos aos daquela época. Em negrito, o "ganhador".

Feminino
50m livre: 24.51 (Le, 1994) x 24.27 (Alshammar, 2010)
100m livre: 54.01 (Le, 1994) x 53.44 (Kromowidjojo, 2010)
200m livre: 1:56.78 (Almsick, 1994) x 1:56.23 (Pellegrini, 2010)
400m livre: 4:03.85 (Evans, 1988) x 4:03.12 (Pellegrini, 2010)
800m livre: 8:16.22 (Evans, 1989) x 8:21.25 (Adlington, 2010)
100m borbo: 57.88 (Thompson, 1999) x 57.67 (Jiao, 2010)
200m borbo: 2:05.96 (Meagher, 1981) x 2:05.46 (Jiao, 2010)
100m costas: 1:00.16 (Cihong, 1994) x 59.21 (Seebohm, 2010)
200m costas: 2:06.62 (Egerszegi, 1991) x 2:06.79 (Simmonds, 2010)
100m peito: 1:06.52 (Heyns, 1999) x 1:05.79 (Jones, 2010)
200m peito: 2:23.64 (Heyns, 1999) x 2:21.41 (Soni, 2010)
200m medley: 2:09.72 (Wu, 1997) x 2:10.07 (Rice, 2010)
400m medley: 4:34.79 (Yan, 1997) x 4:34.59 (Li, 2010)

Masculino
50m livre: 21.64 (Popov, 2000) x 21.55 (Cielo, 2010)
100m livre: 48.21 (Popov, 1994) x 48.32 (Bernard, 2010)
200m livre: 1:46.00 (Thorpe, 1999) x 1:46.30 (Agnel, 2010)
400m livre: 3:41.83 (Thorpe, 1999) x 3:44.91 (Zhang, 2010)
1500m livre: 14:41.66 (Perkins, 1994) x 14:56.83 (Cochrane, 2010)
100m borbo: 51.81 (Klim, 1999) x 51.70 (Korotyshkin, 2010)
200m borbo: 1:55.22 (Pankratov, 1996) x 1:54.61 (D'Arcy, 2010)
100m costas: 53.60 (Krayzelburg, 1999) x 52.85 (Tancock, 2010)
200m costas: 1:55.87 (Krayzelburg, 1999) x 1:55.11 (Irie, 2010)
100m peito: 1:00.60 (Deburghgraeve, 1996) x 59.84 (Tateishi, 2010)
200m peito: 2:10.16 (Barrowman, 1992) x 2:09.21 (Tateishi, 2010)
200m medley: 1:58.16 (Sievinen, 1994) x 1:57.76 (Goddard, 2010)
400m medley: 4:12.30 (Dolan, 1994) x 4:12.02 (Horihata, 2010)


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Alexander Popov, 2000


Como se vê, e aliás como era de se esperar, a natação mundial evoluiu nessa década a despeito dos trajes. Em apenas oito das 26 provas olímpicas individuais (quatro no feminino e quatro no masculino) o melhor tempo de maiô ou sunga até a década passada é melhor do que o líder do ranking mundial deste ano.

Analisando friamente, o feito de Cielo não é tão digno de nota. Afinal de contas, em 2010 vários outros nadadores já superaram os antigos recordes. No entanto, pesa o fato do recorde ter sido de Popov e, obviamente, ter durado tanto tempo. Provavelmente também receberá grande projeção o nadador que superar o recorde que Ian Thorpe anotou de sunga nos 400m livre em 1999.


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Ian Thorpe, 1999


Para ter uma base de comparação e avaliarmos a evolução da natação mundial, podemos fazer a mesma análise para o período passado. O ano de 1999 foi semelhante ao de 2010: sem Mundial de longa, com Pan-Pacífico e Europeu. Nesta mesma época do ano, em 1999, os nadadores estavam em fase semelhante de treinamento e com objetivos parecidos. Por isso, podemos comparar o líder do ranking mundial da mesma época de 1999 com o recordista mundial de 10 anos antes (no caso, do início de 1989):

