Futebol x outros
Autor: dtakata
Em dezembro do ano passado, publicamos um post sobre a nova revista de natação brasileira, a iSwin, com lançamento previsto para julho deste ano (para ler o texto, clique aqui. Nunca na história do país uma revista de natação vingou. Tentativas não faltaram, mas nenhuma conseguiu se sustentar por muito tempo.
O texto abaixo foi retirado do blog de Juca Kfouri, jornalista que se diz esportivo mas que na verdade se dedica quase que integralmente ao futebol. Na verdade, o texto é antigo, de 1999, mas traz, com argumentos e fatos, uma das possíveis razões de publicações esportivas não darem certo no Brasil.
Por que só falamos de futebol
Primeiro foi o José Trajano, com a paixão e a generosidade que o caracterizam.
Depois, o José Roberto Torero, sempre criativo e original.
Ambos preocupados em chamar a atenção para os brasileiros que estão no Pan-Americano, os primos pobres do esporte nacional, quase monopolizado pelos jogadores de futebol.
A verdade é que todos nós damos muito menos importância a nossos atletas olímpicos do que aos boleiros.
Conheço bem essa história – e não é de hoje.
Dezenas de vezes, quando dirigia a revista “Placar”, fui questionado em escolas de jornalismo e de educação física sobre o pouco espaço dedicado aos outros esportes.
Sempre respondi que os outros não vendiam.
Nem mesmo quando houve a célebre explosão do vôlei (um Maracanãzinho lotado equivale a um Maracanã quase vazio – e nenhuma revista de qualquer outro esporte jamais prosperou no Brasil).
Havia reações indignadas até, como se eu fosse um escravo do lucro, um capitalista sem alma.
Então, entre outras coisas, explicava que não era o dono da revista.
Até que um belo dia, em 1984, porque também o desorganizado futebol brasileiro não permitia uma revista semanal de sucesso, a Abril resolveu apostar numa publicação mais eclética, e criamos “Placar Todos os Esportes”, com equipe de primeira, consultores da melhor qualidade e acabamento refinado.
Era a tentativa de se fazer a famosa, e extremamente bem-sucedida, “Sports Illustrated” no Brasil.
Após o primeiro número, recebi um bilhete entusiasmado de Roberto Civita, o dono da Abril.
“Enfim, virei leitor de Placar. Parabéns!”.
O sinal vermelho havia sido aceso numa semana em que a velha “Placar” tinha vendido menos do que 100 mil exemplares, número mágico.
Pois bem. Quatro ou cinco semanas depois do lançamento da nova fórmula, Civita me telefona para fazer novo elogio, e eu, preocupado, o alerto que as vendas não eram animadoras, que tínhamos vendido apenas 75 mil exemplares na semana anterior. Ouço dele uma previsão tranqüilizadora. “Estamos trocando de público. Não vou me assustar se chegar a cair até uns 35 mil. Depois, vai reagir, porque o caminho está certo, a revista está ótima”.
Pouco tempo depois, já apavorado, encontro o patrão numa solenidade e informo: “Roberto, estamos quase atingindo seu objetivo. Na semana passada, vendemos 40 mil”. Foi o que bastou para, em seguida, “Placar” voltar a ser uma revista basicamente de futebol e resistir ainda mais cinco anos como semanal.
Enfim, a questão é parecida com aquele anúncio de biscoitos: o Brasil é monoesportivo porque a imprensa só fala de futebol ou a imprensa só fala de futebol porque o Brasil é monoesportivo?
Tendo a achar que a segunda hipótese é a correta.
O texto abaixo foi retirado do blog de Juca Kfouri, jornalista que se diz esportivo mas que na verdade se dedica quase que integralmente ao futebol. Na verdade, o texto é antigo, de 1999, mas traz, com argumentos e fatos, uma das possíveis razões de publicações esportivas não darem certo no Brasil.
Por que só falamos de futebol
Primeiro foi o José Trajano, com a paixão e a generosidade que o caracterizam.
Depois, o José Roberto Torero, sempre criativo e original.
Ambos preocupados em chamar a atenção para os brasileiros que estão no Pan-Americano, os primos pobres do esporte nacional, quase monopolizado pelos jogadores de futebol.
A verdade é que todos nós damos muito menos importância a nossos atletas olímpicos do que aos boleiros.
Conheço bem essa história – e não é de hoje.
Dezenas de vezes, quando dirigia a revista “Placar”, fui questionado em escolas de jornalismo e de educação física sobre o pouco espaço dedicado aos outros esportes.
Sempre respondi que os outros não vendiam.
Nem mesmo quando houve a célebre explosão do vôlei (um Maracanãzinho lotado equivale a um Maracanã quase vazio – e nenhuma revista de qualquer outro esporte jamais prosperou no Brasil).
Havia reações indignadas até, como se eu fosse um escravo do lucro, um capitalista sem alma.
Então, entre outras coisas, explicava que não era o dono da revista.
Até que um belo dia, em 1984, porque também o desorganizado futebol brasileiro não permitia uma revista semanal de sucesso, a Abril resolveu apostar numa publicação mais eclética, e criamos “Placar Todos os Esportes”, com equipe de primeira, consultores da melhor qualidade e acabamento refinado.
Era a tentativa de se fazer a famosa, e extremamente bem-sucedida, “Sports Illustrated” no Brasil.
Após o primeiro número, recebi um bilhete entusiasmado de Roberto Civita, o dono da Abril.
“Enfim, virei leitor de Placar. Parabéns!”.
