Um grande clássico da natação: Popov x Hall

Autor: dtakata

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Nos últimos tempos, assim como em toda sua história, a natação mundial viu surgir grandes rivalidades. Alguns exemplos: Michael Phelps x Ian Crocker, Ian Thorpe x Pieter Hoogenband, Aaron Peirsol x Ryan Lochte, Kosuke Kitajima x Brendan Hansen. Disputas que indiscutivelmente só aumentavam o nível das competições e faziam subir a audiência em suas provas.

No entanto, nenhuma delas chegou ao nível da rivalidade de Alexander Popov e Gary Hall Jr (na foto acima, ambos após os 100m livre no Mundial de 1994). Ao contrário das outras citadas, esta ultrapassava os limites das bordas das piscinas. As trocas de farpas entre os dois antes e depois das competições eram notórias. Certa vez, Popov disse que Hall nunca seria campeão olímpico pois vinha de uma família de perdedores (o pai de Hall chegou a ser recordista mundial, mas em Olimpíada no máximo foi prata). O americano, por sua vez, mandou o russo aprender o hino dos Estados Unidos para cantar no pódio, "pois é isso que o público olímpico vai ouvir daqui pra frente".

Vejam abaixo um vídeo, dividido em duas partes, retirado do filme oficial dos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), que conta um pouco da história dessa rivalidade. Muito interessante os comentários dos dois nadadores, além do pai de Hall e do saudoso técnico americano Richard Quick. Imperdível!







Algumas curiosidades daquela Olimpíada:

- Antes de 1996, somente Popov e o americano Matt Biondi haviam nadado os 100m livre abaixo de 49 segundos. Em Atlanta, Hall conseguiu o feito nas eliminatórias (48.90) e melhorou um pouco mais na final (48.81). Popov, por sua vez, incrivelmente marcou exatamente o mesmo tempo nas eliminatórias e na final: 48.74 (foi a última Olimpíada sem disputa de semifinais).

- No vídeo, Richard Quick comenta sobre o início alucinante de Hall no revezamento 4x100m livre. Não é para menos. Sua parcial de 47.45 foi a melhor da história naquele momento. E ele completou os primeiros 50m em 21.87! Lembrando que o recorde mundial dos 50m livre na época era 21.80! Claro que a saída livre ajuda, mas virar a primeira metade da prova, com o tempo marcado no pé, apenas 7 centésimos acima do recorde mundial foi um feito impressionante!

- Na narração, Álvaro José diz "nos últimos oito revezamentos medley, os Estados Unidos bateram ou mantiveram seus recordes mundiais". A frase mal-formulada quer na verdade dizer o seguinte: em todas as vezes que o revezamento 4x100m medley foi disputado em Olimpíadas, a equipe masculina americana bateu o recorde mundial (exceto em 1992, quand os americanos não superaram a marca, "somente" a igualaram). Um feito que dura até hoje.

- Em um incidente bastante conhecido, logo após a Olimpíada Popov foi esfaqueado por um vendedor de melancias em uma feira em Moscou e esteve à beira da morte, mas se recuperou totalmente. Hall, então, enviou de presente para o russo que estava internado uma boneca com uma melancia em uma mão e uma faca na outra. "Só queria deixá-lo com algumas feridas", disse o americano na época.

- Ambos Popov e Hall disputaram sua última Olimpíada em Atenas/2004. Em número de medalhas olímpicas, vantagem para Hall: dez contra nove. Em termos de medalhas de ouro, novamente o americano ganha por uma: cinco contra quatro. Mas todas as vitórias do russo foram em provas individuais, contra apenas duas do rival. No confronto direto individual, três vitórias para Popov (50m e 100m livre em 1996 e 100m livre em 2000) e duas para Hall (50m livre em 2000 e 2004).

- Já que estamos falando de Atlanta/1996, é bom lembrar que naquela Olimpíada a maior vencedora foi a americana Amy van Dyken, com quatro ouros, sendo dois individuais. Com três vtórias individuais, a irlandesa Michelle Smith. No masculino, os russos Popov e Denis Pankratov e o neo-zelandês Danyon Loader foram vencedores de duas provas individuais cada. Mas somente um nadador, no masculino, conseguiu três medalhas de ouro, em um feito pouco lembrado. Tem que ser caveira para saber o nome desse atleta! Alguém se arrisca?

