Pan-Pacífico: números e curiosidades
Autor: dtakata

O Campeonato Pan-Pacífico de Natação, que começa hoje sua 11ª edição em Irvine (Estados Unidos), é organizado pela Associação de Natação do Pan-Pacífico, fundada na década de 80. A associação foi fundada por Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão, com o objetivo de organizar uma competição de nível internacional que preenchesse o calendário destes países nos anos ímpares (sem Olimpíada e Mundial). Os países europeus tinham o Campeonato Europeu, e esses quatro países gostariam de ter uma competição similar nos anos até então sabáticos.
Em 1985, o primeiro Pan-Pacífico foi realizado em Tóquio, no Japão. Desde então, os quatro países fundadores da associação se revezam para sediar o evento. O nome da associação vem do fato dos quatro países serem banhados pelo Oceano Pacífico, mas já na primeira edição países que não faziam parte deste circuito foram convidados, como Brasil, Venezuela e Jamaica. Curiosamente, o Brasil participou da primeira edição e só retornou novamente em 2002.
O evento era bienal até 1999, quando a FINA alterou seu calendário, organizando Mundiais de longa a cada dois anos. A proposta inicial do Pan-Pacífico se manteve a mesma: ser realizado em anos sem disputa de Olimpíadas ou Mundiais. Por isso, desde 2002, o evento passou a ser quadrienal.
Como se trata de um evento relativamente recente (em comparação, por exemplo, com o Campeonato Europeu, disputado desde 1926, ou Olimpíadas, desde 1896), houve poucas mudanças no programa de provas. Em 1989, houve a adição de provas de 1500m livre feminino e 800m livre masculino em 1989. Em 2006, o acréscimo da prova de águas abertas de 10 km. Na edição de 2010, pela primeira vez, serão disputadas provas de 50m borboleta, costas e peito.
A americana Jenny Thompson é a maior medalhista na natação entre as mulheres em Jogos Olímpicos, com 12 medalhas, sendo oito de ouro. No entanto, todas as vitórias vieram em provas de revezamento. Em Pan-Pacíficos, a história é diferente, e ela reina absoluta em todos os critérios! São nada menos que 34 medalhas, sendo 25 (!!!) de ouro, 7 de prata e 2 de bronze. Ao contrário de Olimpíadas, ela também brilha individualmente: é a maior vencedora, com 12 ouros (18 medalhas individuais no total).

Jenny Thompson no Pan-Pacífico de 1999, em Sydney, no qual ela superou uma das mais lendárias marcas da natação mundial: o recorde dos 100m borboleta de Mary T. Meagher, que então fazia 18 anos
Em número de medalhas, o concorrente mais próximo tem menos da metade: Matt Biondi tem 16 subidas ao pódio (12 ouros, 2 pratas e 2 bronzes). Mas Biondi tem somente 3 ouros individuais (os outros 9 foram em revezamentos). A que mais se aproxima de Thompson individualmente é Janet Evans, com 12 vitórias (14 medalhas no total). Entre os homens, o australiano Kieren Perkins é o que tem mais vitórias individuais: 7.
Maior medalhista disparado da história de Olimpíadas e Mundiais, Michael Phelps não tem o mesmo destaque em Pan-Pacíficos. Com 11 medalhas (oito ouros e três pratas), fica atrás de gente como Jon Olsen, Grant Hackett, Ian Thorpe, Susan O'Neill e Natalie Coughlin, além de Thompson, Evans e Biondi. Pesa contra ele o fato de viver em uma época em que o Pan-Pacífico é disputado a cada quatro anos, contra a cada dois anteriormente (ele disputou apenas duas edições, contra sete de Jenny Thompson).
FEMININO: MAIORES MEDALHISTAS
Atleta Total
Jenny Thompson (USA) 34
Janet Evans (USA) 14
Susie O'Neill (AUS) 14
Natalie Coughlin (USA) 12
Nicole Haislett (USA) 11
Lindsay Benko (USA) 11
Lea Loveless (USA) 9
Samantha Riley (AUS) 9
Nicole Livingstone (AUS) 9
FEMININO: MAIORES MEDALHISTAS INDIVIDUAIS
Atleta Total
Jenny Thompson (USA) 18
Janet Evans (USA) 11
Susie O'Neill (AUS) 10
Brooke Bennett (USA) 8
Claudia Poll (CRC) 8
Nicole Livingstone (AUS) 8
Kristine Quance (USA) 7
FEMININO: MAIORES VENCEDORAS
Atleta Ouros
Jenny Thompson (USA) 25
Janet Evans (USA) 12
Natalie Coughlin (USA) 8
Susie O'Neill (AUS) 7
Nicole Haislett (USA) 7
Brooke Bennett (USA) 6
Lindsay Benko (USA) 5
Lea Loveless (USA) 5
Angel Martino (USA) 5
FEMININO: MAIORES VENCEDORAS INDIVIDUAIS
Atleta Ouros
Jenny Thompson (USA) 12
Janet Evans (USA) 9
Brooke Bennett (USA) 6
Susie O'Neill (AUS) 6
Kristine Quance (USA) 4
Natalie Coughlin (USA) 4
MASCULINO: MAIORES MEDALHISTAS
Atleta Total
Matt Biondi (USA) 16
Jon Olsen (USA) 12
Grant Hackett (AUS) 12
Ian Thorpe (AUS) 11
Michael Phelps (USA) 11
Michael Klim (AUS) 10
Matthew Dunn (AUS) 10
Chad Carvin (USA) 10
MASCULINO: MAIORES MEDALHISTAS INDIVIDUAIS
Atleta Total
Grant Hackett (AUS) 9
Matthew Dunn (AUS) 9
David Wharton (USA) 8
Kieren Perkins (AUS) 8
Chad Carvin (USA) 7
Daniel Kowalski (AUS) 7
Matt Biondi (USA) 7
Michael Phelps (USA) 7
MASCULINO: MAIORES VENCEDORES
Atleta Ouros
Matt Biondi (USA) 12
Jon Olsen (USA) 10
Grant Hackett (AUS) 9
Ian Thorpe (AUS) 9
Jeff Rouse (USA) 9
Michael Phelps (USA) 8
Kieren Perkins (AUS) 8
Michael Klim (AUS) 7
MASCULINO: MAIORES VENCEDORES INDIVIDUAIS
Atleta Ouros
Kieren Perkins (AUS) 7
Grant Hackett (AUS) 6
Ian Thorpe (AUS) 5
Jeff Rouse (USA) 5
Matthew Dunn (AUS) 5
Michael Phelps (USA) 5
O maior medalhista em uma edição é Matt Biondi: sete medalhas em 1985 (ouro nos 50m e 100m livre e três revezamentos, prata nos 200m livre e bronze nos 100m borboleta). Em número de ouros, ele também é o recordista, com as 5 vitórias de 1985, mas divide a honra com outras duas lendas: Ian Thorpe (vencedor dos 100m, 200m e 400m livre e 4x100m e 4x200m livre em 2002) e Michael Phelps (ganhador dos 200m borbo, 200m e 400m medley e 4x100m e 4x200m livre em 2006).

