Arquivo de December 2009
Troféu Raia Quatro News
Autor: dtakata
Na segunda-feira, os melhores atletas do Brasil receberam seus troféus no Prêmio Brasil Olímpico. A natação está na expectativa para saber quem vencerá a eleição de melhor nadador do mundo da tradicional revista americana Swimming World. Aqui no Brasil, o site Bestswimming está organizando seu Troféu e irá eleger os melhores do ano em várias categorias da natação através de um painel de especialistas (o qual, com muita honra, fui convidado para participar).
Com essa enxurrada de prêmios, também decidimos fazer o nosso Troféu Raia Quatro News. Mas com categorias um tanto diferentes, como vocês irão notar. Grande parte faz referência a acontecimentos do Mundial de Roma, a competição mais importante do ano. Alguns vídeos distribuídos pelo texto ajudam a refrescar a memória. Uma forma de relembrar de uma maneira diferente alguns dos momentos mais marcantes do ano.
Troféu Passando no Gás - Rebecca Soni
Isso ninguém esperava da campeã olímpica! Nadando os 200m peito em Roma, Soni teve uma passagem animal de 1:05.73 nos primeiros 100m (isso que ela tinha feito 1:04.84 na final dos 100m peito), dois segundos à frente da concorrente mais próxima! Até o locutor da SporTV Luiz Carlos Junior se empolgou ao vê-la abrir mais de um corpo da linha do recorde mundial. Mas ninguém passa tão forte numa prova de 200m e sai ileso. Resultado: uma morrida histórica, um último 50m doloroso (parcial de 39.95!!!) e a perda até da medalha de bronze!
Troféu Vacilão - Caso Michael Phelps com maconha
Em fevereiro desse ano, uma imagem circulou nos principais noticiários do mundo: era Michael Phelps usando um bong, uma espécie de tubo, para fumar maconha. Alguém o flagrou em uma festa e resolveu vendê-la para um tabloide sensacionalista, trazendo grandes problemas para o nadador. O Troféu Vacilão não vai para Phelps, e sim para esse desocupado que resolveu ganhar uns trocados em cima de um momento de descontração do maior atleta da história olímpica.
Troféu Choradeira - Michael Phelps
Não, o chorão do ano não é César Cielo. Suas lágrimas comoveram o Brasil e o mundo mais uma vez, a exemplo do que aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2008. Desta vez, chorou copiosamente no topo do pódio dos 100m livre no Mundial de Roma. Mas quem leva o Troféu Choradeira é outro nadador, por motivos muito menos nobres. No ano passado, Michael Phelps era só elogios ao traje LZR da Speedo e seu ganho de flutuabilidade. Este ano, a vestimenta ultrapassada em relação aos Jakeds e Arenas. Phelps, fiel ao patrocinador, continuava usando o traje de sempre. Mas foi só tomar um couro do alemão Paul Biedermann nos 200m livre (que usava um X-Glide) no Mundial de Roma que ele resolveu abrir a boca e se contradizer todo. Após a prova, virou a cara para o alemão ainda na piscina e depois no pódio, e na coletiva de imprensa criticou veementemente os trajes tecnológicos, dizendo que a natação estava virando outro esporte. E ameaçou não competir mais até a FINA abolir os trajes. Uma postura totalmente diferente da que vinha tendo. Uma atitute totalmente anti-esportiva. Por isso, é o chorão do ano.
Troféu Falei Demais na Hora Errada - Mirolad Cavic
Cavic já havia provocado Phelps em Pequim/2008 antes dos 100m borboleta. Resultado: ouro para o americano por apenas um centésimo. No Mundial de Roma, este ano, o sérvio resolveu ir mais longe. Disse que venceria Phelps se os dois nadassem com o mesmo traje, e que poderia comprar um Arena para o americano para que os dois nadassem nas mesmas condições. Na final da prova, Cavic de Arena X-Glide e Phelps com um já ultrapassado Speedo LZR travaram uma batalha histórica. Ambos se tornaram os primeiros a nadar a prova abaixo dos 50 segundos, mas o ouro foi para Phelps, que após a vitória bateu no peito e exibiu seu traje para as câmeras, em um claro gesto de desabafo. Lição para Cavic: nunca alfinete seu adversário quando ele é melhor de todos os tempos.
Troféu Barraco - Federica Pellegrini
A musa italiana já havia vencido os 200m e 400m livre com recorde mundial. Nas eliminatórias do 4x200m livre, a equipe italiana quase não se classificou para a final. Em entrevista para uma emissora local, logo após a prova, Pellegrini alfinetou suas companheiras ao vivo, criticando a performance do revezamento na frente delas, o que certamente causou um climão na seleção italiana. Parodiando o famoso ditado, roupa suja se lava no vestiário, e não na frente de milhões de espectadores.