Como Pablo Morales chegou lá

Autor: dtakata

Pablo Morales foi um dos maiores nadadores americanos de todos os tempos. Sua jornada para alcançar tal distinção, no entanto, foi árdua. Mais do que as dificuldades usuais que qualquer atleta enfrenta para chegar ao topo, Morales enfrentou perdas e decepções que fariam muitos desistirem. Ele, pelo contrário, encontrou nas frustrações a motivação necessária para se tornar o número um.

Seu primeiro grande feito na natação aconteceu na Seletiva Olímpica Americana de 1984, quando se tornou o primeiro nadador do mundo a nadar os 100m borboleta abaixo de 54 segundos. Também era um dos melhores do mundo nos 200m borbo e 200m medley, mas os 100m era sua prova favorita.

Em Los Angeles, na final olímpica dos 100m borboleta, Morales enfrentaria Michael Gross, da Alemanha Ocidental, conhecido como Albatroz pela sua grande envergadura. Apesar de Gross ser o recordista mundial dos 200m borbo e de já ter vencido os 200m livre naquela Olimpíada também com nova marca do mundo, o favorito era mesmo Morales, mais explosivo na piscina que o alemão.

A prova foi alucinante do início ao fim. Como esperado, empurrado pela torcida americana, Morales saiu na frente. No entanto, Gross conseguiu a vitória nas últimas braçadas.

“Toquei a borda e depois olhei para o placar eletrônico e vi 53.08 contra 53.23. Não havia percebido que tinha ganho. Estava feliz com o tempo, e aí então percebi que ganhara batendo o recorde mundial. Foi surpreendente para mim. Acho que para o público também, porque Pablo era o detentor do recorde mundial. Pablo estava muito desapontado e chorando muito, sem entender bem o que tinha acontecido. Disse para ele que naquela situação ele deveria ficar satisfeito porque havia dado o máximo de si. Ele nadou muito bem, mas eu fui mais rápido. Não havia razão para ele chorar”, disse o Albatroz.

Mesmo tendo melhorado muito seu tempo, isso não foi consolo para Morales. Sua desolação é evidente no vídeo da prova. Acompanhe abaixo a prova que arrepiou todo o mundo na época.



O baque foi muito grande para o americano. Ele ainda nadaria em alto nível nos quatro anos seguintes e conquistaria quase tudo: ouros em Pan-Pacífico, Campeonato Mundial e recorde mundial da prova em 1986, com 52.84 (que duraria nove anos). Mas o fantasma de Michael Gross ainda o assombrava. Tanto que, na Seletiva Olímpica Americana para a Olimpíada de 1988, ele terminou a prova em 3º lugar e não se garantiu na seleção de seu país. O recordista mundial sequer viajou para Seul para tentar se redimir da derrota de quatro anos antes.

O fato de ter dominado os 100m borboleta de 1984 a 1988 fez com que seu fracasso tomasse proporções maiores. No dia da final olímpica de sua especialidade, ele não conseguiu assistir a prova pela televisão. Devastado emocionalmente, abandonou a natação para se dedicar ao curso de direito na Universidade de Cornell.

Em setembro de 1991, outro golpe: sua mãe, Blanca, faleceu em decorrência de um câncer. Ela era a principal incentivadora da carreira de Morales. O fato, no entanto, significou uma reviravolta na carreira do ex-nadador. A medalha de ouro que ele não pôde oferecer a ela em 1984 e 1988 deveria ser conquistada e dedicada a ela em 1992.

Estava resolvido: ele voltaria a nadar. As dificuldades seriam enormes: fazia três anos que ele não treinava e eram poucos os que chegavam à sua idade ainda competitivos em nível olímpico (em 1992, ele estaria prestes a completar 28 anos).

Na Seletiva Olímpica Americana, em Indianápolis, seu pai segurava nas arquibancadas contra o peito uma imagem de Blanca. Morales conseguiu a classificação e voltaria aos Jogos oito anos depois, ainda como recordista mundial. Em Barcelona, no dia 27 de julho de 1992, o sonho se tornou realidade. Com o tempo de 53.32, o terceiro melhor de sua vida (atrás apenas de seu recorde mundial de 1986 e de sua performance nas Olimpíadas de 1984 contra Michael Gross), chegou apenas três centésimos à frente do polonês Rafael Szukala. Àquela altura, bem mais do que oito anos antes, Morales sabia lidar melhor com o turbilhão de emoções olímpicas. "As coisas que sonhamos nem sempre se tornam realidade", dizia. "Podemos ter uma carreira plena mesmo sem ter o ouro olímpico. Aprendi isso em 1984 e estava pronto para aprender isso novamente em 1992".