O sinal vermelho havia sido aceso numa semana em que a velha “Placar” tinha vendido menos do que 100 mil exemplares, número mágico.
Pois bem. Quatro ou cinco semanas depois do lançamento da nova fórmula, Civita me telefona para fazer novo elogio, e eu, preocupado, o alerto que as vendas não eram animadoras, que tínhamos vendido apenas 75 mil exemplares na semana anterior. Ouço dele uma previsão tranqüilizadora. “Estamos trocando de público. Não vou me assustar se chegar a cair até uns 35 mil. Depois, vai reagir, porque o caminho está certo, a revista está ótima”.
Pouco tempo depois, já apavorado, encontro o patrão numa solenidade e informo: “Roberto, estamos quase atingindo seu objetivo. Na semana passada, vendemos 40 mil”. Foi o que bastou para, em seguida, “Placar” voltar a ser uma revista basicamente de futebol e resistir ainda mais cinco anos como semanal.
Enfim, a questão é parecida com aquele anúncio de biscoitos: o Brasil é monoesportivo porque a imprensa só fala de futebol ou a imprensa só fala de futebol porque o Brasil é monoesportivo?
Tendo a achar que a segunda hipótese é a correta.
Rumo ao tri
Autor: dtakata

O japonês Kosuke Kitajima, bicampeão olímpico dos 100m e 200m peito, foi notícia na última semana depois de vencer as 100 jardas de peito no GP de Long Beach. Kitajima derrotou Michael Phelps, que terminou em 5º lugar. O japonês não disputa uma competição importante desde os Jogos Olímpicoas de Pequim. Nesse período, tirou longas férias, foi treinar nos Estados Unidos e aos poucos voltou às competições. Seu principal e único objetivo é conquistar o tricampeonato nas provas de peito nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
Assim, ele almeja ser o primeiro nadador no masculino a conquistar um tricampeonato olímpico. Muitos já tentaram, mas na natação esse é um feito conquistado apenas por mulheres. A australiana Dawn Fraser venceu os 100m livre em 1956, 1960 e 1964, e a húngara Krisztina Egerszegi foi campeã dos 200m costas em 1988, 1992 e 1996.
Outros dois nadadores também podem conquistar três vitórias olímpicas seguidas em 2012. Michael Phelps é o que tem mais chances: é o atual bicampeão dos 200m e 400m medley e 100m e 200m borboleta. Ele já declarou que pretende abandonar os 400m medley, mas no GP de Long Beach surpreendeu e nadou as 400 jardas medley, vencendo com um tempo bem próximo de seu melhor. Seu programa de provas para Londres ainda é uma incógnita, já que ele pode querer investir em provas de velocidade, de livre e de costas. Até mesmo os 200m medley não são uma certeza. 100m e 200m borbo parece garantido que ele nade. O outro aspirante a tricampeão é Aaron Peirsol, nos 100m costas.

O site Swimnews.com montou o panorama dos potenciais tricampeões em Londres/2012, baseado no programa de provas de Pequim/2008. Quem será que consegue primeiro?
Dia 1: Phelps nos 400m medley, caso ele volte a nadar a prova.
Dia 2: Kitajima nos 100m peito.
Dia 3: Peirsol nos 100m costas.
Dia 4: Phelps nos 200m borbo, talvez a conquista mais provável pelo cenário de hoje.
Dia 5: Kitajima nos 200m peito.
Dia 6: Phelps nos 200m medley.
Dia 7: Phelps nos 100m borbo.
Na natação masculina, são precisamente 17 nadadores que conquistaram bicampeonatos olímpicos, mas que por motivos variados não conseguiram repetir as conquistas três vezes. Confira abaixo quem são eles e o que os impediu se se tornarem tri:
50m livre: Alexander Popov, RUS (1992, 1996)
Tentou o tricampeonato em 2000, meses depois de ter batido o recorde mundial da prova, mas terminou apenas na sexta posição. Também nadou em 2004, mas não passou das eliminatórias.
50m livre: Gary Hall Jr, USA (2000, 2004)
Foi medalha de prata na prova em 1996. O sonho do tri não passou da Seletiva Olímpica Americana de 2008, quando não se classificou para a equipe que disputaria os Jogos de Pequim.
100m livre: Duke Kahanamoku, USA (1912, 1920)
A lenda havaiana certamente seria tricampeã se os Jogos de 1916 não tivessem sido adiados pela Primeira Guerra Mundial. Em 1924, era um dos favoritos, mas nada pôde fazer contra a força de Johnny Weissmuller.
100m livre: Johnny Weissmuller, USA (1924, 1928)
Primeiro homem a nadar abaixo do minuto, Weissmuller se preparava para os Jogos de 1932 quando recebeu uma proposta para anunciar trajes de banho. Ao aceitar, encerrou a carreira de nadador, pois, renunciando a condição de amador, não poderia mais participar dos Jogos Olímpicos. Por isso, jamais tentou o tricampeonato.
100m livre: Alexander Popov, RUS (1992, 1996)
Assim como nos 50m livre, Popov teve duas oportunidades de ser tri nos 100m: em 2000, ficou com a prata atrás de Pieter van den Hoogenband. Em 2004, parou na semifinal da prova.
100m livre: Pieter van den Hoogenband, NED (2000, 2004)
Em 2008, terminou na quinta posição. Não foi tri, mas foi o único a nadar quatro finais olímpicas nos 100m livre (foi 4º lugar em 1996).