Troféu Chegadinha - Kirsty Coventry
A zimbabuana ainda não havia conquistado nenhuma medalha em Roma. Eis que chegou a hora de sua principal prova, os 200m costas, em que é recordista mundial e bicampeã olímpica. Quem viu a chegada da prova após uma disputa acirrada com a russa Anastasia Zueva teve a impressão de que Coventry queria mesmo era ganhar outra prata! Sua chegada foi tão ruim que a vantagem que tinha de meio corpo simplesmente sumiu e ela quase viu o ouro ir para o espaço. Não tentem fazer isso em casa e nem no treino, quanto mais em um Mundial!
Troféu With a Little Help From My Friends - Ariana Kukors
A americana havia se classificado para o Mundial de Roma para nadar apenas o revezamento 4x200m livre. Mas sua compatriota Elizabeth Pelton desistiu dos 200m medley, deixando uma vaga em aberto. Kukors foi convocada e aquela que não era nem a segunda nadadora dos Estados Unidos da prova estabeleceu um dos recordes mais impressionantes do ano. A marca, que antes de Roma era de 2:08.45 da australiana Stephanie Rice, chegou a um inacreditável 2:06.15! Uma melhora de mais de quatro segundos de seu tempo, um feito notável mesmo com os trajes hi-tech. E tudo isso com uma ajudinha de Elizabeth Pelton...
Troféu Linha do Recorde é Passado - Lin Zhang e Zige Liu
Em uma época que cansamos de ver os locutores gritando "olha a linha do recorde mundial" invariavelmente a cada final de prova, os chineses Lin Zhang e Zige Liu resolveram ignorá-la da maneira mais categórica possível. Isso porque em suas inacreditáveis performances a linha simplesmente sumiu das tomadas das câmeras! Primeiro, Zhang venceu os 800m livre no Mundial de Roma com 7:32.12, melhorando nada menos que seis segundos o recorde mundial de Grant Hackett! Isso criou grande expectativa em torno de sua performance dos 1500m, onde poderia superar outro recorde do australiano, o mais antigo da natação - no final das contas, Zhang não nadou bem a prova. Em outubro, nos Jogos Nacionais da China, Liu, campeã olímpica dos 200m borboleta, abaixou o recorde da prova da australiana Jessicah Schipper de 2:03.41 para 2:01.81, talvez a marca mais impressionante do ano, um tempo que dá canseira em muito marmanjo! O mais incrível é que ela obteve a marca com o LZR da Speedo, traje defasado em relação aos Arenas e Jakeds que dominaram a natação de alta performance este ano.
Troféu Chance Perdida - Aaron Peirsol
Apenas um nadador conquistou quatro vitórias consecutivas em Campeonatos Mundiais: o australiano Grant Hackett, nos 1500m livre, em 1998, 2001, 2003 e 2005. Em Roma, o americano Aaron Peirsol tinha a chance de igualar o feito nos 100m costas (fora campeão em 2003, 2005 e 2007). Era o favoritíssimo, pois havia acabado de bater o recorde mundial no Campeonato Americano. Na semifinal, adotou a tática que segue há tempos: nadar somente para assegurar uma vaga na final. Tática essa que já vinha se mostrando perigosa, pois o americano por vezes se classificava para a raia 2, raia 7... e dessa vez a zebra entrou na piscina, ajudada é verdade pela péssima chegada de Peirsol. Em 9º lugar, ficou de fora da final e da chance de brigar pelo ouro. Que provavelmente seria seu, pois com o tempo que abriu o revezamento 4x100m medley ele não teria dificuldades para vencer a prova.
Troféu Na Trave de Novo - Thiago Pereira
Thiago Pereira a cada ano chega cada vez mais perto. Mas ainda não conseguiu uma medalha em uma das principais competições internacionais. Acompanhe o retrospecto: 5º lugar nas Olimpíadas de Atenas/2004, 4º lugar no Mundial de Melbourne/2007 e 4º lugar nas olimpíadas de Pequim/2008, sempre nos 200m medley. Se fosse roteiro de filme, muitos diriam ser inverossímil. Mas Thiago novamente repetiu o quarto lugar em Roma. Não só uma, mas duas vezes (também nos 400m medley). E de maneira ainda mais dramática nos 200m: virou para os últimos 50 metros brigando pelo primeiro lugar e terminou fora do pódio por 19 centésimos. Após o Mundial, Thiago se mudou para os Estados Unidos, onde está treinando desde agosto. Tudo isso para assegurar que o filme tenha um final feliz em Londres/2012.