Na edição de 2002, em Yokohama, Ian Thorpe conquistou cinco medalhas de ouro. Era impressionante como o australiano era adorado pelo público japonês
O Brasil disputou somente três edições da competição: 1985, 2002 e 2006. Por isso, tem apenas quatro medalhas. Em 1985, Ricardo Prado foi ouro nos 400m medley e bronze nos 200m borbo. Com o tempo dos 400m medley, ele terminou aquele ano como líder do ranking mundial da prova em que havia sido prata olímpico em 1984. Foi a última grande performance da carreira de Prado. 21 anos depois, Thiago Pereira foi bronze nos 400m medley e Flávia Delaroli, bronze nos 50m livre (a única medalha da natação feminina do Brasil em uma grande competição internacional - Pan-Americano obviamente não conta).
Os Estados Unidos é o maior vencedor, disparado, no quadro de medalhas geral. No total, tem quase o dobro de medalhas da Austrália, e quase o triplo de ouros. A hegemonia se dá em ambos os sexos.
Na última edição, ocorreu um dos grandes massacres da história da competição: 26 vitórias ianques em 36 provas. Contribuiu para isso o fato de muitas estrelas australianas não terem marcado presença, como Lisbeth Trickett, Leisel Jones, Grant Hackett e Ian Thorpe (que na época ainda não havia anunciado sua aposentadoria).
Em apenas uma edição, os Estados Unidos não ficaram na primeira posição no quadro de medalhas. Foi em 1999, na competição da afirmação de Ian Thorpe como fenômeno da natação. Liderados por Thorpe (que superou quatro recordes mundiais), Grant Hackett e Michael Klim, os australianos conquistaram 10 ouros no masculino, contra 5 dos americanos. Como no feminino as americanas venceram por 8 a 3, o desempate foi para o número de pratas, e aí deu Austrália, com 13 contra 10.
QUADRO DE MEDALHAS TOTAL
País Ouro Prata Bronze Total
USA 214 142 106 462
AUS 74 101 82 257
JPN 16 30 54 100
CAN 13 40 59 112
CHN 5 8 11 24
RSA 5 5 5 15
NZL 4 4 12 20
CRC 3 2 4 9
KOR 2 1 1 4
BRA 1 0 3 4
PUR 1 0 1 2
SUR 1 0 0 1
QUADRO DE MEDALHAS FEMININO
País Ouro Prata Bronze Total
USA 108 73 53 234
AUS 28 47 44 119
JPN 14 20 32 66
CAN 7 13 23 43
CHN 5 7 9 21
RSA 4 2 1 7
CRC 3 2 4 9
NZL 1 2 1 4
BRA 0 0 1 1
KOR 0 0 1 1
QUADRO DE MEDALHAS MASCULINO
País Ouro Prata Bronze Total
USA 106 69 53 228
AUS 46 54 38 138
CAN 6 27 36 69
NZL 3 2 11 16
JPN 2 10 22 34
KOR 2 1 0 3
RSA 1 3 4 8
BRA 1 0 2 3
PUR 1 0 1 2
SUR 1 0 0 1
CHN 0 1 2 3
Campeonato Europeu: números e curiosidades
Autor: dtakata

O Campeonato Europeu de Desportos Aquáticos começou na última quarta-feira em Budapeste, na Hungria, com as provas de nado sincronizado e águas abertas. As disputas das provas de natação em piscina começam na segunda-feira.
Um dos mais tradicionais campeonatos do mundo, coincidentemente a primeira edição foi disputada em 1926 na mesma Budapeste. Sua periodicidade mudou ao longo dos anos, e hoje ele é disputado de dois em dois anos. Em anos olímpicos, o Europeu não é muito valorizado, com muitos atletas disputando o campeonato como parte de preparação para as Olimpíadas. Quando o Europeu é disputado em anos sem a concorrência de Jogos Olímpicos, como é o caso de 2010, ele tem o status de uma das principais, senão a principal, competição do calendário mundial na natação.
O Europeu chega à sua 29ª edição este ano. Às vésperas do início das provas de natação, vamos conhecer um pouco da história da competição através de alguns números e estatísticas.
O primeiro Europeu, em Budapeste, contou apenas com provas masculinas: 100m, 400m e 1500m livre, 100m costas, 200m peito e 4x200m livre. Destas, somente o 100m costas não foi disputado em todas as edições (foi excluído em 1962 e 1966, voltando em 1970). As mulheres estrearam em 1927, em Bolonha (Itália), nos 100m e 400m livre, 100m costas, 200m peito e 4x100m livre.
O nadador que mais conquistou medalhas na história dos Europeus chama-se Alexander Popov, da Rússia. Em 8 participações entre 1991 e 2004, foram nada menos que 26 subidas ao pódio. Ele também é o nadador com mais ouros (21), e com mais ouros individuais (10). Em termos de número de medalhas individuais, é o segundo com 13, empatado com o holandês Pieter van den Hoogenband e atrás apenas do italiano Massi Rosolino (14).
Entre as mulheres, a alemã Franziska van Almsick é a maior vencedora, sendo a maior medalhista (21) e a maior medalhista de ouro (18). Em termos individuais, quatro nadadoras dividem o primeiro lugar, com 14 insígnias: a ucraniana Yana Klochkova, a dinamarquesa Mette Jacobsen, a russa/espanhola Nina Zhivanevskaya e a eslovaca Martina Moravcova. Klochkova tem a vantagem de ser a maior medalhista de ouro individual no feminino em todos os tempos: 10 conquistas.