Feminino
50m livre: 24.98 (Yang, 1988) x 24.88 (de Bruijn, 1999)
100m livre: 54.73 (Otto, 1988) x 54.92 (de Bruijn, 1999)
200m livre: 1:57.55 (Friedrich, 1988) x 1:58.78 (Chiba, 1999)
400m livre: 4:03.85 (Evans, 1988) x 4:10.67 (Munz, 1999)
800m livre: 8:17.12 (Evans, 1988) x 8:33.03 (Munz, 1999)
100m borbo: 57.93 (Meagher, 1981) x 58.78 (Thompson, 1999)
200m borbo: 2:05.96 (Meagher, 1981) x 2:07.35 (O'Neill, 1999)
100m costas: 1:00.59 (Kleber, 1984) x 1:01.06 (Inada, 1999)
200m costas: 2:08.60 (Mitchell, 1986) x 2:10.32 (Nakao, 1999)
100m peito: 1:07.91 (Hörner, 1987) x 1:06.95 (Heyns, 1999)
200m peito: 2:26.71 (Hörner, 1988) x 2:24.51 (Heyns, 1999)
200m medley: 2:11.73 (Geweniger, 1981) x 2:14.38 (Malar, 1999)
400m medley: 4:36.10 (Schneider, 1982) x 4:41.20 (Malar, 1999)

Masculino
50m livre: 22.14 (Biondi, 1988) x 22.06 (Popov, 1999)
100m livre: 48.42 (Biondi, 1988) x 49.26 (Popov, 1999)
200m livre: 1:47.25 (Armstrong, 1988) x 1:46.67 (Hackett, 1999)
400m livre: 3:46.95 (Dassler, 1988) x 3:43.85 (Thorpe, 1999)
1500m livre: 14:54.76 (Salnikov, 1983) x 14:48.63 (Hackett, 1999)
100m borbo: 52.84 (Morales, 1986) x 52.81 (Klim, 1999)
200m borbo: 1:56.24 (Gross, 1986) x 1:56.17 (Esposito, 1999)
100m costas: 54.51 (Berkoff, 1988) x 54.63 (Krayzelburg, 1999)
200m costas: 1:58.41 (Polyansky, 1985) x 1:56.94 (Krayzelburg, 1999)
100m peito: 1:01.49 (Moorhouse, 1989) x 1:01.51 (Sludnov, 1999)
200m peito: 2:12.89 (Barrowman, 1989) x 2:12.18 (Komornikov, 1999)
200m medley: 2:00.11 (Wharton, 1989) x 2:02.03 (Wouda, 1999)
400m medley: 4:14.75 (Darnyi, 1988) x 4:17.12 (Wilkens, 1999)

A mesma comparação mostra que o panorama era bem diferente: em 15 das 26 provas olímpicas individuais, o recorde mundial de 10 anos antes era melhor do que o líder do ranking mundial do meio do ano de 1999 (antes da realização do Pan-Pacífico e do Europeu). Uma análise mais detalhada mostra que, dessas 15 provas, apenas 5 são masculinas. Ou seja, entre os homens, 1999 ganha de 1989 em 8 provas, e 2010 ganha de 2000 em 9 provas. Um cenário parecido, o que faz pensar que a evolução, antes escondida embaixo dos trajes, continua no mesmo patamar nas provas masculinas.

Entre as mulheres, 1999 ganha de 1989 em apenas três provas, e 2010 ganha de 2000 em 10 provas. Uma diferença tremenda. Ou seja, atualmente, em 10 anos, a natação feminina evolui muito mais. Pode-se argumentar que uma boa parte dos recordes vigentes em 1989 estava em poder das alemãs-orientais, cujo sistema de doping sistemático seria revelado anos depois. Mesmo assim, desconsiderando estas nadadoras, o placar ainda apontaria 8 a 5 em favor de 1989 (apenas nos 100m livre e nos 100m costas o cenário mudaria).

Portanto, essa análise simplória sustenta a tese de que a evolução da elite da natação mundial, camuflada sob os trajes por 10 anos, não desapareceu. Pelo contrário, continua e de forma ainda mais rápida, principalmente no feminino.

Andando para o mesmo lugar

Autor: dtakata



Ontem, a CBDA informou que o Troféu José Finkel, que seria realizado no Minas Tênis Clube no mês de setembro, irá acontecer no Rio de Janeiro, no Parque Aquático Maria Lenk.

É a terceira mudança envolvendo a competição, que a princípio seria organizada em Santa Bárbara D'Oeste e em uma outra data (que acabou coincidindo com a etapa do Rio de Janeiro da Copa do Mundo de Natação, por isso a mudança).

Interessante notar como as coisas mudaram desde a década de 90. Lembrando que o Finkel foi criado em 1972, no Paraná, e logo ganhou o status de Campeonato Brasileiro Absoluto de Inverno em piscina de 25m.