400m livre: Murray Rose, AUS (1956, 1960)
Uma lenda australiana, Rose foi o maior medalhista olímpico australiano no masculino até Ian Thorpe. Em 1964, ainda estava na ativa e poderia ter tentado o tri nos 400m livre. Mas ele estudava e treinava nos Estados Unidos e não conseguiu viajar para a Austrália para disputar a Seletiva Olímpica. Mesmo tendo ele batido o recorde mundial dos 1500m meses antes dos Jogos de Tóquio, os dirigentes australianos não abriram exceção e não o deixaram disputar a Olimpíada.
400m livre: Ian Thorpe, AUS (2000, 2004)
Em 2006, o Thorpedo australiano anunciou sua aposentadoria.
1500m livre: Mike Burton, USA (1968, 1972)
Depois de uma vitória chorada em 1972 (quase não se classificou para a Olimpíada na Seletiva Americana), se aposentou e não teve chance de mais um ouro.
1500m livre: Vladimir Salnikov, URS (1980, 1988)
É um caso semelhante ao de Duke Kahanamoku nos 100m livre: Salnikov não pôde disputar os Jogos de 1984 devido ao boicote político, e quase certamente seria tricampeão, pois na época seu domínio era indiscutível. Seul/1988 foi sua última competição.
1500m livre: Kieren Perkins, AUS (1992, 1996)
Em 1996, estava desacreditado e foi bicampeão. Em 2000, já uma lenda, estava mais desacreditado ainda, mas surpreendeu e se classificou para a Olimpíada de Sydney. Nos Jogos, não foi páreo para a juventude de Grant Hackett, terminando com a prata.
1500m livre: Grant Hackett, AUS (2000, 2004)
Chegou a Pequim/2008 como favorito e fez a segunda melhor marca da história da prova nas eliminatórias. Na final, piorou o tempo e terminou atrás do tunisiano Oussama Mellouli.
100m costas: Warren Kealoha, USA (1920, 1924)
Membro de um time havaiano que incluía Duke Kahanamoku, Keloha permaneceu praticamente invicto nos 100m costas durante sua carreira. Só perdeu uma vez, em 1926, para Johnny Weissmuller, e então resolveu se aposentar.
100m costas: David Theile, AUS (1956, 1960)
Após os Jogos de 1960, a FINA anunciou que os 100m costas não seriam disputados em 1964 para dar lugar aos 200m, em uma decisão controversa. Theile, velocista, se viu sem objetivos e decidiu encerrar a carreira. Em 1968, a FINA resolveria adotar conjuntamente os 100m e 200m costas, os quais mantêm até hoje.
100m costas: Roland Matthes, GDR (1968, 1972)
O maior nadador de costas da história, ficou invicto de 1967 a 1974. Em 1976, já estava em decadência. Tentou o tricampeonato nos 100m costas, mas não passou do terceiro lugar.
200m costas: Roland Matthes, GDR (1968, 1972)
Se nos Jogos de 1976 ele tentou o tri nos 100m costas, Matthes, já envelhecido, nem se arriscou nos 200m.
200m peito: Yoshiyuki Tsuruta (JPN) (1928, 1932)
Primeiro nadador japonês campeão olímpico, Tsuruta terminou a faculdade no mesmo ano de seu bicampeonato e resolveu seguir carreira profisssional fora das piscinas.
200m medley: Tamás Darnyi, HUN (1988, 1992)
400m medley: Tamás Darnyi, HUN (1988, 1992)
Darnyi não chegou a tentar o tricampeonato das provas de medley, pois se aposentou às vésperas do Mundial de 1994. Mas poderia ter vencido as provas em 1984, caso a Hungria não tivesse aderido ao boicote político no Jogos de Los Angeles.
400m medley: Tom Dolan, USA (1996, 2000)
Asmático, com capacidade respiratória 20% menor que a de uma pessoa normal, Dolan se desgastava muito nos treinos e resolveu se aposentar após o bi olímpico dos 400m medley. Ensaiou uma volta em 2002, visando os Jogos de 2004, disputou algumas competições, mas logo se retirou novamente.
Troféu Raia Quatro News
Autor: dtakata
Na segunda-feira, os melhores atletas do Brasil receberam seus troféus no Prêmio Brasil Olímpico. A natação está na expectativa para saber quem vencerá a eleição de melhor nadador do mundo da tradicional revista americana Swimming World. Aqui no Brasil, o site Bestswimming está organizando seu Troféu e irá eleger os melhores do ano em várias categorias da natação através de um painel de especialistas (o qual, com muita honra, fui convidado para participar).
Com essa enxurrada de prêmios, também decidimos fazer o nosso Troféu Raia Quatro News. Mas com categorias um tanto diferentes, como vocês irão notar. Grande parte faz referência a acontecimentos do Mundial de Roma, a competição mais importante do ano. Alguns vídeos distribuídos pelo texto ajudam a refrescar a memória. Uma forma de relembrar de uma maneira diferente alguns dos momentos mais marcantes do ano.
Troféu Passando no Gás - Rebecca Soni
Isso ninguém esperava da campeã olímpica! Nadando os 200m peito em Roma, Soni teve uma passagem animal de 1:05.73 nos primeiros 100m (isso que ela tinha feito 1:04.84 na final dos 100m peito), dois segundos à frente da concorrente mais próxima! Até o locutor da SporTV Luiz Carlos Junior se empolgou ao vê-la abrir mais de um corpo da linha do recorde mundial. Mas ninguém passa tão forte numa prova de 200m e sai ileso. Resultado: uma morrida histórica, um último 50m doloroso (parcial de 39.95!!!) e a perda até da medalha de bronze!
