Arquivo de January 2010
Rumo ao tri
Autor: dtakata

O japonês Kosuke Kitajima, bicampeão olímpico dos 100m e 200m peito, foi notícia na última semana depois de vencer as 100 jardas de peito no GP de Long Beach. Kitajima derrotou Michael Phelps, que terminou em 5º lugar. O japonês não disputa uma competição importante desde os Jogos Olímpicoas de Pequim. Nesse período, tirou longas férias, foi treinar nos Estados Unidos e aos poucos voltou às competições. Seu principal e único objetivo é conquistar o tricampeonato nas provas de peito nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
Assim, ele almeja ser o primeiro nadador no masculino a conquistar um tricampeonato olímpico. Muitos já tentaram, mas na natação esse é um feito conquistado apenas por mulheres. A australiana Dawn Fraser venceu os 100m livre em 1956, 1960 e 1964, e a húngara Krisztina Egerszegi foi campeã dos 200m costas em 1988, 1992 e 1996.
Outros dois nadadores também podem conquistar três vitórias olímpicas seguidas em 2012. Michael Phelps é o que tem mais chances: é o atual bicampeão dos 200m e 400m medley e 100m e 200m borboleta. Ele já declarou que pretende abandonar os 400m medley, mas no GP de Long Beach surpreendeu e nadou as 400 jardas medley, vencendo com um tempo bem próximo de seu melhor. Seu programa de provas para Londres ainda é uma incógnita, já que ele pode querer investir em provas de velocidade, de livre e de costas. Até mesmo os 200m medley não são uma certeza. 100m e 200m borbo parece garantido que ele nade. O outro aspirante a tricampeão é Aaron Peirsol, nos 100m costas.

O site Swimnews.com montou o panorama dos potenciais tricampeões em Londres/2012, baseado no programa de provas de Pequim/2008. Quem será que consegue primeiro?
Dia 1: Phelps nos 400m medley, caso ele volte a nadar a prova.
Dia 2: Kitajima nos 100m peito.
Dia 3: Peirsol nos 100m costas.
Dia 4: Phelps nos 200m borbo, talvez a conquista mais provável pelo cenário de hoje.
Dia 5: Kitajima nos 200m peito.
Dia 6: Phelps nos 200m medley.
Dia 7: Phelps nos 100m borbo.
Na natação masculina, são precisamente 17 nadadores que conquistaram bicampeonatos olímpicos, mas que por motivos variados não conseguiram repetir as conquistas três vezes. Confira abaixo quem são eles e o que os impediu se se tornarem tri:
50m livre: Alexander Popov, RUS (1992, 1996)
Tentou o tricampeonato em 2000, meses depois de ter batido o recorde mundial da prova, mas terminou apenas na sexta posição. Também nadou em 2004, mas não passou das eliminatórias.
50m livre: Gary Hall Jr, USA (2000, 2004)
Foi medalha de prata na prova em 1996. O sonho do tri não passou da Seletiva Olímpica Americana de 2008, quando não se classificou para a equipe que disputaria os Jogos de Pequim.
100m livre: Duke Kahanamoku, USA (1912, 1920)
A lenda havaiana certamente seria tricampeã se os Jogos de 1916 não tivessem sido adiados pela Primeira Guerra Mundial. Em 1924, era um dos favoritos, mas nada pôde fazer contra a força de Johnny Weissmuller.
100m livre: Johnny Weissmuller, USA (1924, 1928)
Primeiro homem a nadar abaixo do minuto, Weissmuller se preparava para os Jogos de 1932 quando recebeu uma proposta para anunciar trajes de banho. Ao aceitar, encerrou a carreira de nadador, pois, renunciando a condição de amador, não poderia mais participar dos Jogos Olímpicos. Por isso, jamais tentou o tricampeonato.
100m livre: Alexander Popov, RUS (1992, 1996)
Assim como nos 50m livre, Popov teve duas oportunidades de ser tri nos 100m: em 2000, ficou com a prata atrás de Pieter van den Hoogenband. Em 2004, parou na semifinal da prova.
100m livre: Pieter van den Hoogenband, NED (2000, 2004)
Em 2008, terminou na quinta posição. Não foi tri, mas foi o único a nadar quatro finais olímpicas nos 100m livre (foi 4º lugar em 1996).