Martina Moravcova e Franziska van Almsick em Berlim/2002
MASCULINO: MAIORES MEDALHISTAS
Atleta Total
Alexandr Popov (RUS) 26
Massi Rosolino (ITA) 21
Michael Gross (FRG) 19
Pieter vdHoogenband (NED) 19
Lars Frölander (SWE) 16
Dirk Richter (GDR) 14
Oleg Lisogor (UKR) 13
Anders Holmertz (SWE) 13
MASCULINO: MAIORES MEDALHISTAS INDIVIDUAIS
Atleta Total
Massi Rosolino (ITA) 14
Alexander Popov (RUS) 13
Pieter vdHoogenband (NED) 13
Michael Gross (FRG) 10
Oleg Lisogor (UKR) 10
Jani Sievinen (FIN) 9
Markus Rogan (AUT) 9
Lars Frölander (SWE) 9
MASCULINO: MAIORES VENCEDORES
Atleta Ouros
Alexander Popov (RUS) 21
Michael Gross (FRG) 13
Pieter vdHoogenband (NED) 10
Emiliano Brembilla (ITA) 9
Peter Nocke (FRG) 9
Vladimir Selkov (RUS) 8
Tamás Darnyi (HUN) 8
MASCULINO: MAIORES VENCEDORES INDIVIDUAIS
Atleta Ouros
Alexander Popov (RUS) 10
Pieter vdHoogenband (NED) 8
Michael Gross (FRG) 8
Tamás Darnyi (HUN) 8
Oleg Lisogor (UKR) 6
László Cseh (HUN) 6
Yuriy Prilukov (RUS) 6
FEMININO: MAIORES MEDALHISTAS
Atleta Total
Franziska van Almsick (GER) 21
Sandra Völker (GER) 17
Mette Jacobsen (DEN) 17
Camelia Potec (ROM) 17
Yana Klochkova (UKR) 16
Therese Alshammar (SWE) 16
Nina Zhivanevskaya (RUS/ESP) 16
Manuela Stellmach (GDR) 15
Beatrice Caslaru (ROM) 15
FEMININO: MAIORES MEDALHISTAS INDIVIDUAIS
Atleta Total
Yana Klochkova (UKR) 14
Mette Jacobsen (DEN) 14
Nina Zhivanevskaya (RUS/ESP) 14
Martina Moravcová (SVK) 14
Camelia Potec (ROM) 13
Krisztina Egerszegi (HUN) 12
Ágnes Kovács (HUN) 12
Beatrice Caslaru (ROM) 11
FEMININO: MAIORES VENCEDORAS
Atleta Ouros
Franziska van Almsick (GER) 18
Heike Friedrich (GDR) 11
Yana Klochkova (UKR) 10
Sandra Völker (GER) 9
Manuela Stellmach (GDR) 9
Krisztina Egerszegi (HUN) 9
Laure Manaudou (FRA) 9
Kristin Otto (GDR) 9
Ute Geweniger (GDR) 9
FEMININO: MAIORES VENCEDORAS INDIVIDUAIS
Atleta Ouros
Yana Klochkova (UKR) 10
Krisztina Egerszegi (HUN) 9
Ágnes Kovács (HUN) 7
Franziska van Almsick (GER) 7
Laure Manaudou (FRA) 7
Ute Geweniger (GDR) 7
Mette Jacobsen (DEN) 6
A melhor performance da história dos Europeus foi obtida em 1993. Franziska van Almiskck, então com apenas 15 anos, conquistou sete medalhas, sendo seis ouros (50m, 100m e 200m livre e três revezamentos) e uma prata (100m borboleta). Versátil, em 1995 ela seria vencedora dos 400m livre e prata nos 50m livre. Nunca na história das grandes competições (Olimpíadas, Mundiais, Europeus, Pan-Pacífico, Jogos da Comunidade Britânica, Pan-Americano) nenhum outro nadador ou nadadora foi medalhista nos 50m e 400m livre.
Entre os homens, a melhor performance ocorreu em 1999. Somente por ter vencido Alexander Popov nos 100m livre, quebrando uma invencibilidade de oito anos do russo em grandes competições, o holandês Pieter van den Hoogenband já mereceria as capas de jornais. Mas ele fez muito mais que isso. Com seis ouros, igualou o recorde de número de medalhas conquistadas por um homem em um único Europeu, que pertencia ao alemão-ocidental Michael Gross (1985). A vantagem de Pieter é que quatro de suas seis vitórias foram individuais (50m, 100m e 200m livre e 50m borbo), contra três de Gross (200m livre e 100m e 200m borbo). Além disso, Pieter esteve muito próximo da sétima de ouro. Isso porque, no revezamento 4x200m livre, a equipe holandesa venceu a prova, mas foi desclassificada devido ao primeiro nadador ter se movimentado no bloco.
Alexander Popov é, entre os homens, o nadador que mais conquistou vitórias em uma prova. Na verdade, em duas: cinco ouros nos 50m e 100m livre. Nos 100m livre, foi campeão em 1991, 1993, 1995, 1997 e 2000. Nos 50m, em 1993, 1995, 1997, 2000 e 2004. Com quatro vitórias, muitos outros nadadores: Pieter Hoogenband (200m livre), o italiano Emiliano Brembilla (400m livre), o russo Yuri Prilukov (1500m livre), o alemão Jörg Hoffman (1500m livre), o espanhol Martiín López-Zubero (100m costas), o ucraniano Oleg Lisogor (50m peito), o alemão-ocidental Michael Gross (200m borbo), o francês Franck Esposito (200m borbo) e o húngaro Tamás Darnyi (400m medley).
Popov é também o nadador com mais medalhas em uma prova: 7 nos 100m livre. Massi Rosolino também tem 7 nos 200m livre.

Alexander Popov no Europeu de 1997, em Sevilha
No feminino, a briga é mais acirrada. Ninguém venceu cinco vezes nenhuma prova, e somente duas nadadoras têm quatro ouros na mesma prova: a polonesa Otylia Jedrzejczak (200m borbo) e Yana Klochkova (200m e 400m medley). No entanto, a ucraniana Svetlana Bondarenko é imbatível em quantidade: 8 medalhas nos 100m peito, entre 1991 e 2004.
Em termos de países, a nação mais vencedora da histórias dos Europeus é a antiga Alemanha Oriental. Com 132 medalhas de ouro, tem quase o dobro de vitórias da nação mais próxima, a Alemanha unificada (antes da 2ª Guerra Mundial e após a queda da cortina de ferro). Se fossem computadas somente as medalhas conquistadas pelas equipes femininas da Alemanha Oriental, ainda assim o país ficaria na frente do quadro com folga: nada menos que 109 ouros. Nas décadas de 70 e 80, o domínio europeu das alemãs orientais foi absurdo. O cúmulo aconteceu nas edições de 1981 e 1983, quando elas venceram simplesmente todas as provas femininas! Anos depois, foi revelado o esquema de doping sistemático que vigorava no país naquela época. No entanto, o que fica nos livros de história é o nome das alemãs orientais em primeiro lugar.
QUADRO DE MEDALHAS TOTAL
País Ouro Prata Bronze Total
GDR 132 100 55 287
GER 76 67 56 199
URS 61 55 51 167
HUN 60 53 40 153
RUS 54 33 27 114
NED 51 62 58 171
FRA 42 38 41 121
SWE 39 44 52 135
FRG 35 27 41 103
ITA 34 46 54 134
GBR 27 49 69 145
UKR 26 25 17 68
DEN 17 10 20 47
ESP 15 17 15 47
POL 13 14 18 45
FIN 10 4 4 18
ROM 8 22 31 61
AUT 7 6 7 20
BEL 5 5 9 19
IRL 4 4 0 8
SVK 3 10 1 14
NOR 3 4 4 11
CRO 2 6 5 13
GRE 2 4 5 11
SUI 2 2 5 9
YUG 1 7 9 17
BLR 1 5 8 14
SLO 1 4 7 12
TCH 1 3 10 14
BUL 1 2 7 10
CZE 1 0 7 8
SRB 1 0 0 1
ISR 0 2 2 4
LTU 0 2 2 4
POR 0 1 0 1
TUR 0 0 1 1
QUADRO DE MEDALHAS FEMININO
País Ouro Prata Bronze Total
GDR 109 70 22 201
GER 46 31 28 105
NED 36 55 45 136
FRA 22 8 17 47
HUN 21 22 13 56
SWE 17 18 21 56
DEN 16 8 17 41
UKR 12 11 7 30
RUS 10 15 9 34
URS 10 11 21 42
GBR 8 24 42 74
ROM 8 16 22 46
ESP 8 9 7 24
POL 5 5 11 21
ITA 4 10 12 26
BEL 4 4 6 14
IRL 4 3 0 7
SVK 3 10 1 14
AUT 3 1 4 8
FRG 2 8 19 29
NOR 2 1 4 7
SUI 2 1 0 3
BLR 1 5 7 13
SLO 1 3 3 7
BUL 1 2 7 10
CZE 1 0 5 6
YUG 0 3 1 4
FIN 0 1 1 2
CRO 0 0 2 2
GRE 0 0 2 2
TCH 0 0 1 1
QUADRO DE MEDALHAS MASCULINO
País Ouro Prata Bronze Total
URS 51 44 30 125
RUS 44 18 18 80
HUN 39 31 27 97
FRG 33 19 22 74
ITA 30 36 42 108
GER 30 36 28 94
GDR 23 30 33 86
SWE 22 26 31 79
FRA 20 30 24 74
GBR 19 25 27 71
NED 15 7 13 35
UKR 14 14 10 38
FIN 10 3 3 16
POL 8 9 7 24
ESP 7 8 8 23
AUT 4 5 3 12
CRO 2 6 3 11
GRE 2 4 3 9
YUG 1 4 8 13
TCH 1 3 9 13
NOR 1 3 0 4
DEN 1 2 3 6
BEL 1 1 3 5
SRB 1 0 0 1
ROM 0 6 9 15
ISR 0 2 2 4
LTU 0 2 2 4
SUI 0 1 5 6
SLO 0 1 4 5
IRL 0 1 0 1
POR 0 1 0 1
CZE 0 0 2 2
BLR 0 0 1 1
TUR 0 0 1 1
Acervo histórico
Autor: dtakata
Quem tem Facebook e acompanha a natação brasileira irá se deliciar. No final de abril, Alonso Gatti, nadador brasileiro da década de 70, criou um álbum de fotos no site de relacionamentos chamado "Álbum das Gerações da Natação Brasileira". O objetivo era contar com a colaboração dos usuários e agregar em um único lugar fotos que contem a história da nossa natação. A iniciativa foi um sucesso. Alonso conseguiu juntar nadadores, ex-nadadores e amantes da natação na empreitada. Pouco mais de dois meses depois, o álbum conta com quase 500 fotos, muitas delas históricas. Navegar no álbum é viajar no tempo. Além de Alonso, administram o álbum outros dois grandes nomes da natação nacional: Lucy Maurity Burle, nadadora olímpica em 1972, e Paulo Duarte Guimarães, filho do lendário técnico Daltely Guimarães.
Abaixo, postamos algumas fotos encontradas no álbum, com os devidos créditos. Clique aqui para acessar o álbum e boa viagem! Parabéns a Alonso pela iniciativa e a todos os colaboradores!