Troféu Vacilão - Caso Michael Phelps com maconha
Em fevereiro desse ano, uma imagem circulou nos principais noticiários do mundo: era Michael Phelps usando um bong, uma espécie de tubo, para fumar maconha. Alguém o flagrou em uma festa e resolveu vendê-la para um tabloide sensacionalista, trazendo grandes problemas para o nadador. O Troféu Vacilão não vai para Phelps, e sim para esse desocupado que resolveu ganhar uns trocados em cima de um momento de descontração do maior atleta da história olímpica.
Troféu Choradeira - Michael Phelps
Não, o chorão do ano não é César Cielo. Suas lágrimas comoveram o Brasil e o mundo mais uma vez, a exemplo do que aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2008. Desta vez, chorou copiosamente no topo do pódio dos 100m livre no Mundial de Roma. Mas quem leva o Troféu Choradeira é outro nadador, por motivos muito menos nobres. No ano passado, Michael Phelps era só elogios ao traje LZR da Speedo e seu ganho de flutuabilidade. Este ano, a vestimenta ultrapassada em relação aos Jakeds e Arenas. Phelps, fiel ao patrocinador, continuava usando o traje de sempre. Mas foi só tomar um couro do alemão Paul Biedermann nos 200m livre (que usava um X-Glide) no Mundial de Roma que ele resolveu abrir a boca e se contradizer todo. Após a prova, virou a cara para o alemão ainda na piscina e depois no pódio, e na coletiva de imprensa criticou veementemente os trajes tecnológicos, dizendo que a natação estava virando outro esporte. E ameaçou não competir mais até a FINA abolir os trajes. Uma postura totalmente diferente da que vinha tendo. Uma atitute totalmente anti-esportiva. Por isso, é o chorão do ano.
Troféu Falei Demais na Hora Errada - Mirolad Cavic
Cavic já havia provocado Phelps em Pequim/2008 antes dos 100m borboleta. Resultado: ouro para o americano por apenas um centésimo. No Mundial de Roma, este ano, o sérvio resolveu ir mais longe. Disse que venceria Phelps se os dois nadassem com o mesmo traje, e que poderia comprar um Arena para o americano para que os dois nadassem nas mesmas condições. Na final da prova, Cavic de Arena X-Glide e Phelps com um já ultrapassado Speedo LZR travaram uma batalha histórica. Ambos se tornaram os primeiros a nadar a prova abaixo dos 50 segundos, mas o ouro foi para Phelps, que após a vitória bateu no peito e exibiu seu traje para as câmeras, em um claro gesto de desabafo. Lição para Cavic: nunca alfinete seu adversário quando ele é melhor de todos os tempos.
Troféu Barraco - Federica Pellegrini
A musa italiana já havia vencido os 200m e 400m livre com recorde mundial. Nas eliminatórias do 4x200m livre, a equipe italiana quase não se classificou para a final. Em entrevista para uma emissora local, logo após a prova, Pellegrini alfinetou suas companheiras ao vivo, criticando a performance do revezamento na frente delas, o que certamente causou um climão na seleção italiana. Parodiando o famoso ditado, roupa suja se lava no vestiário, e não na frente de milhões de espectadores.
Troféu Chegadinha - Kirsty Coventry
A zimbabuana ainda não havia conquistado nenhuma medalha em Roma. Eis que chegou a hora de sua principal prova, os 200m costas, em que é recordista mundial e bicampeã olímpica. Quem viu a chegada da prova após uma disputa acirrada com a russa Anastasia Zueva teve a impressão de que Coventry queria mesmo era ganhar outra prata! Sua chegada foi tão ruim que a vantagem que tinha de meio corpo simplesmente sumiu e ela quase viu o ouro ir para o espaço. Não tentem fazer isso em casa e nem no treino, quanto mais em um Mundial!
Troféu With a Little Help From My Friends - Ariana Kukors
A americana havia se classificado para o Mundial de Roma para nadar apenas o revezamento 4x200m livre. Mas sua compatriota Elizabeth Pelton desistiu dos 200m medley, deixando uma vaga em aberto. Kukors foi convocada e aquela que não era nem a segunda nadadora dos Estados Unidos da prova estabeleceu um dos recordes mais impressionantes do ano. A marca, que antes de Roma era de 2:08.45 da australiana Stephanie Rice, chegou a um inacreditável 2:06.15! Uma melhora de mais de quatro segundos de seu tempo, um feito notável mesmo com os trajes hi-tech. E tudo isso com uma ajudinha de Elizabeth Pelton...
Troféu Linha do Recorde é Passado - Lin Zhang e Zige Liu
Em uma época que cansamos de ver os locutores gritando "olha a linha do recorde mundial" invariavelmente a cada final de prova, os chineses Lin Zhang e Zige Liu resolveram ignorá-la da maneira mais categórica possível. Isso porque em suas inacreditáveis performances a linha simplesmente sumiu das tomadas das câmeras! Primeiro, Zhang venceu os 800m livre no Mundial de Roma com 7:32.12, melhorando nada menos que seis segundos o recorde mundial de Grant Hackett! Isso criou grande expectativa em torno de sua performance dos 1500m, onde poderia superar outro recorde do australiano, o mais antigo da natação - no final das contas, Zhang não nadou bem a prova. Em outubro, nos Jogos Nacionais da China, Liu, campeã olímpica dos 200m borboleta, abaixou o recorde da prova da australiana Jessicah Schipper de 2:03.41 para 2:01.81, talvez a marca mais impressionante do ano, um tempo que dá canseira em muito marmanjo! O mais incrível é que ela obteve a marca com o LZR da Speedo, traje defasado em relação aos Arenas e Jakeds que dominaram a natação de alta performance este ano.