400m livre: Murray Rose, AUS (1956, 1960)
Uma lenda australiana, Rose foi o maior medalhista olímpico australiano no masculino até Ian Thorpe. Em 1964, ainda estava na ativa e poderia ter tentado o tri nos 400m livre. Mas ele estudava e treinava nos Estados Unidos e não conseguiu viajar para a Austrália para disputar a Seletiva Olímpica. Mesmo tendo ele batido o recorde mundial dos 1500m meses antes dos Jogos de Tóquio, os dirigentes australianos não abriram exceção e não o deixaram disputar a Olimpíada.
400m livre: Ian Thorpe, AUS (2000, 2004)
Em 2006, o Thorpedo australiano anunciou sua aposentadoria.
1500m livre: Mike Burton, USA (1968, 1972)
Depois de uma vitória chorada em 1972 (quase não se classificou para a Olimpíada na Seletiva Americana), se aposentou e não teve chance de mais um ouro.
1500m livre: Vladimir Salnikov, URS (1980, 1988)
É um caso semelhante ao de Duke Kahanamoku nos 100m livre: Salnikov não pôde disputar os Jogos de 1984 devido ao boicote político, e quase certamente seria tricampeão, pois na época seu domínio era indiscutível. Seul/1988 foi sua última competição.
1500m livre: Kieren Perkins, AUS (1992, 1996)
Em 1996, estava desacreditado e foi bicampeão. Em 2000, já uma lenda, estava mais desacreditado ainda, mas surpreendeu e se classificou para a Olimpíada de Sydney. Nos Jogos, não foi páreo para a juventude de Grant Hackett, terminando com a prata.
1500m livre: Grant Hackett, AUS (2000, 2004)
Chegou a Pequim/2008 como favorito e fez a segunda melhor marca da história da prova nas eliminatórias. Na final, piorou o tempo e terminou atrás do tunisiano Oussama Mellouli.
100m costas: Warren Kealoha, USA (1920, 1924)
Membro de um time havaiano que incluía Duke Kahanamoku, Keloha permaneceu praticamente invicto nos 100m costas durante sua carreira. Só perdeu uma vez, em 1926, para Johnny Weissmuller, e então resolveu se aposentar.
100m costas: David Theile, AUS (1956, 1960)
Após os Jogos de 1960, a FINA anunciou que os 100m costas não seriam disputados em 1964 para dar lugar aos 200m, em uma decisão controversa. Theile, velocista, se viu sem objetivos e decidiu encerrar a carreira. Em 1968, a FINA resolveria adotar conjuntamente os 100m e 200m costas, os quais mantêm até hoje.
100m costas: Roland Matthes, GDR (1968, 1972)
O maior nadador de costas da história, ficou invicto de 1967 a 1974. Em 1976, já estava em decadência. Tentou o tricampeonato nos 100m costas, mas não passou do terceiro lugar.
200m costas: Roland Matthes, GDR (1968, 1972)
Se nos Jogos de 1976 ele tentou o tri nos 100m costas, Matthes, já envelhecido, nem se arriscou nos 200m.
200m peito: Yoshiyuki Tsuruta (JPN) (1928, 1932)
Primeiro nadador japonês campeão olímpico, Tsuruta terminou a faculdade no mesmo ano de seu bicampeonato e resolveu seguir carreira profisssional fora das piscinas.
200m medley: Tamás Darnyi, HUN (1988, 1992)
400m medley: Tamás Darnyi, HUN (1988, 1992)
Darnyi não chegou a tentar o tricampeonato das provas de medley, pois se aposentou às vésperas do Mundial de 1994. Mas poderia ter vencido as provas em 1984, caso a Hungria não tivesse aderido ao boicote político no Jogos de Los Angeles.
400m medley: Tom Dolan, USA (1996, 2000)
Asmático, com capacidade respiratória 20% menor que a de uma pessoa normal, Dolan se desgastava muito nos treinos e resolveu se aposentar após o bi olímpico dos 400m medley. Ensaiou uma volta em 2002, visando os Jogos de 2004, disputou algumas competições, mas logo se retirou novamente.