Nadadores do Botafogo rumo à Olimpíada de Munique/1972: Lucy Maurity Burle, José Sylvio Fiolo, Carlos Antonio Azevedo, Roberto Pavel (técnico) e Paulo Becskehazy. Crédito: Lucy Maurity Burle

Os irmãos Rosamaria Prado e Ricardo Prado, mais Denise Caetano, no Troféu Brasil de 1980. Crédito: Denise Caetano

Premiação dos 100m livre masculino no Troféu José Finkel de 1982, no Clube Curitibano: Jorge Fernandes (ouro), José Carlos Santos (prata) e Marcus Matiolli (bronze). Crédito: José Carlos Santos

Equipe do Flamengo em 1987. Foto retirada da revista Placar. Encontram-se na foto Christiane Fanzeres, Daniela Lavagnino, Daniele Ribeiro, Patricia Amorim, Alexandre Hermeto, Cicero Torteli, Jorge Fernandes, Alberto Klar e Daltely Guimarães, entre outros. Crédito: Daniele Ribeiro

Equipe brasileira do 4x200m livre masculino, medalha de bronze no Pan de Havana em 1991. Gustavo Borges, Teófilo Ferreira, Júlio Rebollal e Emmanuel Nascimento com o presidente cubano Fidel Castro. Crédito: Márcia Francisco
Abaixo, postamos algumas fotos encontradas no álbum, com os devidos créditos. Clique aqui para acessar o álbum e boa viagem! Parabéns a Alonso pela iniciativa e a todos os colaboradores!

Nadadores do Botafogo rumo à Olimpíada de Munique/1972: Lucy Maurity Burle, José Sylvio Fiolo, Carlos Antonio Azevedo, Roberto Pavel (técnico) e Paulo Becskehazy. Crédito: Lucy Maurity Burle

Os irmãos Rosamaria Prado e Ricardo Prado, mais Denise Caetano, no Troféu Brasil de 1980. Crédito: Denise Caetano

Premiação dos 100m livre masculino no Troféu José Finkel de 1982, no Clube Curitibano: Jorge Fernandes (ouro), José Carlos Santos (prata) e Marcus Matiolli (bronze). Crédito: José Carlos Santos

Equipe do Flamengo em 1987. Foto retirada da revista Placar. Encontram-se na foto Christiane Fanzeres, Daniela Lavagnino, Daniele Ribeiro, Patricia Amorim, Alexandre Hermeto, Cicero Torteli, Jorge Fernandes, Alberto Klar e Daltely Guimarães, entre outros. Crédito: Daniele Ribeiro

Equipe brasileira do 4x200m livre masculino, medalha de bronze no Pan de Havana em 1991. Gustavo Borges, Teófilo Ferreira, Júlio Rebollal e Emmanuel Nascimento com o presidente cubano Fidel Castro. Crédito: Márcia Francisco
Xuxa dando seu alô
Autor: dtakata

No post anterior, falamos da importância que um mísero centésimo pode fazer na carreira e na vida dos nadadores. Fernando Scherer sentiu isso na pele por algumas vezes. Aproveitando a atual exposição devido ao seu casamento com a dançarina Scheila Mello daqui a 10 dias, vamos conhecer um pouco do início da trajetória deste nadador, aposentado em 2006, um dos maiores que o Brasil já teve.
Suas conquistas mais reconhecidas são dois bronzes olímpicos (50m livre em 1996 e 4x100m livre em 2000), um bronze em Mundial de longa (4x100m livre em 1994), quatro ouros em Mundial de curta (100m e 4x100m livre em 1993 e 1995) e sete ouros em Pan-Americanos (50m, 100m e 4x100m livre e 4x100m medley entre 1995 e 2003), além de ter tirado Alexander Popov do topo do ranking mundial dos 100m livre após sete anos, em 1998.
Por duas vezes os centésimos estiveram presentes decisivamente em sua carreira. Em 1992, com apenas 17 anos, não era cotado para integrar a seleção olímpica que iria aos Jogos de Barcelona. Após todos os campeonatos que serviam para obtenção do índice olímpico (Jogos Pan-Americanos de Havana em 1991 e Campeonatos Brasileiros Absolutos), a CBDA organizou uma última seletiva no Rio de Janeiro, a chamada "Tentativa Olímpica", para quem tivesse uma última esperança. Scherer nadou os 50m livre ao lado de outros nadadores e não chegou perto do índice. Ao fim da competição, já sem muita expectativa, resolveu arriscar uma tentativa isolada. E aí a surpresa: marcou 23.31, apenas um centésimo acima do índice olímpico!
Aquele centésimo serviu de motivação para os quatro anos seguintes. No final de 1992, surpreendeu Gustavo Borges, então medalhista de prata olímpico nos 100m livre, no Troféu Brasil realizado no Pinheiros. Foi sua revelação para o grande público. Até 1996, ganhou ouros em Pan e Mundiais de curta. Parecia pronto para não só participar de sua primeira Olimpíada como para trazer medalhas. O marketing em torno dele e de Gustavo Borges na época era enorme. A diferença é que Borges, já medalhista olímpico, tinha bagagem e experiência.
Em Atlanta, Scherer terminou em quinto nos 100m livre e ficou arrasado. Também não subiu ao pódio no revezamento 4x100m livre, quarto colocado. A última chance era nos 50m livre. Muito pressionado, não chegou perto de seu melhor tempo nas eliminatórias. Com 22.68, empatou na sétima colocação com o venezuelano Francisco Sanchez e o alemão Bengt Zigarsky e teve que disputar um desempate contra os dois adversários para decidir quem nadaria a final.
Sherer e Sanchez se classificaram. Nadando na raia 1, o brasileiro respirou somente uma vez e finalmente pôde sair com um sorriso da piscina do Georgia Tech Aquatic Center: havia conquistado o bronze, atrás do russo Alexander Popov e do americano Gary Hall Jr. Agora imaginem só se ele tivesse nadado um centésimo pior na eliminatória... Não poderia ter havido melhor maneira de se vingar do centésimo perdido de 1992!