Troféu Chance Perdida - Aaron Peirsol
Apenas um nadador conquistou quatro vitórias consecutivas em Campeonatos Mundiais: o australiano Grant Hackett, nos 1500m livre, em 1998, 2001, 2003 e 2005. Em Roma, o americano Aaron Peirsol tinha a chance de igualar o feito nos 100m costas (fora campeão em 2003, 2005 e 2007). Era o favoritíssimo, pois havia acabado de bater o recorde mundial no Campeonato Americano. Na semifinal, adotou a tática que segue há tempos: nadar somente para assegurar uma vaga na final. Tática essa que já vinha se mostrando perigosa, pois o americano por vezes se classificava para a raia 2, raia 7... e dessa vez a zebra entrou na piscina, ajudada é verdade pela péssima chegada de Peirsol. Em 9º lugar, ficou de fora da final e da chance de brigar pelo ouro. Que provavelmente seria seu, pois com o tempo que abriu o revezamento 4x100m medley ele não teria dificuldades para vencer a prova.
Troféu Na Trave de Novo - Thiago Pereira
Thiago Pereira a cada ano chega cada vez mais perto. Mas ainda não conseguiu uma medalha em uma das principais competições internacionais. Acompanhe o retrospecto: 5º lugar nas Olimpíadas de Atenas/2004, 4º lugar no Mundial de Melbourne/2007 e 4º lugar nas olimpíadas de Pequim/2008, sempre nos 200m medley. Se fosse roteiro de filme, muitos diriam ser inverossímil. Mas Thiago novamente repetiu o quarto lugar em Roma. Não só uma, mas duas vezes (também nos 400m medley). E de maneira ainda mais dramática nos 200m: virou para os últimos 50 metros brigando pelo primeiro lugar e terminou fora do pódio por 19 centésimos. Após o Mundial, Thiago se mudou para os Estados Unidos, onde está treinando desde agosto. Tudo isso para assegurar que o filme tenha um final feliz em Londres/2012.
Troféu Mala do Ano - Craig Lord
Que os trajes tecnológicos mudaram a natação mundial, ninguém pode negar. Para o bem ou para o mal, todos tem suas opiniões. Mas Craig Lord, da Swimnews, um dos jornalistas especializados em natação mais respeitados do mundo, exagerou. Sua implicância com os resultados obtidos por nadadores trajando Arenas e Jakeds deu no saco! Em cada texto publicado, qualquer que fosse o assunto, sempre alfinetadas nos trajes e mesmo nos nadadores que os utilizavam, como se eles tivessem alguma culpa. Ele encheu tanto a paciência que Brett Hawke, treinador de César Cielo, chegou a enviar uma carta a Lord em resposta a um texto que ele criticava Fred Bousquet, outro pupilo de Hawke, por ter conseguido grandes resultados usando um Jaked! Sempre com opiniões polêmicas, este ano Craig Lord passou dos limites.
Troféu Me Dei Bem - Ryan Lochte
Até 2007, Ryan Lochte era um eterno vice-campeão. Afinal de contas, nadava as mesmas provas de Aaron Peirsol e Michael Phelps. Foi então que no Mundial de Melbourne derrotou Peirsol nos 200m costas, vitória repetida nas Olimpíadas de Pequim. Quanto a Phelps, Lochte continuava almejando o lugar mais alto do pódio nas provas de medley. Por isso, ele deve ter respirado aliviado quando Phelps desistiu de nadar as provas de medley este ano. Lochte venceu os 200m e 400m medley em Roma, a primeira com recorde mundial. Como se não bastasse, foi escolhido pela Federação Americana como o melhor nadador de 2009, um feito conquistado nos três anos anteriores pelo maior nadador da história. Uma decisão controversa, afinal Phelps teve mais conquistas que Lochte este ano. Pesou o caso da maconha. Justo ou não, foi mais uma vitória de Lochte em um território antes dominado por Phelps.
Troféu Acabando com o Bolão - Sarah Sjöstrom
Havia muitas concorrentes ao ouro nos 100m borboleta no Mundial de Roma. A holandesa Marleen Veldhuis, a australiana Jessicah Schipper, a americana Cristine Magnusson, a chinesa Liuyang Jiao e até a brasileira Gabriella Silva almejavam o lugar mais alto do pódio. Mas talvez nem os pais de Sarah Sjöstrom, 15 anos, estreante em grandes competições, apostariam na jovem sueca para medalhar, quanto mais para vencer a prova e superar o recorde mundial de 9 anos, o mais antigo da natação! Afinal, Sjöstrom não figurava nem entre as 20 primeiras do ranking mundial e era um nome desconhecido na natação internacional. Se alguém apostou em seu nome em alguma bolsa de apostas, deve ter levado uma bolada!