Na década de 80, a competição foi realizada em piscina de 50m, mas em 1989 voltou a ser realizada em piscina curta. No início da década de 90, a FINA passou a incentivar a realização de competições em piscinas de 25m, e parecia que a moda iria pegar. O primeiro Mundial de Curta foi realizado em 1993, e as premiações em dinheiro da Copa do Mundo atraiam os atletas. Com isso, invariavelmente, o Troféu José Finkel passou a ser realizado em piscina de 25m, no Clube Internacional de Regatas, em Santos, sempre no inverno (e, para desespero dos atletas, com chuva na maioria das vezes!).

Algumas poucas modificações foram feitas até 2005. Em 1996, foi disputado no final do ano no Inter, como Brasileiro de Verão, para que servisse de seletiva para o Mundial de Curta do ano seguinte. Em 1998, saiu de Santos e aconteceu no Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Em 1999 e 2000, visando as Olimpíadas, foi disputado em piscina de 50m.

Mas até 2005, a estrutura básica se manteve: Campeonato Brasileiro Absoluto de Inverno, realizado em Santos, em piscina de 25m.

Se olharmos para trás, as coisas realmente mudaram. Interessante notar que, de 2001 a 2005, todas as edições foram realizadas em Santos, sendo apenas uma delas (2003) em piscina de 50m. Agora, de 2006 a 2010, uma inversão: todas as edições realizadas fora de Santos, sendo apenas uma delas (2010) em piscina de 25m.

Por que isso? A piscina do Inter não é mais a "piscina de 25m mais rápida do mundo"? Na verdade não é isso. O fato é que piscina de 25m foi uma moda que já passou. Ninguém quer brasileiro absoluto em piscina curta. A Copa do Mundo de natação está esvaziada e ninguém dá bola para Mundial de Curta. Piscinas de 25m são excelentes para competições menores, mas em nível mundial só a piscina de 50m importa. Sempre foi assim e sempre será. O americano ex-recordista mundial David Berkoff já alertava sobre isso há 12 anos (para ler o texto, clique aqui). Ele estava certo.

Uma questão de opinião

Autor: dtakata

Aconteceu no final da semana passada o GP Ultraswim em Charlotte, nos Estados Unidos. A maior atração, claro, foi Michael Phelps, mas outras estrelas apareceram como Ryan Lochte, Aaron Peirsol (5º nos 100m costas, talvez sua pior colocação na prova nesta década!), Natalie Coughlin (voltando após um período sabático desde as Olimpíadas de Pequim) e Rebecca Soni.

Soni, aliás, foi responsável pelos melhores resultados. Com 1:05.79, se tornou a segunda nadadora da história a fazer abaixo de 1:06 nos 100m peito sem trajes tecnológicos. E com 2:22.21 nos 200m, assumiu a liderança do ranking mundial. Resultados promissores, visto que ela deve realmente chegar no topo de sua forma no Campeonato Americano e no Pan-Pacífico, que acontecerão em agosto.


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Em relação a Michael Phelps, seus tempos foram modestos: 1:47.73 nos 200m livre, 52.41 nos 100m borboleta e 1:58.35 nos 200m medley. Seus resultados suscitaram teorias sobre como ele irá se comportar daqui até a Olimpíada de Londres. Ele não é mais o mesmo? Foi uma performance normal para a época de treinamentos? A motivação continua intacta? Quais são seus objetivos? Difícil dizer.

Teoricamente, seu melhor resultado foi na única prova que não venceu: os 100m costas, com 53.92. Seu melhor tempo é 53.01 de 2007. Nas outras provas ele piorou bem mais, mas nestas ele obteve seus melhores tempos nas Olimpíadas de Pequim, no auge da forma de sua vida e com trajes hi-tech, ao contrário dos 100m costas. Ele já mostrou anteriormente que também pode vir a ser o melhor do mundo no costas (em 2007, ficou a 3 centésimos do recorde mundial dos 100m, e em 2004 a 15 centésimos da melhor marca dos 200m). Será que isso faz parte dos seus planos?

Difícil ter uma opinião, não é? Vejam abaixo duas manchetes relacionadas à performance de Phelps nos 100m costas:

"Phelps é surpreendido no GP de Charlotte e fica com a prata nos 100m costas" (UOL)

"Phelps surpreende favoritos e conquista a prata os 100m costas" (Globo Esportes)

Para o UOL, Phelps decepcionou. Para a Globo Esportes, ele superou as expectativas.