Morales finalmente havia chegado lá. "Minha mãe e eu assistíamos filmes de histórias olímpicas na televisão quando eu era criança. Ficávamos emocionados com aquelas histórias, e eu imaginava se um dia poderia ser uma daquelas pessoas. Lembrei de todas aquelas histórias quando a prova terminou. Pensava, 'queria que minha mãe estivesse aqui'. Seu espírito estava comigo. Minha hora finalmente tinha chegado".

Veja abaixo a prova que levou definitivamente Pablo Morales à galeria dos imortais.


Troféu Raia Quatro News

Autor: dtakata

Na segunda-feira, os melhores atletas do Brasil receberam seus troféus no Prêmio Brasil Olímpico. A natação está na expectativa para saber quem vencerá a eleição de melhor nadador do mundo da tradicional revista americana Swimming World. Aqui no Brasil, o site Bestswimming está organizando seu Troféu e irá eleger os melhores do ano em várias categorias da natação através de um painel de especialistas (o qual, com muita honra, fui convidado para participar).

Com essa enxurrada de prêmios, também decidimos fazer o nosso Troféu Raia Quatro News. Mas com categorias um tanto diferentes, como vocês irão notar. Grande parte faz referência a acontecimentos do Mundial de Roma, a competição mais importante do ano. Alguns vídeos distribuídos pelo texto ajudam a refrescar a memória. Uma forma de relembrar de uma maneira diferente alguns dos momentos mais marcantes do ano.


Troféu Passando no Gás - Rebecca Soni

Isso ninguém esperava da campeã olímpica! Nadando os 200m peito em Roma, Soni teve uma passagem animal de 1:05.73 nos primeiros 100m (isso que ela tinha feito 1:04.84 na final dos 100m peito), dois segundos à frente da concorrente mais próxima! Até o locutor da SporTV Luiz Carlos Junior se empolgou ao vê-la abrir mais de um corpo da linha do recorde mundial. Mas ninguém passa tão forte numa prova de 200m e sai ileso. Resultado: uma morrida histórica, um último 50m doloroso (parcial de 39.95!!!) e a perda até da medalha de bronze!




Troféu Vacilão - Caso Michael Phelps com maconha

Em fevereiro desse ano, uma imagem circulou nos principais noticiários do mundo: era Michael Phelps usando um bong, uma espécie de tubo, para fumar maconha. Alguém o flagrou em uma festa e resolveu vendê-la para um tabloide sensacionalista, trazendo grandes problemas para o nadador. O Troféu Vacilão não vai para Phelps, e sim para esse desocupado que resolveu ganhar uns trocados em cima de um momento de descontração do maior atleta da história olímpica.


Troféu Choradeira - Michael Phelps

Não, o chorão do ano não é César Cielo. Suas lágrimas comoveram o Brasil e o mundo mais uma vez, a exemplo do que aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2008. Desta vez, chorou copiosamente no topo do pódio dos 100m livre no Mundial de Roma. Mas quem leva o Troféu Choradeira é outro nadador, por motivos muito menos nobres. No ano passado, Michael Phelps era só elogios ao traje LZR da Speedo e seu ganho de flutuabilidade. Este ano, a vestimenta ultrapassada em relação aos Jakeds e Arenas. Phelps, fiel ao patrocinador, continuava usando o traje de sempre. Mas foi só tomar um couro do alemão Paul Biedermann nos 200m livre (que usava um X-Glide) no Mundial de Roma que ele resolveu abrir a boca e se contradizer todo. Após a prova, virou a cara para o alemão ainda na piscina e depois no pódio, e na coletiva de imprensa criticou veementemente os trajes tecnológicos, dizendo que a natação estava virando outro esporte. E ameaçou não competir mais até a FINA abolir os trajes. Uma postura totalmente diferente da que vinha tendo. Uma atitute totalmente anti-esportiva. Por isso, é o chorão do ano.