Voltando a 1992, vendo Scherer derrotar Gustavo Borges no Troféu Brasil, pouca gente desconfiaria que ele havia entrado no mundo da natação apenas quatro anos antes, para tratar de problemas respiratórios. Já em 1989 conquistou seu primeiro título, no Campeonato Sul-brasileiro, em Santa Catarina. E poucos sabem que, antes de nadar, Scherer jogava tênis e foi até federado!
Confira isso nessa imperdível reportagem de 1992, preciosidade encontrada no Youtube, postada por Rodrigo Guedes. A aparência de Scherer na época ainda justificava o apelido de "Xuxa". A voz continua a mesma, mas os cabelos...
Como um centésimo pode mudar sua vida
Autor: dtakata
Na história da natação, são notórios os casos de vitórias por um centésimo que entraram para a posteridade. E não raro os protagonistas têm suas vidas radicalmente modificadas por causa dessa fração de segundo.
Em 1988, o surinamês Anthony Nesty superou o favorito americano Matt Biondi na final dos 100m borboleta nas Olimpíadas de Seul pela diferença mínima. É até hoje o único atleta de seu país a subir no lugar mais alto do pódio olímpico, e também o único negro a conquistar um ouro individual na natação.
O americano Gary Hall Jr venceu os 50m livre sobre o croata Duje Draganja por um centésimo em 2004, e quatro anos antes havia empatado na primeira colocação com o compatriota Anthony Ervin! Em ambas as situações, uma unha mais curta e ele poderia não ter nenhum ouro olímpico individual.
O caso mais recente é a vitória de Michael Phelps sobre Mirolad Cavic nos 100m borboleta em Pequim/2008. Tivesse o americano ficado com a prata, ele não teria superado a performance de Mark Spitz de sete ouros de 1972, e talvez ainda não seria considerado o maior da história (para muitos, vale mais disputar sete provas e ganhar todas do que disputar oito e perder uma).

Mas famos falar aqui de um caso no qual um centésimo poderia ter mudado radicalmente a situação da nossa natação nos dias de hoje.
No Mundial de Melbourne, em 2007, César Cielo surpreendeu ao assumir a ponta na primeira metade na final dos 100m livre, nadando na raia 1, na frente de favoritos como Filippo Magnini, Pieter Hoogenband e Roland Schoeman. Manteve a liderança até 15 metros para o final, mas ficou fora do pódio por quatro centésimos. O Brasil não conquistava medalhas em Mundiais de longa fazia 13 anos, e nesse período jamais havia chegado tão perto.
A decepção de Cielo após a prova era evidente. O fato fez com que ele criasse uma pressão sobre si próprio para os 50m livre, sua melhor prova. Se ficou em quarto nos 100m, poderia fazer melhor na prova mais curta. Mas, apesar de ter batido o recorde sul-americano na semifinal, não nadou bem a final, fruto dessa pressão interna. Afinal, após ter passado tão perto nos 100m, era sua última chance real de medalha. Após a prova, sentido, desabou em lágrimas ainda na piscina (foto abaixo).

Por pouco, a mesma história não se repetiu nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Cielo iniciou sua participação abrindo o revezamento 4x100m livre para 47.91. Um ótimo tempo, melhorando seu recorde sul-americano e nadando pela primeira vez na casa dos 47s. Mas na final da mesma prova, nada menos que quatro nadadores abriram o revezamento com tempos melhores que o do brasileiro. Para conquistar uma medalha nos 100m livre, estava claro que ele precisaria mostrar algo a mais.
Na semifinal da prova individual, Cielo terminou na quinta posição na primeira série. Depois de nadar, deu entrevista chorando para a televisão, já se considerando fora da final, dizendo que a partir dali era se concentrar para os 50m.
No entanto, na segunda semifinal, favoritos como o italiano Filippo Magnini e o canadense Brent Hayden (então campeões mundiais) não nadaram bem e Cielo entrou entre os 8. Na final, a exemplo do Mundial de Melbourne, mostrou personalidade e passou a primeira metade na terceira posição. Ao contrário do que vinha acontecendo na eliminatória e na semifinal, manteve a posição e conseguiu um bronze chorado. Chorado porque o americano Jason Lezak veio em sua busca nos últimos 50m, mas não o suficiente para ultrapassá-lo - na realidade, somente para chegar junto. Os dois empataram com a marca de 47.67 e dividiram o terceiro lugar (abaixo, sua reação ao ver o resultado no placar).

Agora imaginem um outro cenário, diferente por apenas uma fração de segundo, mas que poderia trazer consequências drásticas. Suponham que Cielo tivesse nadado um centésimo mais lento. Ele terminaria na quarta posição, sem medalha. Novamente um quarto lugar, raspando no bronze. O fantasma do Mundial de Melbourne voltaria a assombrá-lo. Para ele, os 50m seria a última chance de medalha. Como ele se comportaria? A pressão interna gerada seria até maior do que a de 2007 na Austrália.
Mais relaxado após o bronze, o que vimos depois daquilo foi o Cielo que conhecemos hoje. Bateu três vezes o recorde olímpico dos 50m para conquistar a primeira medalha de ouro da história olímpica da natação brasileira. E dali partiu para vôos ainda mais altos.
Não é a toa que ele próprio considera sua medalha mais importante aquele bronze nos 100m livre. Foi a transformação de menino em homem. Se a medalha não tivesse saído, talvez a dos 50m também não tivesse acontecido. O caso emblemático foi o do australiano Eamon Sullivan: recordista mundial dos 50m e 100m livre, perdeu o ouro nos 100m para o francês Alain Bernard após ter feito um incrível 47.05 na semifinal da prova. Isso o estraçalhou emocionalmente. Consequência: nos 50m, favoritíssimo, não foi nem sombra do recordista mundial que era e sequer conseguiu medalha. Pelo contrário, o bronze de Cielo o fortaleceu mentalmente para ir em busca da vitória nos 50m.
Por isso, o centésimo que poderia ter feito Cielo ter perdido o bronze nos 100m livre não mudou apenas a vida dele: mudou a história da natação brasileira.
Em 1988, o surinamês Anthony Nesty superou o favorito americano Matt Biondi na final dos 100m borboleta nas Olimpíadas de Seul pela diferença mínima. É até hoje o único atleta de seu país a subir no lugar mais alto do pódio olímpico, e também o único negro a conquistar um ouro individual na natação.
O americano Gary Hall Jr venceu os 50m livre sobre o croata Duje Draganja por um centésimo em 2004, e quatro anos antes havia empatado na primeira colocação com o compatriota Anthony Ervin! Em ambas as situações, uma unha mais curta e ele poderia não ter nenhum ouro olímpico individual.
O caso mais recente é a vitória de Michael Phelps sobre Mirolad Cavic nos 100m borboleta em Pequim/2008. Tivesse o americano ficado com a prata, ele não teria superado a performance de Mark Spitz de sete ouros de 1972, e talvez ainda não seria considerado o maior da história (para muitos, vale mais disputar sete provas e ganhar todas do que disputar oito e perder uma).