Troféu Emoção Zero - Roby Porto e Gustavo Borges
A final dos 100m livre no Mundial de Roma fez a TV Globo abrir um espaço em sua programação para a natação, devido a presença de dois brasileiros, César Cielo e Nicolas Oliveira, e uma chance real de pódio e até de vitória. Até aí nada de novo. Em 2003, a emissora exibiu a final dos 50m borboleta no Mundial de Barcelona, uma prova não olímpica e na qual Fernando Scherer tinha poucas chances de medalha. Só que agora era diferente. Afinal de contas, Cielo acabou vencendo a prova nobre da natação com recorde mundial. Mas quem é leigo na natação e estava ligado na Globo naquele horário ficou com a impressão de que isso era a coisa mais normal do mundo, dada a emoção nula do narrador Roby Porto. Gustavo Borges como comentarista também não ajuda. Quem assistiu na SporTV, com Luiz Carlos Jr na naração e Coach Alexandre Pussieldi nos comentários, pôde sentir a diferença.
Com essa enxurrada de prêmios, também decidimos fazer o nosso Troféu Raia Quatro News. Mas com categorias um tanto diferentes, como vocês irão notar. Grande parte faz referência a acontecimentos do Mundial de Roma, a competição mais importante do ano. Alguns vídeos distribuídos pelo texto ajudam a refrescar a memória. Uma forma de relembrar de uma maneira diferente alguns dos momentos mais marcantes do ano.
Troféu Passando no Gás - Rebecca Soni
Isso ninguém esperava da campeã olímpica! Nadando os 200m peito em Roma, Soni teve uma passagem animal de 1:05.73 nos primeiros 100m (isso que ela tinha feito 1:04.84 na final dos 100m peito), dois segundos à frente da concorrente mais próxima! Até o locutor da SporTV Luiz Carlos Junior se empolgou ao vê-la abrir mais de um corpo da linha do recorde mundial. Mas ninguém passa tão forte numa prova de 200m e sai ileso. Resultado: uma morrida histórica, um último 50m doloroso (parcial de 39.95!!!) e a perda até da medalha de bronze!
Troféu Vacilão - Caso Michael Phelps com maconha
Em fevereiro desse ano, uma imagem circulou nos principais noticiários do mundo: era Michael Phelps usando um bong, uma espécie de tubo, para fumar maconha. Alguém o flagrou em uma festa e resolveu vendê-la para um tabloide sensacionalista, trazendo grandes problemas para o nadador. O Troféu Vacilão não vai para Phelps, e sim para esse desocupado que resolveu ganhar uns trocados em cima de um momento de descontração do maior atleta da história olímpica.
Troféu Choradeira - Michael Phelps
Não, o chorão do ano não é César Cielo. Suas lágrimas comoveram o Brasil e o mundo mais uma vez, a exemplo do que aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2008. Desta vez, chorou copiosamente no topo do pódio dos 100m livre no Mundial de Roma. Mas quem leva o Troféu Choradeira é outro nadador, por motivos muito menos nobres. No ano passado, Michael Phelps era só elogios ao traje LZR da Speedo e seu ganho de flutuabilidade. Este ano, a vestimenta ultrapassada em relação aos Jakeds e Arenas. Phelps, fiel ao patrocinador, continuava usando o traje de sempre. Mas foi só tomar um couro do alemão Paul Biedermann nos 200m livre (que usava um X-Glide) no Mundial de Roma que ele resolveu abrir a boca e se contradizer todo. Após a prova, virou a cara para o alemão ainda na piscina e depois no pódio, e na coletiva de imprensa criticou veementemente os trajes tecnológicos, dizendo que a natação estava virando outro esporte. E ameaçou não competir mais até a FINA abolir os trajes. Uma postura totalmente diferente da que vinha tendo. Uma atitute totalmente anti-esportiva. Por isso, é o chorão do ano.
Troféu Falei Demais na Hora Errada - Mirolad Cavic
Cavic já havia provocado Phelps em Pequim/2008 antes dos 100m borboleta. Resultado: ouro para o americano por apenas um centésimo. No Mundial de Roma, este ano, o sérvio resolveu ir mais longe. Disse que venceria Phelps se os dois nadassem com o mesmo traje, e que poderia comprar um Arena para o americano para que os dois nadassem nas mesmas condições. Na final da prova, Cavic de Arena X-Glide e Phelps com um já ultrapassado Speedo LZR travaram uma batalha histórica. Ambos se tornaram os primeiros a nadar a prova abaixo dos 50 segundos, mas o ouro foi para Phelps, que após a vitória bateu no peito e exibiu seu traje para as câmeras, em um claro gesto de desabafo. Lição para Cavic: nunca alfinete seu adversário quando ele é melhor de todos os tempos.
Troféu Barraco - Federica Pellegrini
A musa italiana já havia vencido os 200m e 400m livre com recorde mundial. Nas eliminatórias do 4x200m livre, a equipe italiana quase não se classificou para a final. Em entrevista para uma emissora local, logo após a prova, Pellegrini alfinetou suas companheiras ao vivo, criticando a performance do revezamento na frente delas, o que certamente causou um climão na seleção italiana. Parodiando o famoso ditado, roupa suja se lava no vestiário, e não na frente de milhões de espectadores.
Troféu Chegadinha - Kirsty Coventry
A zimbabuana ainda não havia conquistado nenhuma medalha em Roma. Eis que chegou a hora de sua principal prova, os 200m costas, em que é recordista mundial e bicampeã olímpica. Quem viu a chegada da prova após uma disputa acirrada com a russa Anastasia Zueva teve a impressão de que Coventry queria mesmo era ganhar outra prata! Sua chegada foi tão ruim que a vantagem que tinha de meio corpo simplesmente sumiu e ela quase viu o ouro ir para o espaço. Não tentem fazer isso em casa e nem no treino, quanto mais em um Mundial!