Troféu Falei Demais na Hora Errada - Mirolad Cavic

Cavic já havia provocado Phelps em Pequim/2008 antes dos 100m borboleta. Resultado: ouro para o americano por apenas um centésimo. No Mundial de Roma, este ano, o sérvio resolveu ir mais longe. Disse que venceria Phelps se os dois nadassem com o mesmo traje, e que poderia comprar um Arena para o americano para que os dois nadassem nas mesmas condições. Na final da prova, Cavic de Arena X-Glide e Phelps com um já ultrapassado Speedo LZR travaram uma batalha histórica. Ambos se tornaram os primeiros a nadar a prova abaixo dos 50 segundos, mas o ouro foi para Phelps, que após a vitória bateu no peito e exibiu seu traje para as câmeras, em um claro gesto de desabafo. Lição para Cavic: nunca alfinete seu adversário quando ele é melhor de todos os tempos.




Troféu Barraco - Federica Pellegrini

A musa italiana já havia vencido os 200m e 400m livre com recorde mundial. Nas eliminatórias do 4x200m livre, a equipe italiana quase não se classificou para a final. Em entrevista para uma emissora local, logo após a prova, Pellegrini alfinetou suas companheiras ao vivo, criticando a performance do revezamento na frente delas, o que certamente causou um climão na seleção italiana. Parodiando o famoso ditado, roupa suja se lava no vestiário, e não na frente de milhões de espectadores.




Troféu Chegadinha - Kirsty Coventry

A zimbabuana ainda não havia conquistado nenhuma medalha em Roma. Eis que chegou a hora de sua principal prova, os 200m costas, em que é recordista mundial e bicampeã olímpica. Quem viu a chegada da prova após uma disputa acirrada com a russa Anastasia Zueva teve a impressão de que Coventry queria mesmo era ganhar outra prata! Sua chegada foi tão ruim que a vantagem que tinha de meio corpo simplesmente sumiu e ela quase viu o ouro ir para o espaço. Não tentem fazer isso em casa e nem no treino, quanto mais em um Mundial!




Troféu With a Little Help From My Friends - Ariana Kukors

A americana havia se classificado para o Mundial de Roma para nadar apenas o revezamento 4x200m livre. Mas sua compatriota Elizabeth Pelton desistiu dos 200m medley, deixando uma vaga em aberto. Kukors foi convocada e aquela que não era nem a segunda nadadora dos Estados Unidos da prova estabeleceu um dos recordes mais impressionantes do ano. A marca, que antes de Roma era de 2:08.45 da australiana Stephanie Rice, chegou a um inacreditável 2:06.15! Uma melhora de mais de quatro segundos de seu tempo, um feito notável mesmo com os trajes hi-tech. E tudo isso com uma ajudinha de Elizabeth Pelton...




Troféu Linha do Recorde é Passado - Lin Zhang e Zige Liu

Em uma época que cansamos de ver os locutores gritando "olha a linha do recorde mundial" invariavelmente a cada final de prova, os chineses Lin Zhang e Zige Liu resolveram ignorá-la da maneira mais categórica possível. Isso porque em suas inacreditáveis performances a linha simplesmente sumiu das tomadas das câmeras! Primeiro, Zhang venceu os 800m livre no Mundial de Roma com 7:32.12, melhorando nada menos que seis segundos o recorde mundial de Grant Hackett! Isso criou grande expectativa em torno de sua performance dos 1500m, onde poderia superar outro recorde do australiano, o mais antigo da natação - no final das contas, Zhang não nadou bem a prova. Em outubro, nos Jogos Nacionais da China, Liu, campeã olímpica dos 200m borboleta, abaixou o recorde da prova da australiana Jessicah Schipper de 2:03.41 para 2:01.81, talvez a marca mais impressionante do ano, um tempo que dá canseira em muito marmanjo! O mais incrível é que ela obteve a marca com o LZR da Speedo, traje defasado em relação aos Arenas e Jakeds que dominaram a natação de alta performance este ano.