Troféu Mala do Ano - Craig Lord
Que os trajes tecnológicos mudaram a natação mundial, ninguém pode negar. Para o bem ou para o mal, todos tem suas opiniões. Mas Craig Lord, da Swimnews, um dos jornalistas especializados em natação mais respeitados do mundo, exagerou. Sua implicância com os resultados obtidos por nadadores trajando Arenas e Jakeds deu no saco! Em cada texto publicado, qualquer que fosse o assunto, sempre alfinetadas nos trajes e mesmo nos nadadores que os utilizavam, como se eles tivessem alguma culpa. Ele encheu tanto a paciência que Brett Hawke, treinador de César Cielo, chegou a enviar uma carta a Lord em resposta a um texto que ele criticava Fred Bousquet, outro pupilo de Hawke, por ter conseguido grandes resultados usando um Jaked! Sempre com opiniões polêmicas, este ano Craig Lord passou dos limites.
Troféu Me Dei Bem - Ryan Lochte
Até 2007, Ryan Lochte era um eterno vice-campeão. Afinal de contas, nadava as mesmas provas de Aaron Peirsol e Michael Phelps. Foi então que no Mundial de Melbourne derrotou Peirsol nos 200m costas, vitória repetida nas Olimpíadas de Pequim. Quanto a Phelps, Lochte continuava almejando o lugar mais alto do pódio nas provas de medley. Por isso, ele deve ter respirado aliviado quando Phelps desistiu de nadar as provas de medley este ano. Lochte venceu os 200m e 400m medley em Roma, a primeira com recorde mundial. Como se não bastasse, foi escolhido pela Federação Americana como o melhor nadador de 2009, um feito conquistado nos três anos anteriores pelo maior nadador da história. Uma decisão controversa, afinal Phelps teve mais conquistas que Lochte este ano. Pesou o caso da maconha. Justo ou não, foi mais uma vitória de Lochte em um território antes dominado por Phelps.
Troféu Acabando com o Bolão - Sarah Sjöstrom
Havia muitas concorrentes ao ouro nos 100m borboleta no Mundial de Roma. A holandesa Marleen Veldhuis, a australiana Jessicah Schipper, a americana Cristine Magnusson, a chinesa Liuyang Jiao e até a brasileira Gabriella Silva almejavam o lugar mais alto do pódio. Mas talvez nem os pais de Sarah Sjöstrom, 15 anos, estreante em grandes competições, apostariam na jovem sueca para medalhar, quanto mais para vencer a prova e superar o recorde mundial de 9 anos, o mais antigo da natação! Afinal, Sjöstrom não figurava nem entre as 20 primeiras do ranking mundial e era um nome desconhecido na natação internacional. Se alguém apostou em seu nome em alguma bolsa de apostas, deve ter levado uma bolada!
Troféu Emoção Zero - Roby Porto e Gustavo Borges
A final dos 100m livre no Mundial de Roma fez a TV Globo abrir um espaço em sua programação para a natação, devido a presença de dois brasileiros, César Cielo e Nicolas Oliveira, e uma chance real de pódio e até de vitória. Até aí nada de novo. Em 2003, a emissora exibiu a final dos 50m borboleta no Mundial de Barcelona, uma prova não olímpica e na qual Fernando Scherer tinha poucas chances de medalha. Só que agora era diferente. Afinal de contas, Cielo acabou vencendo a prova nobre da natação com recorde mundial. Mas quem é leigo na natação e estava ligado na Globo naquele horário ficou com a impressão de que isso era a coisa mais normal do mundo, dada a emoção nula do narrador Roby Porto. Gustavo Borges como comentarista também não ajuda. Quem assistiu na SporTV, com Luiz Carlos Jr na naração e Coach Alexandre Pussieldi nos comentários, pôde sentir a diferença.
Com essa enxurrada de prêmios, também decidimos fazer o nosso Troféu Raia Quatro News. Mas com categorias um tanto diferentes, como vocês irão notar. Grande parte faz referência a acontecimentos do Mundial de Roma, a competição mais importante do ano. Alguns vídeos distribuídos pelo texto ajudam a refrescar a memória. Uma forma de relembrar de uma maneira diferente alguns dos momentos mais marcantes do ano.
Troféu Passando no Gás - Rebecca Soni
Isso ninguém esperava da campeã olímpica! Nadando os 200m peito em Roma, Soni teve uma passagem animal de 1:05.73 nos primeiros 100m (isso que ela tinha feito 1:04.84 na final dos 100m peito), dois segundos à frente da concorrente mais próxima! Até o locutor da SporTV Luiz Carlos Junior se empolgou ao vê-la abrir mais de um corpo da linha do recorde mundial. Mas ninguém passa tão forte numa prova de 200m e sai ileso. Resultado: uma morrida histórica, um último 50m doloroso (parcial de 39.95!!!) e a perda até da medalha de bronze!
