Arquivo de November 2009
Qual é a da Copa do Mundo?
Autor: dtakata

E o circuito da Copa do Mundo deste ano em piscina curta terminou no fim-de-semana passado, em Cingapura. A americana Jessica Hardy e o sul-africano Cameron Van Der Burgh (foto acima) terminaram como os grandes vencedores após seis etapas, levando para casa 100 mil dólares cada um por terem sido os melhores nadadores do circuito pelo complicado critério de pontos criado pela FINA. Obviamente isso não quer dizer que estes atletas são os melhores do mundo da atualidade - muito longe disso por sinal. Afinal de contas, onde estão os campeões olímpicos?
Em relação ao número de recordes mundiais, nem é preciso fazer muitos comentários. Foram 37, recorde na história da Copa. Mas 2009 também foi o ano com mais marcas mundiais, Roma sediou o Mundial com mais recordes da história... Se os trajes tecnológicos continuassem a ser permitidos, talvez daqui a algum tempo, um ou dois anos, bater um recorde mundial voltaria a ter o significado que já teve. Como serão proibidos a partir do ano que vem, teremos um período no qual um recorde mundial terá uma importância diferente do que já teve. Ou seja, melhor nem considerar esse número.
Qual foi o legado da Copa do Mundo de 2009? Infelizmente, foi o mesmo que o dos últimos anos: muito pequeno. Objetivamente falando, a popularidade de um evento esportivo em geral se dá pelo número de astros que participam dele. Nos maiores acontecimentos do esporte do mundo, os vitoriosos se tornam estrelas. Mas em competições menores (e aí se inclui a Copa do Mundo de natação), é o contrário: as estrelas é engrandecem os eventos.
Quais são os grandes nomes da natação mundial? Inquestionavelmente, pelo que fizeram nos últimos dois anos, estão entre eles Michael Phelps, Federica Pellegrini, César Cielo, Britta Steffen, Paul Biedermann, Ryan Lochte, Aaron Peirsol e Stephanie Rice. Biedermann foi o único deles que se mostrou em boa forma na Copa, quebrando dois recordes mundiais na etapa de Berlim. Phelps nadou duas etapas para treinar, e Peirsol apareceu na última também longe da melhor forma. Os outros sequer deram as caras.
Que diferença do atletismo, onde no último grande evento do ano, a Final Mundial, atletas como Usain Bolt e Yelena Isinbayeva mostraram seu talento e voltaram para a casa um pouco mais ricos e consagrados.
Foi bom ter citado o dinheiro. Talvez uma das grandes diferenças de motivação seja a forma de premiação. Depois de várias competições durante o ano, os classificados para a Final Mundial de atletismo podem conquistar 100 mil dólares a cada recorde mundial quebrado, além de 30 mil para o primeiro colocado de cada prova, 20 mil para o segundo e 12 mil para o terceiro. Na Copa do Mundo de natação, são 1.500 para o primeiro, mil para o segundo e 500 para o terceiro em cada etapa.
Os lugares escolhidos para abrigar as etapas da Copa também não contribuem para a presença de estrelas. Este ano, a etapa mais estrelada foi a de Berlim. Isso já acontece há alguns anos. Em outras etapas (e aí se inclui a etapa do Brasil, este ano excluída do calendário), aparecem alguns gatos pingados estrangeiros. Não é difícil lembrar que quando Austrália e Estados Unidos eram sedes, os grandes nomes também apareciam para nadar. E isso atraia gente em busca de competições de alto nível. Berlim, Nova York e Sydney formavam a santíssima trindade da Copa. Ninguém dava muita importância para o resto. Agora que só restou Berlim, a importância da Copa se reduziu. Repetindo: sem estrelas, a divulgação da mídia é ínfima, não importa muito o nível técnico.

Michael Phelps na etapa de Sydney em 2003: lá o bicho pegava
E existe também o fato da piscina de 25m. Não acho que esse seja um grande problema. Todo ano final de ano é disputado o Campeonato Europeu de curta, com os principais nadadores europeus (e em geral mais estrelado que a Copa do Mundo). Obviamente não há comparação entre ser recordista mundial em piscina longa (principalmente em uma prova olímpica) e em piscina curta. Alexander Popov dizia que "piscina curta é tipo brincadeira de criança".