Troféu Chance Perdida - Aaron Peirsol

Apenas um nadador conquistou quatro vitórias consecutivas em Campeonatos Mundiais: o australiano Grant Hackett, nos 1500m livre, em 1998, 2001, 2003 e 2005. Em Roma, o americano Aaron Peirsol tinha a chance de igualar o feito nos 100m costas (fora campeão em 2003, 2005 e 2007). Era o favoritíssimo, pois havia acabado de bater o recorde mundial no Campeonato Americano. Na semifinal, adotou a tática que segue há tempos: nadar somente para assegurar uma vaga na final. Tática essa que já vinha se mostrando perigosa, pois o americano por vezes se classificava para a raia 2, raia 7... e dessa vez a zebra entrou na piscina, ajudada é verdade pela péssima chegada de Peirsol. Em 9º lugar, ficou de fora da final e da chance de brigar pelo ouro. Que provavelmente seria seu, pois com o tempo que abriu o revezamento 4x100m medley ele não teria dificuldades para vencer a prova.


Troféu Na Trave de Novo - Thiago Pereira

Thiago Pereira a cada ano chega cada vez mais perto. Mas ainda não conseguiu uma medalha em uma das principais competições internacionais. Acompanhe o retrospecto: 5º lugar nas Olimpíadas de Atenas/2004, 4º lugar no Mundial de Melbourne/2007 e 4º lugar nas olimpíadas de Pequim/2008, sempre nos 200m medley. Se fosse roteiro de filme, muitos diriam ser inverossímil. Mas Thiago novamente repetiu o quarto lugar em Roma. Não só uma, mas duas vezes (também nos 400m medley). E de maneira ainda mais dramática nos 200m: virou para os últimos 50 metros brigando pelo primeiro lugar e terminou fora do pódio por 19 centésimos. Após o Mundial, Thiago se mudou para os Estados Unidos, onde está treinando desde agosto. Tudo isso para assegurar que o filme tenha um final feliz em Londres/2012.




Troféu Mala do Ano - Craig Lord

Que os trajes tecnológicos mudaram a natação mundial, ninguém pode negar. Para o bem ou para o mal, todos tem suas opiniões. Mas Craig Lord, da Swimnews, um dos jornalistas especializados em natação mais respeitados do mundo, exagerou. Sua implicância com os resultados obtidos por nadadores trajando Arenas e Jakeds deu no saco! Em cada texto publicado, qualquer que fosse o assunto, sempre alfinetadas nos trajes e mesmo nos nadadores que os utilizavam, como se eles tivessem alguma culpa. Ele encheu tanto a paciência que Brett Hawke, treinador de César Cielo, chegou a enviar uma carta a Lord em resposta a um texto que ele criticava Fred Bousquet, outro pupilo de Hawke, por ter conseguido grandes resultados usando um Jaked! Sempre com opiniões polêmicas, este ano Craig Lord passou dos limites.


Troféu Me Dei Bem - Ryan Lochte

Até 2007, Ryan Lochte era um eterno vice-campeão. Afinal de contas, nadava as mesmas provas de Aaron Peirsol e Michael Phelps. Foi então que no Mundial de Melbourne derrotou Peirsol nos 200m costas, vitória repetida nas Olimpíadas de Pequim. Quanto a Phelps, Lochte continuava almejando o lugar mais alto do pódio nas provas de medley. Por isso, ele deve ter respirado aliviado quando Phelps desistiu de nadar as provas de medley este ano. Lochte venceu os 200m e 400m medley em Roma, a primeira com recorde mundial. Como se não bastasse, foi escolhido pela Federação Americana como o melhor nadador de 2009, um feito conquistado nos três anos anteriores pelo maior nadador da história. Uma decisão controversa, afinal Phelps teve mais conquistas que Lochte este ano. Pesou o caso da maconha. Justo ou não, foi mais uma vitória de Lochte em um território antes dominado por Phelps.




Troféu Acabando com o Bolão - Sarah Sjöstrom

Havia muitas concorrentes ao ouro nos 100m borboleta no Mundial de Roma. A holandesa Marleen Veldhuis, a australiana Jessicah Schipper, a americana Cristine Magnusson, a chinesa Liuyang Jiao e até a brasileira Gabriella Silva almejavam o lugar mais alto do pódio. Mas talvez nem os pais de Sarah Sjöstrom, 15 anos, estreante em grandes competições, apostariam na jovem sueca para medalhar, quanto mais para vencer a prova e superar o recorde mundial de 9 anos, o mais antigo da natação! Afinal, Sjöstrom não figurava nem entre as 20 primeiras do ranking mundial e era um nome desconhecido na natação internacional. Se alguém apostou em seu nome em alguma bolsa de apostas, deve ter levado uma bolada!