Troféu Vacilão - Caso Michael Phelps com maconha
Em fevereiro desse ano, uma imagem circulou nos principais noticiários do mundo: era Michael Phelps usando um bong, uma espécie de tubo, para fumar maconha. Alguém o flagrou em uma festa e resolveu vendê-la para um tabloide sensacionalista, trazendo grandes problemas para o nadador. O Troféu Vacilão não vai para Phelps, e sim para esse desocupado que resolveu ganhar uns trocados em cima de um momento de descontração do maior atleta da história olímpica.
Troféu Choradeira - Michael Phelps
Não, o chorão do ano não é César Cielo. Suas lágrimas comoveram o Brasil e o mundo mais uma vez, a exemplo do que aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2008. Desta vez, chorou copiosamente no topo do pódio dos 100m livre no Mundial de Roma. Mas quem leva o Troféu Choradeira é outro nadador, por motivos muito menos nobres. No ano passado, Michael Phelps era só elogios ao traje LZR da Speedo e seu ganho de flutuabilidade. Este ano, a vestimenta ultrapassada em relação aos Jakeds e Arenas. Phelps, fiel ao patrocinador, continuava usando o traje de sempre. Mas foi só tomar um couro do alemão Paul Biedermann nos 200m livre (que usava um X-Glide) no Mundial de Roma que ele resolveu abrir a boca e se contradizer todo. Após a prova, virou a cara para o alemão ainda na piscina e depois no pódio, e na coletiva de imprensa criticou veementemente os trajes tecnológicos, dizendo que a natação estava virando outro esporte. E ameaçou não competir mais até a FINA abolir os trajes. Uma postura totalmente diferente da que vinha tendo. Uma atitute totalmente anti-esportiva. Por isso, é o chorão do ano.
Troféu Falei Demais na Hora Errada - Mirolad Cavic
Cavic já havia provocado Phelps em Pequim/2008 antes dos 100m borboleta. Resultado: ouro para o americano por apenas um centésimo. No Mundial de Roma, este ano, o sérvio resolveu ir mais longe. Disse que venceria Phelps se os dois nadassem com o mesmo traje, e que poderia comprar um Arena para o americano para que os dois nadassem nas mesmas condições. Na final da prova, Cavic de Arena X-Glide e Phelps com um já ultrapassado Speedo LZR travaram uma batalha histórica. Ambos se tornaram os primeiros a nadar a prova abaixo dos 50 segundos, mas o ouro foi para Phelps, que após a vitória bateu no peito e exibiu seu traje para as câmeras, em um claro gesto de desabafo. Lição para Cavic: nunca alfinete seu adversário quando ele é melhor de todos os tempos.
Troféu Barraco - Federica Pellegrini
A musa italiana já havia vencido os 200m e 400m livre com recorde mundial. Nas eliminatórias do 4x200m livre, a equipe italiana quase não se classificou para a final. Em entrevista para uma emissora local, logo após a prova, Pellegrini alfinetou suas companheiras ao vivo, criticando a performance do revezamento na frente delas, o que certamente causou um climão na seleção italiana. Parodiando o famoso ditado, roupa suja se lava no vestiário, e não na frente de milhões de espectadores.
Troféu Chegadinha - Kirsty Coventry
A zimbabuana ainda não havia conquistado nenhuma medalha em Roma. Eis que chegou a hora de sua principal prova, os 200m costas, em que é recordista mundial e bicampeã olímpica. Quem viu a chegada da prova após uma disputa acirrada com a russa Anastasia Zueva teve a impressão de que Coventry queria mesmo era ganhar outra prata! Sua chegada foi tão ruim que a vantagem que tinha de meio corpo simplesmente sumiu e ela quase viu o ouro ir para o espaço. Não tentem fazer isso em casa e nem no treino, quanto mais em um Mundial!
Troféu With a Little Help From My Friends - Ariana Kukors
A americana havia se classificado para o Mundial de Roma para nadar apenas o revezamento 4x200m livre. Mas sua compatriota Elizabeth Pelton desistiu dos 200m medley, deixando uma vaga em aberto. Kukors foi convocada e aquela que não era nem a segunda nadadora dos Estados Unidos da prova estabeleceu um dos recordes mais impressionantes do ano. A marca, que antes de Roma era de 2:08.45 da australiana Stephanie Rice, chegou a um inacreditável 2:06.15! Uma melhora de mais de quatro segundos de seu tempo, um feito notável mesmo com os trajes hi-tech. E tudo isso com uma ajudinha de Elizabeth Pelton...