Até mesmo Phelps, o maior nadador da história, está longe de ser unanimidade. Até porque jornalismo imparcial é uma coisa que não existe. É tudo apenas uma questão de opinião.

E você, tem a sua?



Só para recordar

Autor: dtakata

Acompanhem o processo divulgado pela CBDA para formação da seleção para o Pan-Pacífico:

- Até o mês de abril, nada se sabia dos critérios para convocação da seleção que irá para Irvine em agosto. Com isso, o treinamento de vários atletas ficou prejudicado. Polir para o Maria Lenk ou passar direto, visando o próprio Pan-Pacífico?

- Às vésperas do Maria Lenk, o anúncio: os 24 melhores índices técnicos seriam convocados, considerando o Maria Lenk e o sul-americano deste ano, e também competições de 2009, disputados com trajes tecnológicos proibidos agora! A decisão foi, merecidamente, alvo de críticas, inclusive da imprensa internacional.

- Durante o Maria Lenk, o supervisor técnico da CBDA, Ricardo de Moura, anunciou que a seleção só seria divulgada três dias após o término da competição, pois, de acordo com ele, seriam muitos resultados a analisar e "qualquer erro pode significar um atleta fora de uma lista em que ele merecia estar". Foi apenas uma justificativa para a falta de um sistema eficiente de compilação de resultados. Fica a impressão de que tudo é feito manualmente ("todos os números serão revisados uma, duas, três, quatro, cinco vezes antes de chegarmos à lista"), quando nada deveria ser feito assim!

- Tudo isso para chegarmos à última lambança: o Maria Lenk terminou há sete dias. Cadê a seleção?

Patético!

Poliana, Joanna e Cielo

Autor: dtakata

E terminou o primeiro campeonato brasileiro absoluto após o banimento dos trajes hi-tech. Obviamente é muito difícil avaliar quantitativamente a perda em termos de performance que o fim dos supermaiôs ocasionou. Afinal de contas, além dos trajes, as condições eram diferentes.

Se compararmos com o Maria Lenk do ano passado, o local da competição deste ano também influenciou para a piora dos tempos. Além disso, o Troféu do ano passado era a última seletiva para o Mundial de Roma. Este ano, apesar de ser a última seletiva para o Pan-Pacífico, ninguém esperava fazer tempos melhores do que os melhores do ano passado, cujas performances estão valendo para a formação da seleção. Em Santos, alguns nadadores que treinavam arduamente para chegar ao Troféu e nadar bem para conseguir uma vaga na seleção ficaram completamente desanimados quando a CBDA, em cima da hora, divulgou os critérios. Isso também pode ter influenciado negativamente na performance de vários atletas.

POLIANA

Resultado: em apenas duas provas, o vencedor deste ano fez um tempo melhor do que no ano passado - e aqui estamos considerando apenas nadadores brasileiros, excluindo os estrangeiros. A campeã mundial de águas abertas Poliana Okimoto fez seu melhor Troféu em muitos anos. Conquistou dois ouros (nos 800m e 1500m, chegando atrás da chilena Kristel Kobrich), duas pratas e um bronze. E exatamente nos 800m e 1500m, fez tempos melhores que a ganhadora brasileira do Maria Lenk do ano passado, que foi ela mesma. Nos 1500m, melhorou dois segundos e com 16:33.96 está se aproximando de finalmente superar a marca mais antiga da natação brasileira: 16:32.18 de Nayara Ribeiro, do Mundial de Fukuoka/2001. E nos 800m, melhorou mais de dez segundos (de 8:47 para 8:36.49)! Nos 200m e 400m, ela também fez os melhores tempos de sua vida. Prenúncio de coisa boa vindo no mar? Obviamente ela foi um oásis no meio da piora de tempos geral, em uma competição sem supermaiôs, em um local inadequado e sem motivação de vaga em seleção brasileira...


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JOANNA

Nos 400m livre, Poliana travou uma batalha colossal com Joanna Maranhão, que venceu por apenas sete centésimos. Joanna foi ouro em quatro provas individuais (400m livre, 200m borbo e 200m e 400m medley). É a terceira vez consecutiva que ela alcança o feito no Troféu Maria Lenk, e a quarta no total (novamente considerando apenas nadadores brasileiros). É um feito que não era visto desde Rogério Romero, que entre 1993 e 1995 venceu quatro provas nos quatro Troféus disputados (em 1994 o Troféu Brasil foi disputado em duas edições).