O problema maior para a FINA é encontrar um modo de atrair as estrelas para manter a Copa do Mundo em evidência. O atletismo já descobriu uma maneira. É difícil copiar o atletismo, mas há de se dar um jeito. Para os brasileiros, é inegável o ganho com a possibilidade de competir internacionalmente. Mas muito pouca gente sequer saberá disso enquanto a Copa do Mundo seguir do jeito que está. Lugares mais atraentes e mais prêmios para atrair os astros são possibilidades a se pensar.
Para encerrar, um texto escrito por David Berkoff em 1997 sobre os recordes mundiais de curta (texto retirado do Swim It Up! impresso, nº 8). Na época, recordes em piscina de 25m eram coisa recente (desde 1993 a FINA passou a reconhecê-los) e ele resolveu polemizar. Lendo o texto 12 anos depois, parece um pouco radical, mas não deixa de ter sua parcela de razão. Berkoff foi vice-campeão olímpico dos 100m costas em 1988 após ter quebrado o recorde mundial da prova na eliminatória.
Eu também acho que os recordes de curta não valem o título de "recordes mundiais". De fato, apenas alguns se comparam aos de longa. Por anos americanos e estudantes visitantes vêm nadando em jardas e nenhum destes recordes foi reconhecido fora dos EUA. E acredito que não devam.
No Mundial e nas Olimpíadas, os eventos são somente na longa. e é onde verdadeiros nadadores são elevados ao status de campeões. Olhe para a TV. Nós temos o Xtreme Games na ESPN, onde snowboarders são tratados como atletas olímpicos - embora ache legal ver estes esportes, zombo da idéia de que eles estão no mesmo nível profissional dos maiores esportes olímpicos. Olhe a estupidez de esportes pré-fabricados na TV, como aeróbica, vale-tudo, etc. O que estou tentando deixar claro é que a natação e diversos outros esportes estão tentando competir com esta tendência de trivialização do valor dos esportes.
Recordes na curta estão na mesma linha. Eu não trocaria meu velho recorde mundial dos 100m costas na longa por 20 na curta. Nem o fariam a maioria dos nadadores que têm ou tiveram um. O fato é, jogos são elevados para o esporte quando eles já têm alguma história por trás. A natação na longa está aí quase o mesmo tempo que o próprio esporte, especialmente nós americanos sofremos de uma necessidade neurótica de imediatamente sermos diferentes ou bons em algo que ninguém mais é, e então rapidamente canonizar a atividade como legítima. Nós não permitimos tempo ao jogo amadurecer, desenvolver, tornar-se profissional, ou ter boas performances antes de o querermos tão legítimos quanto, digamos, o basquete ou o atletismo.
Então, para concluir. Recordes na curta são um sintoma do fenômeno dos anos 90. Sem imediata gratificação, mas imediata importância. Paciência está faltando em qualquer lugar. Ninguém quer "esperar e ver" se um jogo se tornará um esporte. Em nossos esforços para ovacionar resultados e manchetes de NOVOS RECORDES MUNDIAIS ou 3 VEZES OURO NO EXTREME GAMES, nós esquecemos que a maior parte do esporte é a legitimidade.
Eu agora volto para minha insignificância.
Concorda? Deixe seu comentário.
Uma vez atleta, sempre atleta
Autor: dtakata
Uma bela surpresa no Campeonato Carioca Junior-Senior que está sendo realizado no Botafogo foi ver Mariana Moraes Rangel nadando as provas de fundo. Mas alguns, principalmente os mais novos, podem se perguntar: quem é ela?
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Copa do Mundo em Berlim e erros do SporTV
Autor: dtakata
Pela primeira vez consegui assistir pelo SporTV algumas provas da Copa do Mundo em piscina curta esse ano, etapa de Berlim, a mais forte de todas como já vem se tornando tradição (as etapas dos Estados Unidos e da Austrália dividiam essa honra, mas este ano estes países não foram sedes).
Vários recordes mundiais, com o pessoal aproveitando os últimos dias dos trajes hi-tech. Alguns impressionantes. Para alegria da torcida caseira, Paul Biedermann bateu recordes nos 200m e 400m livre. Nos 200m, seu tempo de 1:39.37 (primeiro a nadar abaixo dos 100 segundos) é inacreditável! Nos 100m costas feminino, a japonesa Sahiho Sakai (foto abaixo) se tornou a primera a nadar abaixo de 56s, fazendo logo 55.23 e abaixando em quase um segundo a antiga marca. A australiana Leisel Jones fez 1:03.00 nos 100m peito. Com os trajes tecnológicos, não demoraria muito tempo até alguma mulher nadar abaixo do minuto na prova, ao menos na curta!