Mas famos falar aqui de um caso no qual um centésimo poderia ter mudado radicalmente a situação da nossa natação nos dias de hoje.
No Mundial de Melbourne, em 2007, César Cielo surpreendeu ao assumir a ponta na primeira metade na final dos 100m livre, nadando na raia 1, na frente de favoritos como Filippo Magnini, Pieter Hoogenband e Roland Schoeman. Manteve a liderança até 15 metros para o final, mas ficou fora do pódio por quatro centésimos. O Brasil não conquistava medalhas em Mundiais de longa fazia 13 anos, e nesse período jamais havia chegado tão perto.
A decepção de Cielo após a prova era evidente. O fato fez com que ele criasse uma pressão sobre si próprio para os 50m livre, sua melhor prova. Se ficou em quarto nos 100m, poderia fazer melhor na prova mais curta. Mas, apesar de ter batido o recorde sul-americano na semifinal, não nadou bem a final, fruto dessa pressão interna. Afinal, após ter passado tão perto nos 100m, era sua última chance real de medalha. Após a prova, sentido, desabou em lágrimas ainda na piscina (foto abaixo).

Por pouco, a mesma história não se repetiu nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Cielo iniciou sua participação abrindo o revezamento 4x100m livre para 47.91. Um ótimo tempo, melhorando seu recorde sul-americano e nadando pela primeira vez na casa dos 47s. Mas na final da mesma prova, nada menos que quatro nadadores abriram o revezamento com tempos melhores que o do brasileiro. Para conquistar uma medalha nos 100m livre, estava claro que ele precisaria mostrar algo a mais.
Na semifinal da prova individual, Cielo terminou na quinta posição na primeira série. Depois de nadar, deu entrevista chorando para a televisão, já se considerando fora da final, dizendo que a partir dali era se concentrar para os 50m.
No entanto, na segunda semifinal, favoritos como o italiano Filippo Magnini e o canadense Brent Hayden (então campeões mundiais) não nadaram bem e Cielo entrou entre os 8. Na final, a exemplo do Mundial de Melbourne, mostrou personalidade e passou a primeira metade na terceira posição. Ao contrário do que vinha acontecendo na eliminatória e na semifinal, manteve a posição e conseguiu um bronze chorado. Chorado porque o americano Jason Lezak veio em sua busca nos últimos 50m, mas não o suficiente para ultrapassá-lo - na realidade, somente para chegar junto. Os dois empataram com a marca de 47.67 e dividiram o terceiro lugar (abaixo, sua reação ao ver o resultado no placar).

Agora imaginem um outro cenário, diferente por apenas uma fração de segundo, mas que poderia trazer consequências drásticas. Suponham que Cielo tivesse nadado um centésimo mais lento. Ele terminaria na quarta posição, sem medalha. Novamente um quarto lugar, raspando no bronze. O fantasma do Mundial de Melbourne voltaria a assombrá-lo. Para ele, os 50m seria a última chance de medalha. Como ele se comportaria? A pressão interna gerada seria até maior do que a de 2007 na Austrália.
Mais relaxado após o bronze, o que vimos depois daquilo foi o Cielo que conhecemos hoje. Bateu três vezes o recorde olímpico dos 50m para conquistar a primeira medalha de ouro da história olímpica da natação brasileira. E dali partiu para vôos ainda mais altos.
Não é a toa que ele próprio considera sua medalha mais importante aquele bronze nos 100m livre. Foi a transformação de menino em homem. Se a medalha não tivesse saído, talvez a dos 50m também não tivesse acontecido. O caso emblemático foi o do australiano Eamon Sullivan: recordista mundial dos 50m e 100m livre, perdeu o ouro nos 100m para o francês Alain Bernard após ter feito um incrível 47.05 na semifinal da prova. Isso o estraçalhou emocionalmente. Consequência: nos 50m, favoritíssimo, não foi nem sombra do recordista mundial que era e sequer conseguiu medalha. Pelo contrário, o bronze de Cielo o fortaleceu mentalmente para ir em busca da vitória nos 50m.
Por isso, o centésimo que poderia ter feito Cielo ter perdido o bronze nos 100m livre não mudou apenas a vida dele: mudou a história da natação brasileira.

Acredite se quiser
Autor: dtakata
"Nunca é tarde para aprender a tocar piano", já dizia a famosa frase motivacional das "Dicas do Windows".
Agora, um exemplo análogo no mundo da natação:
"Quebrei a barreira do minuto nos 100m livre somente aos 16 anos" - Alain Bernard, campeão olímpico dos 100m livre.
Aos 16 anos, ele não teria sequer índice para o brasileiro juvenil. Nove anos depois, ele seria recordista mundial e campeão olímpico da prova nobre da natação.
Para quem anda desanimado com seus resultados: nunca é tarde para nada!
Agora, um exemplo análogo no mundo da natação:
"Quebrei a barreira do minuto nos 100m livre somente aos 16 anos" - Alain Bernard, campeão olímpico dos 100m livre.
Aos 16 anos, ele não teria sequer índice para o brasileiro juvenil. Nove anos depois, ele seria recordista mundial e campeão olímpico da prova nobre da natação.
Para quem anda desanimado com seus resultados: nunca é tarde para nada!

A maior da história!
Autor: dtakata

Como todos sabem, o Troféu Maria Lenk deste ano se inicia na próxima segunda-feira, 3 de maio, na famigerada piscina da Unisanta em Santos, pela primeira vez com disputa das famigeradas semifinais nas provas de 50m e 100m, e é a última famigerada seletiva para o Pan-Pacífico. Também é uma das seletivas para o Torneio das 4 Nações, que será realizado em agosto em Victoria (Canadá).
Essas polêmicas vocês já acompanharam, tanto neste blog quanto em diversos outros veículos de comunicação. Aliás, conversei com alguns atletas de seleção brasileira e eles não estão NADA satisfeitos com todas as lambanças que a CBDA vem fazendo.
Mas vamos voltar finalmente a falar de coisas boas, os atletas. Estes sim, os responsáveis pelo espetáculo, por mais que nossos dirigentes tentem estragá-lo até o último minuto.
Até 2006, o Troféu Maria Lenk era chamado de Troféu Brasil, e teve seu nome mudado em homenagem ao falecimento da pioneira da natação brasileira, em 2007. É a principal competição do calendário nacional e a mais tradicional, sempre disputada em piscina de 50m.
No ano passado, Joanna Maranhão conquistou quatro medalhas de ouro individuais (nos 400m livre, foi superada pela chilena Kirstel Kobrich, mas levou o ouro entre as brasileiras), assim como em 2008 e 2005. Thiago Pereira havia levado quatro douradas em 2008, igualando seu feito de 2007. Antes deles, Fabiola Molina havia sido a última com quatro vitórias, em 1999, e antes dela Rogério Romero, em 1995.
Mas o maior vencedor em uma edição do Troféu é Djan Madruga. No Troféu Brasil de 1979, ele conquistou nada menos que 12 - sim, 12! - medalhas de ouro, 9 delas individuais! Acompanhem: 100m, 200m, 400m e 1500m livre, 100m e 200m borbo, 200m costas e 200m e 400m medley, além de três revezamentos.