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CIELO

E também houve César Cielo. Sem surpresa, venceu os 50m e 100m livre. E de maneira consistente: em ambas as provas, piorou exatamente 2,2% em relação ao Maria Lenk de 2009. Como na mesma época do ano passado ele se encontrava em um período de treinamentos parecido, também visando uma competição dentro de dois/três meses, se considerarmos que a piora dele ocorreu devido exclusivamente aos trajes, podemos fazer uma conta rápida.

Se com trajes no Maria Lenk do ano passado ele fez 21.33 e 47.60, e sem trajes ele piorou 2,2% com 21.80 e 48.63...

Com trajes seus melhores tempos no ano passado foram 20.91 e 46.91, então sem trajes ele deve piorar 2,2% e fazer... 21.37 e 47.93!

Uma previsão animadora, principalmente nos 50m livre! Nos 100m livre, o tempo ainda não seria melhor que o recorde mundial sem trajes (47.84 do holandês Pieter Hoogenband). A previsão está dentro do intervalo que calculamos no final do ano passado, baseada nas performances dos últimos 50 anos (clique aqui para conferir). Mas considerando que a piscina da Unisanta não oferece as mesmas condições do Parque Aquático Maria Lenk, onde foi disputado o Troféu do ano passado, podemos considerar que ainda há margem para melhora. Isso sem contar na capacidade de superação de Cielo. Disso sim não podemos duvidar.


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Frases

Autor: dtakata

Nicholas dos Santos, sobre os critérios para a convocação da seleção brasileira para o Pan-Pacífico, divulgados em cima da hora:

“O ruim foi a demora para divulgar esses critérios. Eu, por exemplo, fiz uma preparação para chegar aqui com condições de fazer um bom tempo. Se soubesse disso antes, teria dado prioridade ao Pan-Pacífico, em agosto”. (UOL)

Ricardo de Moura, supervisor técnico da CBDA, sobre o plano da seleção brasileira ser divulgada somente alguns dias após o Maria Lenk:

“Estamos trabalhando com um universo de mais de 1300 resultados que precisam ser analisados e as informações cruzadas. Qualquer erro pode significar um atleta fora de uma lista em que ele merecia estar. Então, todos os números serão revisados uma, duas, três, quatro, cinco vezes antes de chegarmos à lista. Acho que três dias depois do fim da competição, essa lista estará pronta”. (UOL)

Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA, sobre a piscina de apoio da Unisanta não contar com seis raias e 25 metros, ferindo o regulamento do Troféu Maria Lenk:

“A piscina auxiliar tem 20 metros, mas é suficiente para todos os atletas a utilizarem. Os nadadores têm a disposição 20 fisioterapeutas e um ginásio reservado para massagens. E lá ainda tem TV para eles acompanharem as provas. Competição não é só piscina”. (Folha de S. Paulo)

CONCLUSÕES:
1) Com a demora da divulgação dos critérios de seleção, a CBDA estragou com os treinamentos e a preparação de muita gente.
2) Para montar a seleção, a CBDA vai fazer tudo manualmente! Qualquer programador saberia montar uma rotina que compilasse todos os resultados para que ao final do Maria Lenk a seleção dos 24 melhores índices técnicos estivesse disponível, o que traria mais rapidez e muito menos possibilidades de erro. Claro que conferir nunca é demais, mas não nos termos do supervisor técnico da CBDA (supervisiona o quê, afinal?).
3) O presidente da CBDA está pouco se lixando para regras e tira o dele da reta quando é solicitado.

Revoltante!

Entre os grandes

Autor: dtakata

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No Troféu Maria Lenk do ano passado, o 200m peito masculino foi uma das provas com resultados mais impressionantes. Impulsionados pelos trajes, fortíssimos tempos foram obtidos, colocando o Brasil no topo do ranking mundial com Henrique Barbosa e Tales Cerdeira.

Na época, Craig Lord, jornalista da Swimnews, atribuía qualquer bom resultado aos trajes e tinha uma grande dificuldade de reconhecer o mérito dos nadadores. Sobre o resultado de Tales, ele escreveu, cheio de ironia:

"Tales Cerdeira (quem? posso ouvir você perguntando) se tornou o primeiro nadador sul-americano abaixo de 2:10 com 2:09.31. (...) Ele deve ter treinado bem forte! (...) Deve ter havido outros tempos rápidos no Rio, mas nem ouso ver os resultados, sob o risco de ter um ataque de risos".