Troféu Linha do Recorde é Passado - Lin Zhang e Zige Liu
Em uma época que cansamos de ver os locutores gritando "olha a linha do recorde mundial" invariavelmente a cada final de prova, os chineses Lin Zhang e Zige Liu resolveram ignorá-la da maneira mais categórica possível. Isso porque em suas inacreditáveis performances a linha simplesmente sumiu das tomadas das câmeras! Primeiro, Zhang venceu os 800m livre no Mundial de Roma com 7:32.12, melhorando nada menos que seis segundos o recorde mundial de Grant Hackett! Isso criou grande expectativa em torno de sua performance dos 1500m, onde poderia superar outro recorde do australiano, o mais antigo da natação - no final das contas, Zhang não nadou bem a prova. Em outubro, nos Jogos Nacionais da China, Liu, campeã olímpica dos 200m borboleta, abaixou o recorde da prova da australiana Jessicah Schipper de 2:03.41 para 2:01.81, talvez a marca mais impressionante do ano, um tempo que dá canseira em muito marmanjo! O mais incrível é que ela obteve a marca com o LZR da Speedo, traje defasado em relação aos Arenas e Jakeds que dominaram a natação de alta performance este ano.
Troféu Chance Perdida - Aaron Peirsol
Apenas um nadador conquistou quatro vitórias consecutivas em Campeonatos Mundiais: o australiano Grant Hackett, nos 1500m livre, em 1998, 2001, 2003 e 2005. Em Roma, o americano Aaron Peirsol tinha a chance de igualar o feito nos 100m costas (fora campeão em 2003, 2005 e 2007). Era o favoritíssimo, pois havia acabado de bater o recorde mundial no Campeonato Americano. Na semifinal, adotou a tática que segue há tempos: nadar somente para assegurar uma vaga na final. Tática essa que já vinha se mostrando perigosa, pois o americano por vezes se classificava para a raia 2, raia 7... e dessa vez a zebra entrou na piscina, ajudada é verdade pela péssima chegada de Peirsol. Em 9º lugar, ficou de fora da final e da chance de brigar pelo ouro. Que provavelmente seria seu, pois com o tempo que abriu o revezamento 4x100m medley ele não teria dificuldades para vencer a prova.
Troféu Na Trave de Novo - Thiago Pereira
Thiago Pereira a cada ano chega cada vez mais perto. Mas ainda não conseguiu uma medalha em uma das principais competições internacionais. Acompanhe o retrospecto: 5º lugar nas Olimpíadas de Atenas/2004, 4º lugar no Mundial de Melbourne/2007 e 4º lugar nas olimpíadas de Pequim/2008, sempre nos 200m medley. Se fosse roteiro de filme, muitos diriam ser inverossímil. Mas Thiago novamente repetiu o quarto lugar em Roma. Não só uma, mas duas vezes (também nos 400m medley). E de maneira ainda mais dramática nos 200m: virou para os últimos 50 metros brigando pelo primeiro lugar e terminou fora do pódio por 19 centésimos. Após o Mundial, Thiago se mudou para os Estados Unidos, onde está treinando desde agosto. Tudo isso para assegurar que o filme tenha um final feliz em Londres/2012.
Troféu Mala do Ano - Craig Lord
Que os trajes tecnológicos mudaram a natação mundial, ninguém pode negar. Para o bem ou para o mal, todos tem suas opiniões. Mas Craig Lord, da Swimnews, um dos jornalistas especializados em natação mais respeitados do mundo, exagerou. Sua implicância com os resultados obtidos por nadadores trajando Arenas e Jakeds deu no saco! Em cada texto publicado, qualquer que fosse o assunto, sempre alfinetadas nos trajes e mesmo nos nadadores que os utilizavam, como se eles tivessem alguma culpa. Ele encheu tanto a paciência que Brett Hawke, treinador de César Cielo, chegou a enviar uma carta a Lord em resposta a um texto que ele criticava Fred Bousquet, outro pupilo de Hawke, por ter conseguido grandes resultados usando um Jaked! Sempre com opiniões polêmicas, este ano Craig Lord passou dos limites.