Djan Madruga
Rogério Romero é o atleta que tem a maior invencibilidade da história da competição: entre 1988 e 1998, conquistou 12 vitórias consecutivas nos 200m costas (em 1994 foram realizados dois Troféus Brasil, além do Troféu José Finkel).
O nadador que pode se aproximar da marca de Piu este ano é Thiago Pereira. Recém contratado pelo Corinthians, ele deve disputar a competição pelo seu antigo clube, Minas Tênis Clube, por força do contrato. Ele está invicto nos 400m medley desde 2003. No ano passado, afetado por uma contusão na mão que atrapalhou os treinamentos, não nadou todas as provas que estava inscrito e só venceu os 400m medley, como se quisesse manter a invencibilidade! Ou seja, são sete vitórias consecutivas.

Thiago Pereira
Fabiola Molina, por outro lado, jamais perdeu os 50m costas para nadadoras brasileiras desde 1999. Em 2005 ela chegou atrás da sueca Therese Alshammar e em 2003 atrás da uruguaia Serrana Fernandez. Ou seja, em termos de campeonatos brasileiros absolutos (afinal, os atletas brasileiros que só perdem de estrangeiros também recebem a medalha de ouro), Fabiola tem 11 vitórias seguidas na prova, e este ano pode igualar o recorde de Rogério Romero! - e isso que os 50m costas não eram disputados antes de 1999...
Ao apurar essa informação, nos deparamos com outra igualmente impressionante. Fabiola apareceu no cenário nacional absoluto em 1991, quando no Troféu Brasil conquistou vaga para o Pan de Havana. Mas sua primeira vitória na competição viria apenas em 1992, e de lá pra cá não parou mais (exceto por uma interrupção em 1997, quando ela não disputou). São nada menos que 41 vitórias individuais! Desconsiderando as derrotas para nadadoras estrangeiras, são 45 títulos nacionais absolutos, somente em Troféus Brasil! Confiram a lista:
1992: 100m costas e 200m e 400m medley
1993: 100m costas e 200m e 400m medley
1994: 100m e 200m costas (ambas atrás da então russa Nina Zhivanevskaya) e 200m e 400m medley
1994(2): 100m e 200m costas e 400m medley
1995: 100m costas e 200m e 400m medley
1996: 200m e 400m medley
1998: 100m e 200m costas e 200m e 400m medley
1999: 50m, 100m e 200m costas e 400m medley
2000: 50m e 200m costas
2001: 50m, 100m e 200m costas
2002: 50m costas
2003: 50m costas (atrás da uruguaia Serrana Fernandez)
2004: 100m borbo e 50m costas
2005: 50m costas (atrás da sueca Therese Alshammar) e 100m costas
2006: 50m e 100m costas
2007: 50m e 100m costas
2008: 50m e 100m costas
2009: 50m e 100m costas
Conforme já apurado por este blog, ela contabiliza 40 vitórias no outro brasileiro absoluto, o Troféu José Finkel (confiram aqui). No Open, também brasileiro absoluto, este disputado a partir de 2005, ela tem 8 medalhas de ouro individuais. Com isso, Fabiola Molina já foi campeã brasileira absoluta 93 vezes!
93 VEZES CAMPEÃ BRASILEIRA ABSOLUTA!
No ritmo atual, logo ela chegará à 100ª vitória! Certamente ninguém tem tantas conquistas. Em Troféus Brasil/Maria Lenk, pode-se averiguar se Djan Madruga tem tantas conquistas como ela, mas isso dificilmente ocorreu.
Uma coisa podemos afirmar: Fabiola Molina, a maior campeã brasileira da história!

Agradecimentos especiais à própria Fabiola, que gentilmente nos passou algumas das informações publicadas aqui.
Spitz sexagenário
Autor: dtakata

Quando eu era (bem) mais jovem, no alto da sabedoria dos meus 10 anos de idade, ouvia falar das façanhas de Mark Spitz, com seus sete ouros e sete recordes mundiais nas Olimpíadas de 1972, e pensava: "nunca ninguém vai igualar esse cara!". Na Olimpíada de 1992, assisti ninguém conquistar mais que duas medalhas de ouro individuais, e a esperança por um novo Spitz se esvaia. Ou melhor, Krisztina Egerszegi venceu três provas, mas ela era húngara. "A Hungria não tem revezamentos. Para alguém conquistar sete ouros, tem que ser americano", pensava. Mas mesmo assim, sete recordes mundiais era impossível!
Aspirantes à façanha de Spitz não faltaram. O primeiro foi o americano Matt Biondi, que em Seul/1988 levou sete medalhas, mas "somente" cinco de ouro. O australiano Michael Klim foi sete vezes medalhista no Mundial de 1998, mas não se arriscou em sete provas nos Jogos de 2000. Seu compatriota Ian Thorpe, seis ouros no Mundial de 2001 em sete provas, também nunca nadou sete provas em Olimpíadas.
Mas no início da década surgiu Michael Phelps, e o resto da história todos conhecem. Quatro ouros no Mundial de 2003, seis ouros nos Jogos Olímpicos de 2004, sete ouros no Mundial de 2007 e, finalmente, oito ouros na Olimpíada de 2008, com sete recordes mundiais.
Spitz foi colocado um degrau abaixo na escala dos maiores nadadores da história. Mas é inegável que seu feito de 1972 estabeleceu um (alto) parâmetro para os nadadores das décadas seguintes.
Não existe melhor dia para relembrar sua trajetória do que hoje, dia de seu 60º aniversário. Acompanhe abaxo fatos e feitos daquele que hoje é considerado o segundo maior nadador da história.
- Mark Andrew Spitz nasceu no dia 10 de fevereiro de 1950, filho de Arnold e Lenore Smith Spitz. Ironicamente, sua cidade natal chama-se Modesto, na California. Modéstia seria uma característica que definitivamente não o acompanharia em sua carreira...
- Em sua juventude, Spitz não se cansava de vencer competições e quebrar recordes. Antes de completar 11 anos, já tinha 17 recordes nacionais em sua faixa de idade. Em quatro anos, entre 1964 e 1968, treinando com o legendário George Haines no Santa Clara Swim Club, estabeleceu recordes nacionais da high school em todos os estilos e em todas as distâncias, um feito sem precedentes. Seu espírito competitivo certamente foi herdado de seu pai, que não queria de seu filho apenas medalhas, e sim recordes mundiais e feitos impressionantes. "Nadar não é importante: vencer é", dizia ao pequeno Mark.