Houve a presença de Michael Phelps, que nadando só de bermuda, já se ajustando às regras que valerão para os trajes no ano que vem, conseguiu um bom tempo (para suas condições atuais) nos 200m medley, ficando em segundo com 1:53.70 atrás do sul-africano Darian Towsend (1:51.55), recorde mundial. Interessante notar é que Phelps teve muito mais destaque no pódio do que o novo recordista, sendo inclusive um dos poucos entrevistados pela organização da competição.
Entre os brasileiros, Felipe França foi prata nos 100m peito e bronze nos 50m (25.70). Frederico Castro foi prata nos 200m borbo (1:51.64) e Nicholas Santos foi bronze nnos 50m borbo (22.17). A exceção de Frederico, os outros bateram recordes sul-americanos. Aliás, muitos recordes nesta etapa. Para maiores detalhes, confira na Bestswimming (primeiro e segundo dias).
Nos pedaços que vi da competição, a transmissão da SporTV foi muito pobre. Absolutamente nenhuma emoção por parte de narrador e comentaristas e vários erros. Muitas informações incorretas que podem fazer o telespectador a ter algumas idéias erradas. Muito cuidado com o que você ouve nas transmissões! Veja algumas delas:
- Rafael Mósca disse que, quando Thiago Pereira fez o tempo que até hoje é recorde da Copa, em 2007, nos 400m medley, a performance na época havia sido recorde mundial. Isso não é verdade. O tempo não foi recorde mundial. O único recorde mundial que Thiago bateu foi nos 200m medley, em 2007 mesmo (na mesma etapa de Berlim).
- Durante a prova dos 400m livre, ao ver Paul Biedermann nos primeiros 100m metros atrás da linha do recorde mundial, Mósca disse que o ideal era que o alemão se mantivesse mais próximo da marca, pois o recorde era de Grant Hackett, "famoso por seu final de prova fortíssimo". Na verdade, Hackett era notório pela regularidade. Ian Thorpe era mais famoso por seu final. E olhando as parciais do recorde, se vê que o final da prova de Hackett não teve nada de anormal: 51:35, 54.05, 54.85, 54.33. Biedermann, pelo contrário, teve um grande final (dobrou a prova). Não custaria antes de comentar dar uma olhada nas parciais do recorde para não passar uma informação incorreta!
- Mariana Brochado disse que o alemão Paul Biedermann, no Mundial de Roma, bateu o recorde mundial dos 200m livre que era de Michael Phelps e depois bateu o recorde mundial dos 400m que era de Ian Thorpe. Na verdade, Biedermann bateu o recorde mundial dos 400m ANTES dos 200m.
- Não é a primeira vez que Mósca diz que Tales Cerdeira ficou muito próximo ("a centésimos") de ir para a Olimpíada de Pequim no ano passado. Sinceramente não faço a mínima idéia da fonte dessa informação. O tempo de Tales nos 200m peito na época era 2:14,21, e os dois brasileiros com índice para nadar na China eram Henrique Barbosa (2:12.56) e Thiago Pereira (2:12.67) - convenhamos, muito mais do que apenas "alguns centésimos" à frente de Tales!
- Mariana disse que o recorde do sul-africano Cameron van der Burgh nos 50m peito foi o primeiro recorde mundial da etapa de Berlim, se esquecendo (ou não sabendo) que o russo Sergey Fesikov havia melhorado a marca global nas eliminatórias dos 100m medley.
- No final da primeira etapa, no momento das premiações de algumas provas, Mariana dizia que Therese Alshammar não havia respirado nenhuma vez nos 50m livre. No exato momento, a prova da sueca era reprisada, mostrando a nadadora respirando logo nos primeiros 25m!
- Falando sobre Darian Townsend, Mariana disse que ele foi um membro do revezamento 4x100m livre sul-africano campeão olímpico em 2004 que tirou o ouro dos Estados Unidos. Ela se esqueceu que, se não fosse os sul-africanos, nem assim os americanos venceriam a prova, pois a medalha de prata foi para a Holanda.