Troféu Me Dei Bem - Ryan Lochte
Até 2007, Ryan Lochte era um eterno vice-campeão. Afinal de contas, nadava as mesmas provas de Aaron Peirsol e Michael Phelps. Foi então que no Mundial de Melbourne derrotou Peirsol nos 200m costas, vitória repetida nas Olimpíadas de Pequim. Quanto a Phelps, Lochte continuava almejando o lugar mais alto do pódio nas provas de medley. Por isso, ele deve ter respirado aliviado quando Phelps desistiu de nadar as provas de medley este ano. Lochte venceu os 200m e 400m medley em Roma, a primeira com recorde mundial. Como se não bastasse, foi escolhido pela Federação Americana como o melhor nadador de 2009, um feito conquistado nos três anos anteriores pelo maior nadador da história. Uma decisão controversa, afinal Phelps teve mais conquistas que Lochte este ano. Pesou o caso da maconha. Justo ou não, foi mais uma vitória de Lochte em um território antes dominado por Phelps.
Troféu Acabando com o Bolão - Sarah Sjöstrom
Havia muitas concorrentes ao ouro nos 100m borboleta no Mundial de Roma. A holandesa Marleen Veldhuis, a australiana Jessicah Schipper, a americana Cristine Magnusson, a chinesa Liuyang Jiao e até a brasileira Gabriella Silva almejavam o lugar mais alto do pódio. Mas talvez nem os pais de Sarah Sjöstrom, 15 anos, estreante em grandes competições, apostariam na jovem sueca para medalhar, quanto mais para vencer a prova e superar o recorde mundial de 9 anos, o mais antigo da natação! Afinal, Sjöstrom não figurava nem entre as 20 primeiras do ranking mundial e era um nome desconhecido na natação internacional. Se alguém apostou em seu nome em alguma bolsa de apostas, deve ter levado uma bolada!
Troféu Emoção Zero - Roby Porto e Gustavo Borges
A final dos 100m livre no Mundial de Roma fez a TV Globo abrir um espaço em sua programação para a natação, devido a presença de dois brasileiros, César Cielo e Nicolas Oliveira, e uma chance real de pódio e até de vitória. Até aí nada de novo. Em 2003, a emissora exibiu a final dos 50m borboleta no Mundial de Barcelona, uma prova não olímpica e na qual Fernando Scherer tinha poucas chances de medalha. Só que agora era diferente. Afinal de contas, Cielo acabou vencendo a prova nobre da natação com recorde mundial. Mas quem é leigo na natação e estava ligado na Globo naquele horário ficou com a impressão de que isso era a coisa mais normal do mundo, dada a emoção nula do narrador Roby Porto. Gustavo Borges como comentarista também não ajuda. Quem assistiu na SporTV, com Luiz Carlos Jr na naração e Coach Alexandre Pussieldi nos comentários, pôde sentir a diferença.
Um presente estrelado. E o futuro?
Autor: dtakata

Se César Cielo saísse da piscina do Pinheiros hoje e anunciasse sua aposentadoria, ele não só já estaria garantido na história como o maior nadador brasileiro como também um dos maiores esportistas do país em todos os tempos. Em esportes individuais, comparativamente, poucos alcançaram feitos semelhantes a ele. Podemos citar Adhemar Ferreira da Silva, Maria Esther Bueno, Robert Scheidt, Torben Grael, Gustavo Kuerten... e a lista pára por aqui.
Com o recorde mundial de 20.91 dos 50m livre conseguido hoje no Open CBDA, ele completa a verdadeira trinca desejada por todo atleta em sua prova: campeão olímpico, campeão mundial e recordista mundial. O resto (Copa do Mundo, Mundial de Curta, Pan-Americano, Pan-Pacífico) não faz muita diferença no nível que ele chegou. A propósito, é o único da história a ostentar os três feitos simultaneamente nos 50m livre! A cereja no bolo foi enfim ter conseguido o recorde tão perseguido justamente na piscina do Pinheiros, seu clube, sua casa. Cesão soube controlar bem seu emocional depois de ter ficado a oito centésimos do antigo recorde (20.94 do francês Frederick Bousquet) na tarde de ontem.
Curiosamente, o recorde vem exatamente quatro anos depois que Kaio Márcio estabeleceu o recorde mundial dos 50m borboleta em piscina curta, em 17 de dezembro de 2005, em Santos. Antes daquilo, o último recorde mundial brasileiro havia acontecido sete anos antes, no revezamento 4x100m livre masculino, também em piscina de 25m. Desde 2005, contando o recorde de Kaio e este de Cielo, foram nada menos que seis marcas mundiais conquistadas por brasileiros! Cielo, aliás, é o segundo brasileiro na história a conseguir dois recordes mundiais em piscina de 50m. Antes dele, somente Maria Lenk, nos 200m e 400m peito.