Ele se esquecia que dentro do traje realmente havia um nadador que tinha treinado duro! Pois hoje, no primeiro dia de finais do Troféu Maria Lenk, Tales mostrou isso. Nadando uma prova espetacular, passando com 1:03.29 e voltando para 2:10.91, deixou muito para trás os medalhistas de prata e ouro no último Pan-Americano, Henrique Barbosa e Thiago Pereira, ambos com 2:14.

No ano passado, esse tempo não significava muita coisa internacionalmente (sequer apareceria entre os 30 melhores do mundo). Mas em um mundo sem trajes, é outra história. Tales agora é o 5º no ranking mundial da prova este ano. E montando um ranking de todos os tempos da prova desconsiderando os anos de 2008 e 2009 (e portanto excluindo LZRs, Jakeds e X-Glides da vida), ele está na 16ª posição!


1.  Brendan Hansen, USA      2:08.50 2006
2.  Ryo Tateishi, JPN        2:09.21 2010
3.  Brenton Rickard, AUS     2:09.31 2010
4.  Kosuke Kitajima, JPN     2:09.42 2003
5.  Dimitri Komornikov, RUS  2:09.52 2003
6.  Yuta Suenaga, JPN        2:09.57 2010
7.  Mike Barrowman, USA      2:10.16 1992
8.  Kris Gilchrist, GBR      2:10.32 2007
9.  Ed Moses, USA            2:10.40 2001
10. Jim Piper, AUS           2:10.51 2006
11. Eric Shanteau, USA       2:10.65 2007
12. Ian Edmond, GBR          2:10.69 2003
13. Daniel Gyurta, HUN       2:10.71 2007
14. Domenico Fioravanti, ITA 2:10.87 2000
15. Scott Usher, USA         2:10.90 2004
16. Tales Cerdeira, BRA      2:10.91 2010
17. Loris Facci, ITA         2:11.03 2007
18. Maxim Podoprigora, AUT   2:11.09 2001
19. Michael Jamieson, GBR    2:11.14 2010
20. Paolo Bossini, ITA       2:11.20 2004


Na ocasião de seu 2:09.31 de traje no ano passado, era na época o 12º colocado no ranking all-time. Uma posição coerente com a do ranking acima. A favor de Tales está o fato deste ranking considerar nadadores do período de 2000 a 2007 que também nadavam com full body-suit, que poderiam representar alguma vantagem em relação às bermudas de hoje em dia. Contra ele, o fato de que, a despeito dos trajes, o mundo evoluiu em 2008 e 2009 e essa evolução não é retratada no ranking. Serve para dar uma noção. E, ao contrário do que Craig Lord pensa, ele é sim um dos melhores do mundo - não é por causa do traje!

Os resultados das primeiras semifinais e finais você pode ver no site da CBDA, apesar da demora para colocarem o resultado dos 200m costas (compreendemos, afinal não é fácil manusear um sistema manual da idade da pedra). Alguns destaques:

- Pode uma nadadora conseguir seu primeiro título nacional individual aos 28 anos? Michelle Lenhardt fez exatamente isso nos 100m livre no ano passado, e hoje sua xará Michele Schimidt repetiu o feito nos 200m peito.

- César Cielo nadou fácil e amanhã vem para 21 nos 50m livre, quem sabe para conseguir a primeira posição do ranking mundial e o melhor tempo da história sem trajes (21.64 de Alexander Popov, em 2000).

- Poliana Okimoto venceu os 800m livre pela sétima vez, sendo a quarta consecutiva (ano passado chegou atrás da chilena Kristel Kobrich, mas foi ouro entre as brasileiras).

- Interessante duelo de gerações no 4x50m livre feminino: com a vitória, o Pinheiros, com média de idade de 27 anos. Prata para o Minas (média de 20 anos) e bronze para o Curitibano, cuja equipe de revezamento já vinha tendo grande destaque nas competições de categoria e agora repete o 3º lugar do ano passado. Média de idade da equipe? 16 aninhos!

A volta do Thorpedo?

Autor: dtakata

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Agradecimento a Marcel Rossi, que diretamente da Austrália nos enviou a notícia quente.