- Rafael Mósca: "Nicholas Santos é um atleta multi-internacional". O que será que ele quis dizer com isso?
- Mariana Brochado: "Michael Phelps vem crescendo no nado de peito", na prova de 200m medley, sobre a parcial de 50m peito que Phelps inicou em 2º e finalizou em 4º!
- Rafael Mósca disse que o sueco Stefan Nystrand é um dos precursores do nado de crawl com recuperação estirada dos braços, uma técnica já utilizada em 1988 pela americana Janet Evans e pela alemã-oriental Kristin Otto!
- Mósca disse que o austríaco Markus Rogan é um multi-medalhista olímpico. Uma informação no mínimo tendenciosa, pois o telespectador pode pensar que Rogan tem diversas medalhas olímpicas, e não apenas as duas conquistadas em Atenas/2004.
Esses foram os erros que ouvi, e olha que não assisti nem metade das provas! Alguém notou mais alguma coisa?
Vários recordes mundiais, com o pessoal aproveitando os últimos dias dos trajes hi-tech. Alguns impressionantes. Para alegria da torcida caseira, Paul Biedermann bateu recordes nos 200m e 400m livre. Nos 200m, seu tempo de 1:39.37 (primeiro a nadar abaixo dos 100 segundos) é inacreditável! Nos 100m costas feminino, a japonesa Sahiho Sakai (foto abaixo) se tornou a primera a nadar abaixo de 56s, fazendo logo 55.23 e abaixando em quase um segundo a antiga marca. A australiana Leisel Jones fez 1:03.00 nos 100m peito. Com os trajes tecnológicos, não demoraria muito tempo até alguma mulher nadar abaixo do minuto na prova, ao menos na curta!

Houve a presença de Michael Phelps, que nadando só de bermuda, já se ajustando às regras que valerão para os trajes no ano que vem, conseguiu um bom tempo (para suas condições atuais) nos 200m medley, ficando em segundo com 1:53.70 atrás do sul-africano Darian Towsend (1:51.55), recorde mundial. Interessante notar é que Phelps teve muito mais destaque no pódio do que o novo recordista, sendo inclusive um dos poucos entrevistados pela organização da competição.
Entre os brasileiros, Felipe França foi prata nos 100m peito e bronze nos 50m (25.70). Frederico Castro foi prata nos 200m borbo (1:51.64) e Nicholas Santos foi bronze nnos 50m borbo (22.17). A exceção de Frederico, os outros bateram recordes sul-americanos. Aliás, muitos recordes nesta etapa. Para maiores detalhes, confira na Bestswimming (primeiro e segundo dias).
Nos pedaços que vi da competição, a transmissão da SporTV foi muito pobre. Absolutamente nenhuma emoção por parte de narrador e comentaristas e vários erros. Muitas informações incorretas que podem fazer o telespectador a ter algumas idéias erradas. Muito cuidado com o que você ouve nas transmissões! Veja algumas delas:
- Rafael Mósca disse que, quando Thiago Pereira fez o tempo que até hoje é recorde da Copa, em 2007, nos 400m medley, a performance na época havia sido recorde mundial. Isso não é verdade. O tempo não foi recorde mundial. O único recorde mundial que Thiago bateu foi nos 200m medley, em 2007 mesmo (na mesma etapa de Berlim).
- Durante a prova dos 400m livre, ao ver Paul Biedermann nos primeiros 100m metros atrás da linha do recorde mundial, Mósca disse que o ideal era que o alemão se mantivesse mais próximo da marca, pois o recorde era de Grant Hackett, "famoso por seu final de prova fortíssimo". Na verdade, Hackett era notório pela regularidade. Ian Thorpe era mais famoso por seu final. E olhando as parciais do recorde, se vê que o final da prova de Hackett não teve nada de anormal: 51:35, 54.05, 54.85, 54.33. Biedermann, pelo contrário, teve um grande final (dobrou a prova). Não custaria antes de comentar dar uma olhada nas parciais do recorde para não passar uma informação incorreta!
- Mariana Brochado disse que o alemão Paul Biedermann, no Mundial de Roma, bateu o recorde mundial dos 200m livre que era de Michael Phelps e depois bateu o recorde mundial dos 400m que era de Ian Thorpe. Na verdade, Biedermann bateu o recorde mundial dos 400m ANTES dos 200m.