Como já foi dito, se Cielo se aposentasse hoje, sairia das piscinas para virar mito. O que mais ele pode almejar? Bem, em termos de conquistas, falta aquela que talvez seja a mais importante para os velocistas: o ouro olímpico dos 100m livre, a prova nobre da natação. É exatamente o que falta para coloca-lo no mesmo patamar de Pieter Hoogenband, Alex Popov, Matt Biondi e outros. E em termos de objetivos pessoais, só ele poderá dizer.

Falando em 100m livre, anteontem Cesão fez sua terceira melhor marca, com 47.13. Hoje, abrindo o revezamento 4x100m livre, ainda pilhado pelo recorde mundial, fez 47.29, seu quarto melhor tempo. Agora ele tem três dos seis melhores tempos da história da prova:
1. 46.91 César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 30/07/2009
2. 46.94 Alain Bernard, FRA Campeonato Francês Montpellier 23/04/2009
3. 47.05sf Eamon Sullivan, AUS Jogos Olímpicos Pequim 13/08/2008
4. 47.09r César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 26/07/2009
5. 47.12 Alain Bernard, FRA Campeonato Mundial Roma 30/07/2009
6. 47.13 César Cielo, BRA Troféu Daltely Guimarães São Paulo 16/12/2009
Nos 50m livre, seu domínio é mais evidente: quatro das cinco melhores performances de todos os tempos.
1. 20.91 César Cielo, BRA Open CBDA São Paulo 18/12/2009
2. 20.94 Fred Bousquet, FRA Campeonato Francês Montpellier 26/04/2009
3. 21.02 César Cielo, BRA Troféu Daltely Guimarães São Paulo 17/12/2009
4. 21.08 César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 01/08/2009
5. 21.14b César Cielo, BRA Campeonato Americano Indianápolis 09/07/2009
Ele ainda terá uma outra chance para melhorar seu tempo abrindo o revezamento 4x50m livre, amanhã de manhã. Depois disso, o que acontecerá, com o advento do fim dos trajes tecnológicos? Certamente estes recordes durarão algum tempo. Como prever 2010?
Um estudo pode ser feito observando os tempos líderes dos rankings mundiais dos 100m livre masculino nos últimos 50 anos, até 2007, quando todos ainda nadavam apenas com trajes têxteis. O gráfico a seguir ilustra esse panorama:

Os pontos representam os tempos líderes dos rankings mundiais. A linha é uma função obtida com o objetivo de estabelecer uma relação entre tempo e ano. Com o intuito de prever qual será o tempo líder do ranking mundial dos 100m livre em 2010, obviamente não podemos considerar os tempos dos últimos dois anos, conseguidos com trajes hi-tech. Com a função obtida de 1958 a 2007, técnicas estatísticas de projeção e margens de erro e conhecimento de causa, podemos afirmar que o melhor tempo do mundo de 2010 ficará entre 47.60 e 48.20. Nada de 46 alto ou 47 baixo. Mas estamos falando da prova do maior esportista brasileiro da atualidade e que caminha para entrar na história da natação mundial. Qualquer barreira é mais uma motivação. Tomara que ele leia este texto e mande essa previsão para o espaço!
Nova revista de natação
Autor: dtakata

Uma nova revista de natação está surgindo no Brasil. E desta vez promete vir para ficar! Um meio de comunicação pouco explorado e lembrado até hoje no nosso esporte, as investidas nesse filão nunca duraram muito tempo. A revista isWIN será lançada em julho, em nível nacional, e tratará de natação e maratonas aquáticas.
Para sabermos mais sobre esse projeto, conversamos com a editora-chefe da revista, Cristiane Zimmerman.
Muita gente do mundo da natação ainda não te conhece.
Meu nome é Cristiane Zimmerman, sou natural de Santa Catarina, Balneário Camboriú, sou formada em Teologia e trabalho com comunicação há quatro anos.
Pelo visto você não é nenhuma pára-quedista no mundo da natação. Como surgiu a ligação com o esporte?
Na verdade eu tinha dois amigos nadadores, Fernando Silva e Felipe França, e comecei acompanhá-los nas competições, e a paixão por natação começou aí. Depois fui morar em São Paulo e meu vínculo de amizades era o pessoal da natação. Sempre que a gente saía, geralmente com Armando Negreiros, André Brasil que é um grande amigo meu, Alan Nagaoka, entre outros, e ficavam falando de natação e eu ficava perdida no meio deles, ouvindo tempos, índices, quem fez tal tempo, quem não fez, quem deixou de fazer, o tempo que eles queriam fazer...
E você foi obrigada a passar a entender.
Exatamente, senão eu ia ficar boiando no assunto!
E como surgiu a idéia de fazer uma revista?