Troféu With a Little Help From My Friends - Ariana Kukors
A americana havia se classificado para o Mundial de Roma para nadar apenas o revezamento 4x200m livre. Mas sua compatriota Elizabeth Pelton desistiu dos 200m medley, deixando uma vaga em aberto. Kukors foi convocada e aquela que não era nem a segunda nadadora dos Estados Unidos da prova estabeleceu um dos recordes mais impressionantes do ano. A marca, que antes de Roma era de 2:08.45 da australiana Stephanie Rice, chegou a um inacreditável 2:06.15! Uma melhora de mais de quatro segundos de seu tempo, um feito notável mesmo com os trajes hi-tech. E tudo isso com uma ajudinha de Elizabeth Pelton...
Troféu Linha do Recorde é Passado - Lin Zhang e Zige Liu
Em uma época que cansamos de ver os locutores gritando "olha a linha do recorde mundial" invariavelmente a cada final de prova, os chineses Lin Zhang e Zige Liu resolveram ignorá-la da maneira mais categórica possível. Isso porque em suas inacreditáveis performances a linha simplesmente sumiu das tomadas das câmeras! Primeiro, Zhang venceu os 800m livre no Mundial de Roma com 7:32.12, melhorando nada menos que seis segundos o recorde mundial de Grant Hackett! Isso criou grande expectativa em torno de sua performance dos 1500m, onde poderia superar outro recorde do australiano, o mais antigo da natação - no final das contas, Zhang não nadou bem a prova. Em outubro, nos Jogos Nacionais da China, Liu, campeã olímpica dos 200m borboleta, abaixou o recorde da prova da australiana Jessicah Schipper de 2:03.41 para 2:01.81, talvez a marca mais impressionante do ano, um tempo que dá canseira em muito marmanjo! O mais incrível é que ela obteve a marca com o LZR da Speedo, traje defasado em relação aos Arenas e Jakeds que dominaram a natação de alta performance este ano.
Troféu Chance Perdida - Aaron Peirsol
Apenas um nadador conquistou quatro vitórias consecutivas em Campeonatos Mundiais: o australiano Grant Hackett, nos 1500m livre, em 1998, 2001, 2003 e 2005. Em Roma, o americano Aaron Peirsol tinha a chance de igualar o feito nos 100m costas (fora campeão em 2003, 2005 e 2007). Era o favoritíssimo, pois havia acabado de bater o recorde mundial no Campeonato Americano. Na semifinal, adotou a tática que segue há tempos: nadar somente para assegurar uma vaga na final. Tática essa que já vinha se mostrando perigosa, pois o americano por vezes se classificava para a raia 2, raia 7... e dessa vez a zebra entrou na piscina, ajudada é verdade pela péssima chegada de Peirsol. Em 9º lugar, ficou de fora da final e da chance de brigar pelo ouro. Que provavelmente seria seu, pois com o tempo que abriu o revezamento 4x100m medley ele não teria dificuldades para vencer a prova.
Troféu Na Trave de Novo - Thiago Pereira
Thiago Pereira a cada ano chega cada vez mais perto. Mas ainda não conseguiu uma medalha em uma das principais competições internacionais. Acompanhe o retrospecto: 5º lugar nas Olimpíadas de Atenas/2004, 4º lugar no Mundial de Melbourne/2007 e 4º lugar nas olimpíadas de Pequim/2008, sempre nos 200m medley. Se fosse roteiro de filme, muitos diriam ser inverossímil. Mas Thiago novamente repetiu o quarto lugar em Roma. Não só uma, mas duas vezes (também nos 400m medley). E de maneira ainda mais dramática nos 200m: virou para os últimos 50 metros brigando pelo primeiro lugar e terminou fora do pódio por 19 centésimos. Após o Mundial, Thiago se mudou para os Estados Unidos, onde está treinando desde agosto. Tudo isso para assegurar que o filme tenha um final feliz em Londres/2012.
Troféu Mala do Ano - Craig Lord
Que os trajes tecnológicos mudaram a natação mundial, ninguém pode negar. Para o bem ou para o mal, todos tem suas opiniões. Mas Craig Lord, da Swimnews, um dos jornalistas especializados em natação mais respeitados do mundo, exagerou. Sua implicância com os resultados obtidos por nadadores trajando Arenas e Jakeds deu no saco! Em cada texto publicado, qualquer que fosse o assunto, sempre alfinetadas nos trajes e mesmo nos nadadores que os utilizavam, como se eles tivessem alguma culpa. Ele encheu tanto a paciência que Brett Hawke, treinador de César Cielo, chegou a enviar uma carta a Lord em resposta a um texto que ele criticava Fred Bousquet, outro pupilo de Hawke, por ter conseguido grandes resultados usando um Jaked! Sempre com opiniões polêmicas, este ano Craig Lord passou dos limites.
Troféu Me Dei Bem - Ryan Lochte
Até 2007, Ryan Lochte era um eterno vice-campeão. Afinal de contas, nadava as mesmas provas de Aaron Peirsol e Michael Phelps. Foi então que no Mundial de Melbourne derrotou Peirsol nos 200m costas, vitória repetida nas Olimpíadas de Pequim. Quanto a Phelps, Lochte continuava almejando o lugar mais alto do pódio nas provas de medley. Por isso, ele deve ter respirado aliviado quando Phelps desistiu de nadar as provas de medley este ano. Lochte venceu os 200m e 400m medley em Roma, a primeira com recorde mundial. Como se não bastasse, foi escolhido pela Federação Americana como o melhor nadador de 2009, um feito conquistado nos três anos anteriores pelo maior nadador da história. Uma decisão controversa, afinal Phelps teve mais conquistas que Lochte este ano. Pesou o caso da maconha. Justo ou não, foi mais uma vitória de Lochte em um território antes dominado por Phelps.