- Nos Jogos Pan-Americanos de 1967, em Winnipeg (Canadá), conquistou cinco medalhas de ouro. Na época dos Jogos de 2007, no Rio de Janeiro, nos quais Thiago Pereira conquistou seis ouros, falou-se muito na imprensa que o brasileiro superou o recorde histórico de medalhas que era de Spitz em Pans. Isso NÃO é verdade. Obviamente, a imprensa brasileira, querendo encontrar um paralelo e uma possibilidade de comparação entre as várias conquistas de Thiago e os feitos do até então maior nadador da história, inventou essa bobagem. O fato é que, até 1967, a performance de Spitz era a melhor em Pans, mas foi superada logo em 1971 pelo seu compatriota Frank Heckl, com seis ouros. Portanto, Thiago em 2007 igualou o feito de Heckl. Superou sim a performance de Spitz, mas esta não representava mais nenhum recorde.
- Aos 18 anos, Spitz, arrogante e petulante, prometeu seis medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1968, no México. Não chegou nem perto e saiu de lá decepcionado. Ganhou duas medalhas de ouro (4x100m e 4x200m livre), uma de prata (100m borboleta) e uma de bronze (100m livre). A derrota mais decepcionante foi nos 200m borboleta. Ele era o recordista mundial com 2:05.7. Entretanto, na final, fez apenas 2:13.5, suficiente para o oitavo lugar. Ele também era o recordista mundial dos 100m borboleta.
- Após os Jogos de 1968, desapontado, Spitz resolveu mudar. Ao entrar na Universidade de Indiana, foi treinar com James Doc Counsilman, outra lenda da natação. Counsilman sabia mexer com a cabeça de seus atletas. Spitz chegou aos Jogos de 1972 ainda arrogante, mas muito mais confiante.
- Nos 200m borboleta, abaixou seu recorde mundial em quase um segundo. "Esta foi uma prova decisiva", analisou Peter Daland, chefe da equipe de natação americana. "Se tivesse perdido, o desastre de 1968 poderia se repetir". Uma hora depois, ajudou os EUA a vencerem o 4x100m livre com uma nova marca mundial.
- No dia seguinte, voltou à piscina para os 200m livre. Seu compatriota e rival Steve Genter havia passado por uma pequena cirurgia no pulmão quinze dias antes, e Spitz o aconselhou a desistir da prova. Segundo Spitz, sua sugestão visava apenas preservar a saúde do colega. Segundo Genter, era parte de uma guerra psicológica. Spitz conseguiu a terceira vitória e o terceiro recorde mundial, alcançando Genter nos 50 metros finais. Dois dias depois, mais duas marcas mundiais: 100m borboleta e 4x200m livre.

- Spitz já tinha cinco medalhas de ouro. Era, até então, o maior vencedor na natação em uma edição dos Jogos. Se conquistasse a sexta, seria o maior vencedor em todos os esportes. E o sexto ouro estava praticamente assegurado, já que ele, como vencedor dos 100m borboleta, tinha assegurada uma vaga no revezamento 4x100m medley. Por isso, Spitz pensava em desistir dos 100m livre, pois seu compatriota Jerry Heidenreich representava uma séria ameaça. Na cabeça de Spitz, era melhor disputar quatro provas e vencer todas do que nadar sete provas e vencer “apenas” seis. Quando ouviu os rumores de que Spitz pensava em desistir dos 100m livre, seu antigo técnico, Scherman Chavoor, que estava em Munique como técnico do time feminino dos EUA, correu para vê-lo. Disse: "Você pode ter cinco ou sete medalhas, mas não seis. Porque se não nadar os 100m livre, não vai disputar o revezamento 4x100m também". E prosseguiu, atingindo o ponto fraco de Spitz: "Se desistir agora, vão dizer que você está com medo, que você é um galinha”. Ser chamado de galinha era demais. Spitz nadou os 100m livre e venceu com recorde mundial, feito repetido no 4x100m medley, seu sétimo ouro e sétimo recorde mundial.
- Spitz retornou aos EUA como herói, como celebridade. Mostrou que sabia explorar sua imagem. Virou capa de revistas, viu seus encontros com a namorada virarem tema de reportagem, bateu recordes de audiência na TV ao raspar o famoso bigode diante das câmeras. Foi ainda um dos primeiros atletas a cobrar para dar palestras e ganhou um programa de televisão com o comediante Bob Hope.
- Se retirou do esporte em 1972, depois de 33 recordes mundiais e 38 recordes americanos. Formado em ortodontia, nunca chegou a exercer a profissão, e sempre ganhou a vida em eventos e palestras motivacionais, além dos inúmeros contratos de patrocínio. Voltou a nadar em 1991 para tentar fazer parte do time olímpico americano de 1992 nos 100 borboleta. Mas tudo não passou de mais uma peça de marketing. Na piscina, mostrou que não podia mais enfrentar a garotada, e sequer conseguiu índice para disputar a seletiva americana.

Uma vez atleta, sempre atleta
Autor: dtakata
Uma bela surpresa no Campeonato Carioca Junior-Senior que está sendo realizado no Botafogo foi ver Mariana Moraes Rangel nadando as provas de fundo. Mas alguns, principalmente os mais novos, podem se perguntar: quem é ela?
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Para comparar e comprovar!
Autor: dtakata
Muito se falou na qualidade dos fundamentos de César Cielo durante as disputas do último Mundial de Roma. Sua saída já é tida como uma das melhores do mundo. Seu tempo de reação no bloco de partida de 0.64 na semifinal dos 100m livre foi o melhor de toda a seleção brasileira na competição, e seus tempos de reação tanto na final dos 50m quanto na final dos 100m foram os melhores dentre os finalistas.
Além de Cielo, outro brasileiro também tem uma das saídas mais rápidqs do mundo. Gabriel Mangabeira, que nadou os 100m borboleta, teve nas eliminatórias da prova 0.65 de reação, o segundo melhor da seleção brasileira.
E essa qualidade de Manga não é de hoje. Desde quando nadava nas categorias inferiores, se destava pela sua saída. A imagem abaixo, da saída dos 50m borbo do Troféu José Finkel de 2000, comprova isso (agradecimentos a Julian Romero pela foto). Ele é o da raia 5:

E a foto abaixo, das eliminatórias dos 100m borbo em Roma, não deixa nenhuma dúvida. Não dá pra ser melhor em tudo, não é mesmo Phelps?
Além de Cielo, outro brasileiro também tem uma das saídas mais rápidqs do mundo. Gabriel Mangabeira, que nadou os 100m borboleta, teve nas eliminatórias da prova 0.65 de reação, o segundo melhor da seleção brasileira.
E essa qualidade de Manga não é de hoje. Desde quando nadava nas categorias inferiores, se destava pela sua saída. A imagem abaixo, da saída dos 50m borbo do Troféu José Finkel de 2000, comprova isso (agradecimentos a Julian Romero pela foto). Ele é o da raia 5:

E a foto abaixo, das eliminatórias dos 100m borbo em Roma, não deixa nenhuma dúvida. Não dá pra ser melhor em tudo, não é mesmo Phelps?