Em 2004, nas Olimpíadas de Atenas, aconteceu o que à época foi denominada "a prova do século": os 200m livre masculino, reunindo os supercampeões Ian Thorpe, Pieter van den Hoogenband, Michael Phelps e Grant Hackett. A prova representou a redenção de Thorpe, conquistando o ouro olímpico perdido em casa de maneira dramática quatro anos antes para o holandês voador.

Nos quatro anos que separaram Atenas de Pequim, Michael Phelps evoluiu monstruosamente. Apesar de ter sido campeão olímpico em 2008 com facilidade, seu momento de maior brilho na prova foi no Mundial de Melbourne, em março de 2007. Sua vitória era esperada, mas a maneira que veio foi colossal: um recorde mundial surpreendente, melhorando a marca do australiano de 2001, um recorde que, acreditava-se, iria durar ainda por muitos e muitos anos (estamos falando de uma época sem trajes hi-tech).

Infelizmente, na época, e por pouco, a reedição do duelo entre Phelps e Thorpe não aconteceu. Em novembro de 2006, Thorpe, à época com 24 anos, havia anunciado sua aposentadoria da natação competitiva. Com todas as conquistas que um nadador pode almejar, não foi uma grande surpresa, já que ele não competia internacionalmente desde 2004, e em dois anos disputou apenas um Campeonato Australiano. Deixava as piscinas como o nadador australiano mais bem sucedido em Olimpíadas (nove medalhas, sendo cinco de ouro).


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O primeiro ouro olímpico a gente nunca esquece...


"Quero outros rumos, após tanto tempo indo e voltando na piscina encarando uma linha preta", declarou ele na conferência de imprensa em que anunciou seu afastamento. "Não vou descartar (retornar à natação). Nunca vou descartar nada, mas isso não vai acontecer".

Sua declaração, um pouco contraditória, mostra que ele tinha dúvidas desde aquele momento.

Agora, os jornais australianos vem noticiando que Thorpe esta considerando um retorno à natação competitiva! Na segunda-feira passada, um diário noticiou que ele almeja uma vaga na equipe australiana do 4x100m livre. Ao que parece, Thorpe tem estado em contato com alguns dos principais nadadores da seleção do país, incluindo Eamon Sullivan, e teria dito a eles: "vamos nadar o 4x100m em Londres/2012!" Thorpe estaria motivado com o retorno bem-sucedido de seu compatriota Geoff Huegill, ex-campeão mundial, que após quatro anos parado voltou às competições, perdeu quase 40 kg (!!!) e é o vice-líder do ranking mundial dos 50m borboleta com um tempo apenas dois centésimos acima de sua melhor marca, de 2001 (na época recorde mundial).

Pela forma física que Thorpe vem mostrando após aposentadoria, ele terá realmente que se inspirar em Huegill se quiser voltar ao auge! Vejam abaixo Thorpe em foto recente:


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Me desculpem, a foto acima está incorreta. Na verdade, a foto abaixo mostra Thorpe antes e depois da aposentadoria.


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A involução de Ian Thorpe


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A evolução de Geoff Huegill. Thorpe terá trabalho...


Tracey Menzies, antiga treinadora de Thorpe, disse que seu antigo pupilo não comunicou nada a ela sobre o suposto retorno. Mas ela vê com otimismo a volta do Thorpedo.

"Ele é um atleta, e se colocar algo na cabeça, pode alcançar o objetivo. Se este é o objetivo final de sua carreira, certamente ele o alcançará", disse. "Vi nos jornais que em um primeiro momento ele quer uma vaga no revezamento. É um bom começo".

Vamos torcer para que não seja somente boato. Se ele realmente conseguir uma vaga no revezamento mais cedo do que se espera, ou seja, digamos, para o Mundial do ano que vem, por que não poderia almejar um objetivo mais ousado - recuperar seu domínio nos 200m livre? Ian Thorpe x Michael Phelps em Londres seria a prova do milênio! Seria a oportunidade para desempatar o jogo (Phelps derrotou Thorpe nos 200m medley no Mundial de 2003, e o australiano saiu vitorioso nos 200m livre em Atenas/2004). E sempre pode aparecer um Paul Biedermann para estragar a festa...


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Fiquem abaixo com o vídeo dos 200m livre de Ian Thorpe no Campeonato Australiano de 2006, seletiva para os Jogos da Comunidade Britânica. Era seu retorno às competições após 2004. Também foi sua última competição - pelo menos por enquanto.