- Não é a primeira vez que Mósca diz que Tales Cerdeira ficou muito próximo ("a centésimos") de ir para a Olimpíada de Pequim no ano passado. Sinceramente não faço a mínima idéia da fonte dessa informação. O tempo de Tales nos 200m peito na época era 2:14,21, e os dois brasileiros com índice para nadar na China eram Henrique Barbosa (2:12.56) e Thiago Pereira (2:12.67) - convenhamos, muito mais do que apenas "alguns centésimos" à frente de Tales!
- Mariana disse que o recorde do sul-africano Cameron van der Burgh nos 50m peito foi o primeiro recorde mundial da etapa de Berlim, se esquecendo (ou não sabendo) que o russo Sergey Fesikov havia melhorado a marca global nas eliminatórias dos 100m medley.
- No final da primeira etapa, no momento das premiações de algumas provas, Mariana dizia que Therese Alshammar não havia respirado nenhuma vez nos 50m livre. No exato momento, a prova da sueca era reprisada, mostrando a nadadora respirando logo nos primeiros 25m!
- Falando sobre Darian Townsend, Mariana disse que ele foi um membro do revezamento 4x100m livre sul-africano campeão olímpico em 2004 que tirou o ouro dos Estados Unidos. Ela se esqueceu que, se não fosse os sul-africanos, nem assim os americanos venceriam a prova, pois a medalha de prata foi para a Holanda.
- Rafael Mósca: "Nicholas Santos é um atleta multi-internacional". O que será que ele quis dizer com isso?
- Mariana Brochado: "Michael Phelps vem crescendo no nado de peito", na prova de 200m medley, sobre a parcial de 50m peito que Phelps inicou em 2º e finalizou em 4º!
- Rafael Mósca disse que o sueco Stefan Nystrand é um dos precursores do nado de crawl com recuperação estirada dos braços, uma técnica já utilizada em 1988 pela americana Janet Evans e pela alemã-oriental Kristin Otto!
- Mósca disse que o austríaco Markus Rogan é um multi-medalhista olímpico. Uma informação no mínimo tendenciosa, pois o telespectador pode pensar que Rogan tem diversas medalhas olímpicas, e não apenas as duas conquistadas em Atenas/2004.
Esses foram os erros que ouvi, e olha que não assisti nem metade das provas! Alguém notou mais alguma coisa?
Mais uma do UOL
Autor: dtakata
Em geral, as reportagens do UOL sobre natação são um desastre. Notícias com informações misturadas e incorretas dão o tom. Claro que há exceções, como por exemplo a excelente cobertura que Bruno D'Oro fez do Mundial de Roma. Mas em se tratando de notícias do dia-a-dia, a impressão que fica é que quem escreve os textos sobre natação são pessoas que não têm a mínima noção do esporte.
Aqui, recuperamos dois exemplos. Clique aqui para ver no Blog do Coach um comentário a respeito de uma matéria totalmente errada publicada na época da disputa do GP de Santa Clara em junho deste ano. E aqui para ver no antigo endereço deste blog um texto da época da Olimpíada de 2000 (no post "A notícia mais errada da história!")
Hoje, o UOL publicou uma reportagem sobre as eliminatórias do segundo dia da etapa da Copa do Mundo de Estocolmo. Atentem para o seguinte trecho:
Entre as mulheres, Jessica Hardy voltou a mostrar força. Suspensa no ano passado por causa de doping, ela é um dos destaques do circuito internacional de piscina curta da Fina (Federação Internacional de Natação). Nesta quarta-feira, ela voltou a quebrar o recorde mundial dos 50m costas.
Mesmo nadando com um supermaiô rasgado, ela marcou 28s96, contra os 29s36 que ela tinha marcado há quatro dias, na etapa de Moscou da Copa do Mundo. A brasileira Fabiola Molina avançou para a final desta prova na quarta posição com o tempo de 58s19.
Jessica Hardy nadando 50m costas? E quebrando o recorde mundial com 28.96? E Fabiola Molina fazendo 58.19 nos 50m costas?? É mais uma proeza do que o UOL faz de melhor, ao menos nas notícias sobre natação: juntar informações não relacionadas e magicamente produzir um texto onde tudo não faz sentido!