Troféu Emoção Zero - Roby Porto e Gustavo Borges

A final dos 100m livre no Mundial de Roma fez a TV Globo abrir um espaço em sua programação para a natação, devido a presença de dois brasileiros, César Cielo e Nicolas Oliveira, e uma chance real de pódio e até de vitória. Até aí nada de novo. Em 2003, a emissora exibiu a final dos 50m borboleta no Mundial de Barcelona, uma prova não olímpica e na qual Fernando Scherer tinha poucas chances de medalha. Só que agora era diferente. Afinal de contas, Cielo acabou vencendo a prova nobre da natação com recorde mundial. Mas quem é leigo na natação e estava ligado na Globo naquele horário ficou com a impressão de que isso era a coisa mais normal do mundo, dada a emoção nula do narrador Roby Porto. Gustavo Borges como comentarista também não ajuda. Quem assistiu na SporTV, com Luiz Carlos Jr na naração e Coach Alexandre Pussieldi nos comentários, pôde sentir a diferença.


A revolução das golfinhadas

Autor: dtakata

O russo Denis Pankratov foi um dos grandes nadadores do final do século passado. Talvez tivesse ficado mais famoso se não tivesse sido contemporâneo de seu compatriota Alexander Popov. Mas, se não foi uma máquina de bater recordes e não ficou no topo por muito tempo, foi autor de feitos impressionantes.

No Campeonato Europeu de Viena, em 1995, bateu o recorde mundial dos 100m borboleta, o mais antigo masculino na ocasião. O americano Pablo Morales, com seus 52.84 de 1986, era o único homem do mundo a nadar abaixo de 53s. Pankratov assombrou o mundo ao nadar para 52.32. Nos Jogos Olímpicos de 1996, abaixou o recorde em cinco centésimos. Foi também recordista mundial e campeão olímpico dos 200m borboleta.

Além de sua velocidade, Pankratov chamava a atenção por outros dois motivos. Primeiro, utilizava a respiração lateral no borboleta, o que fez aparecer uma série de nadadores seguindo sua moda nos anos seguintes, tendência essa que logo desapareceu. Além disso, possuia um nado submerso impressionante. Tanto que se aproveitava de ondulações por cerca de 30m após a saída!

O vídeo abaixo é da final olímpica dos 100m borboleta em Atlanta/1996. Reparem que, após a saída, todos os nadadores já executaram cerca de seis-sete braçadas e Pankratov ainda aparece submerso! Vejam também que, após a virada, Pankratov ainda ondula por quase 15m, enquanto seus adversários começam a nadar na altura dos 5m. Mesmo sem nenhum limite para o nado submerso, quase ninguém aproveitava as ondulações por distâncias prolongadas. Nesse sentido, Pankratov revolucionou a natação mundial. Foi a partir dele que se começou a prestar mais atenção nas vantagens das golfinhadas após saídas e viradas.

A partir da final olímpica dos 100m borboleta de 1996, a FINA começou a considerar seriamente a possibilidade de limitar o nado submerso para 15m depois de saídas e viradas, o que virou regra a partir de 1998. No nado de costas, uma polêmica parecida aconteceu após a final olímpica de 1988, que também ocasionou a limitação de ondulações. Mas isso é assunto para outro post...


A primeira do Thorpedo

Autor: dtakata

No Mundial de Perth, em 1998, o australiano Ian Thorpe se tornou o mais jovem campeão mundial da história da natação, aos 15 anos, ao derrotar o compatriota Grant Hackett nos 400m livre em uma prova praticamente perdida. Foi sua primeira vitória internacional, a primeira das inúmeras que o tornaram um mito.

Durante muito tempo quis assistir essa prova. Até que uma boa alma colocou o vídeo este ano no Youtube, o qual posto abaixo. Tudo que nos acostumamos a ver no Throrpedo está lá: o estilo perfeito, a estratégia de prova impecável, a pernada infalível. Quer dizer, quase tudo: só faltou o tradicional body suit preto, afinal estávamos em uma época remota em que as sungas ainda dominavam a natação!