Eu trabalho com comunicação, e fomos procurados para fazer um Workshop de natação para o estado de Santa Catarina. Quem procurou a gente foi Alessandro Koizumi, ex-nadador, costista. Ele comentou que tinha um desejo de fazer esse Workshop e mais pra frente, se surgisse oportunidade, de fazer uma revista, mas não sabia como começar, por não ter uma empresa já montada. Sugeri a ele que fizéssemos uma revista em nível nacional, com muitas matérias, muitas páginas, uma revista bem completa. A idéia dele era completamente diferente da minha. Eu sempre quis fazer algo ligado a natação para divulgar o esporte, fazê-lo crescer. Ele queria uma revista regional, incluindo todos os esportes aquáticos, e eu uma revista nacional, abrangendo natação e maratonas aquáticas. Foi aí que montei toda a revista, os temas, os títulos, a revista é composta de 27 matérias dos mais variados assuntos. Temos quatro colunistas: Alexandre Pussieldi, Fabíola Molina, Rogério Romero e Carlos Camargo. Eles abraçaram o projeto, e tenho apoio dos clubes e técnicos que estão muito felizes com a atitude de divulgar a natação, um meio de divulgação de mídia que no Brasil ainda não é utilizado.
Qual é o significado do nome?
isWIN significa "é vencer", mas dá também a sensação de "é nadar" ou "eu nado".
Será mais voltada para a parte competitiva, ou para quem está começando...?
Será voltada para os atletas, acompanhando as competições, absolutos, e também para quem está começando a nadar, quem gosta do esporte. O público vai ser bem abrangente. Hoje o Brasil tem como um dos esportes mais praticados a natação, não só nos clubes como em escolinhas, academias, e sei que vários estados têm projetos para montar piscinas para a população carente ter acesso ao esporte. E um processo em longo prazo, mas se der tudo certo a gente vai conseguir!

Parte de matéria que será veiculada na primeira edição da isWIN
Mais recentemente tivemos algumas revistas de natação no Brasil, como Aquasport e Natação Hammerhead, mas todas acabaram. Por que acha que isso aconteceu? O que fazer para não acontecer novamente?
Eu vi algumas revistas, a gente fez algumas pesquisas com revistas estrangeiras e acredito que depende muito... é muito difícil montar uma revista se você não tiver uma boa estrutura, um bom apoio de pessoas que estão no meio da natação, outros vínculos, no comércio, empresários. A gente tem um produto muito bacana, uma revista muito ampla. Ela será bem abrangente, vai abordar vários temas, não só o atleta que compete, como também o atleta que tem deficiência, alimentação, suplementos, complementos, as crianças que dão as primeiras braçadas, a família que acompanha... Então acho que para fazer com que uma revista ou qualquer tipo de projeto permaneça no mercado, você tem que acreditar naquilo que você está fazendo. Se não acreditar, não adianta. Tem que trabalhar muito, é preciso muito esforço, muita dedicação, muito foco... Não é fácil, mas com persistência a gente consegue.
A revista vai ser vendida em banca, livraria, assinatura...?
Por assinatura e distribuída nas livrarias mais conhecidas nas capitais do Brasil, ainda não sei por qual distribuidora.
Por qual editora?
Na verdade a revista é editora E revista.
Qual será a tiragem?
A primeira tiragem vai ser gratuita, de 20 mil exemplares, e as demais tiragens de 40 mil até o final de 2010.
E será mensal?
Isso. O lançamento vai ser no dia 16 de julho de 2010, em Florianópolis, e vai contar com a presença de alguns atletas internacionais.
Pode falar quem são?
Ainda não! (risos)
Para finalizar, gostaria de agradecer muito ao pessoal da Unisul, principalmente os técnicos Carlão (Carlos Camargo) e Marquinhos (Marcus Vinícius). Fiquei muito feliz na semana passada quando fizemos um intensivo lá buscando aprimorar nossos conhecimentos em natação. Fomos recebidos de maneira inacreditável, foi fantástico. Em nenhum momento eles se limitaram a ajudar, em responder as perguntas, as dúvidas, sempre prontamente eles nos esclareciam. O clima do clube, os atletas são maravilhosos, comprometidos, dão um show de maturidade, de comprometimento com o técnico, com a natação... Foi muito bom, estou muito agradecida ao suporte. A gente tem estudado muito, e fica meu agradecimento ao Carlão, ao Marquinhos, ao Marcelo Amin (presidente da Federação Catarinense de Natação) e a todo pessoal da Unisul.
Boa sorte na empreitada e ficaremos na torcida para que o projeto contribua e engrandeça ainda mais a natação brasileira.
Obrigada.