Aqui, recuperamos dois exemplos. Clique aqui para ver no Blog do Coach um comentário a respeito de uma matéria totalmente errada publicada na época da disputa do GP de Santa Clara em junho deste ano. E aqui para ver no antigo endereço deste blog um texto da época da Olimpíada de 2000 (no post "A notícia mais errada da história!")
Hoje, o UOL publicou uma reportagem sobre as eliminatórias do segundo dia da etapa da Copa do Mundo de Estocolmo. Atentem para o seguinte trecho:
Entre as mulheres, Jessica Hardy voltou a mostrar força. Suspensa no ano passado por causa de doping, ela é um dos destaques do circuito internacional de piscina curta da Fina (Federação Internacional de Natação). Nesta quarta-feira, ela voltou a quebrar o recorde mundial dos 50m costas.
Mesmo nadando com um supermaiô rasgado, ela marcou 28s96, contra os 29s36 que ela tinha marcado há quatro dias, na etapa de Moscou da Copa do Mundo. A brasileira Fabiola Molina avançou para a final desta prova na quarta posição com o tempo de 58s19.
Jessica Hardy nadando 50m costas? E quebrando o recorde mundial com 28.96? E Fabiola Molina fazendo 58.19 nos 50m costas?? É mais uma proeza do que o UOL faz de melhor, ao menos nas notícias sobre natação: juntar informações não relacionadas e magicamente produzir um texto onde tudo não faz sentido!
Pela segunda vez, o mais rápido da história!
Autor: dtakata

Kaio Márcio acaba de bater o recorde mundial dos 200m borboleta em piscina de 25m, na etapa de Estocolmo da Copa do Mundo. Ele já havia batido o recorde sul-americano na eliminatória com 1:51.46, mas na final fez algo inacreditável: se tornou o primeiro no mundo a nadar abaixo de 1:50s, e quase nada para 1:48s, com 1:49.11! Seu tempo melhorou em quase um segundo e meio da antiga marca do russo Nikolay Skvortsov! Skvortsov, aliás, ficou em segundo na prova. Destaque para o 3º 50m de Kaio, conforme as parciais abaixo.
Comparação das parciais do novo recorde e do antigo:
Kaio: 24.80, 53.43 (28.63), 1:20.24 (26.81), 1:49.11 (28.87)
Skvortsov: 25.30, 53.47 (28.17), 1:22.13 (28.66), 1:50.53 (28.40)
Kaio, assim, volta a repetir o sucesso que já experimentou em piscina curta. Em dezembro de 2005, bateu o recorde mundial dos 50m borboleta no Open CBDA, em Santos, com 22.60, marca que durou até o ano passado. Em 2006, foi campeão mundial dos 100m borboleta, também em piscina de 25m. A partir de então, praticamente abdicou das provas em piscina curta para alcançar glórias em piscina olímpica. Com isso, foi 6º nos Jogos Olímpicos de 2008 e 4º no Mundial de 2009 nos 200m borbo.
Com o recorde de hoje, Kaio se torna apenas o segundo brasileiro em toda a história a conseguir dois recordes mundiais na natação. A primeira foi Maria Lenk, na década de 40, recordista dos 200m e 400m peito.
Há cerca de dois meses, Kaio desfez a parceria com sua técnica de longa data Rosane Carneiro, com quem treinava no Flamengo, para ser treinado no Fluminense por Luiz Raphael, ex-técnico da seleção brasileira. Detalhe é que Kaio não representa oficialmente nem Flamengo nem Fluminense, mas o Tijuca Tênis Clube!
O recorde de Kaio mostra que ele voltou a priorizar a piscina curta? Não! É só uma conseqüência de um trabalho bem feito, que vinha sendo executado com Rosane e agora com Luiz Raphael. Seu principal objetivo é piscina de 50m, visando os Jogos de Londres em 2012. Como o próprio Kaio declarou, a Copa do Mundo seria um teste "interessante" para avaliar seu estágio de preparação. Sua meta para o fim deste ano é o Open, em dezembro, no Pinheiros (piscina de 50m). Quem sabe lá teremos uma boa surpresa? E quem sabe amanhã não teremos outra, afinal ainda falta os 100m borboleta nesta etapa de Estocolmo!