Troféu Acabando com o Bolão - Sarah Sjöstrom
Havia muitas concorrentes ao ouro nos 100m borboleta no Mundial de Roma. A holandesa Marleen Veldhuis, a australiana Jessicah Schipper, a americana Cristine Magnusson, a chinesa Liuyang Jiao e até a brasileira Gabriella Silva almejavam o lugar mais alto do pódio. Mas talvez nem os pais de Sarah Sjöstrom, 15 anos, estreante em grandes competições, apostariam na jovem sueca para medalhar, quanto mais para vencer a prova e superar o recorde mundial de 9 anos, o mais antigo da natação! Afinal, Sjöstrom não figurava nem entre as 20 primeiras do ranking mundial e era um nome desconhecido na natação internacional. Se alguém apostou em seu nome em alguma bolsa de apostas, deve ter levado uma bolada!
Troféu Emoção Zero - Roby Porto e Gustavo Borges
A final dos 100m livre no Mundial de Roma fez a TV Globo abrir um espaço em sua programação para a natação, devido a presença de dois brasileiros, César Cielo e Nicolas Oliveira, e uma chance real de pódio e até de vitória. Até aí nada de novo. Em 2003, a emissora exibiu a final dos 50m borboleta no Mundial de Barcelona, uma prova não olímpica e na qual Fernando Scherer tinha poucas chances de medalha. Só que agora era diferente. Afinal de contas, Cielo acabou vencendo a prova nobre da natação com recorde mundial. Mas quem é leigo na natação e estava ligado na Globo naquele horário ficou com a impressão de que isso era a coisa mais normal do mundo, dada a emoção nula do narrador Roby Porto. Gustavo Borges como comentarista também não ajuda. Quem assistiu na SporTV, com Luiz Carlos Jr na naração e Coach Alexandre Pussieldi nos comentários, pôde sentir a diferença.
Um presente estrelado. E o futuro?
Autor: dtakata

Se César Cielo saísse da piscina do Pinheiros hoje e anunciasse sua aposentadoria, ele não só já estaria garantido na história como o maior nadador brasileiro como também um dos maiores esportistas do país em todos os tempos. Em esportes individuais, comparativamente, poucos alcançaram feitos semelhantes a ele. Podemos citar Adhemar Ferreira da Silva, Maria Esther Bueno, Robert Scheidt, Torben Grael, Gustavo Kuerten... e a lista pára por aqui.
Com o recorde mundial de 20.91 dos 50m livre conseguido hoje no Open CBDA, ele completa a verdadeira trinca desejada por todo atleta em sua prova: campeão olímpico, campeão mundial e recordista mundial. O resto (Copa do Mundo, Mundial de Curta, Pan-Americano, Pan-Pacífico) não faz muita diferença no nível que ele chegou. A propósito, é o único da história a ostentar os três feitos simultaneamente nos 50m livre! A cereja no bolo foi enfim ter conseguido o recorde tão perseguido justamente na piscina do Pinheiros, seu clube, sua casa. Cesão soube controlar bem seu emocional depois de ter ficado a oito centésimos do antigo recorde (20.94 do francês Frederick Bousquet) na tarde de ontem.
Curiosamente, o recorde vem exatamente quatro anos depois que Kaio Márcio estabeleceu o recorde mundial dos 50m borboleta em piscina curta, em 17 de dezembro de 2005, em Santos. Antes daquilo, o último recorde mundial brasileiro havia acontecido sete anos antes, no revezamento 4x100m livre masculino, também em piscina de 25m. Desde 2005, contando o recorde de Kaio e este de Cielo, foram nada menos que seis marcas mundiais conquistadas por brasileiros! Cielo, aliás, é o segundo brasileiro na história a conseguir dois recordes mundiais em piscina de 50m. Antes dele, somente Maria Lenk, nos 200m e 400m peito.
Como já foi dito, se Cielo se aposentasse hoje, sairia das piscinas para virar mito. O que mais ele pode almejar? Bem, em termos de conquistas, falta aquela que talvez seja a mais importante para os velocistas: o ouro olímpico dos 100m livre, a prova nobre da natação. É exatamente o que falta para coloca-lo no mesmo patamar de Pieter Hoogenband, Alex Popov, Matt Biondi e outros. E em termos de objetivos pessoais, só ele poderá dizer.

Falando em 100m livre, anteontem Cesão fez sua terceira melhor marca, com 47.13. Hoje, abrindo o revezamento 4x100m livre, ainda pilhado pelo recorde mundial, fez 47.29, seu quarto melhor tempo. Agora ele tem três dos seis melhores tempos da história da prova:
1. 46.91 César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 30/07/2009
2. 46.94 Alain Bernard, FRA Campeonato Francês Montpellier 23/04/2009
3. 47.05sf Eamon Sullivan, AUS Jogos Olímpicos Pequim 13/08/2008
4. 47.09r César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 26/07/2009
5. 47.12 Alain Bernard, FRA Campeonato Mundial Roma 30/07/2009
6. 47.13 César Cielo, BRA Troféu Daltely Guimarães São Paulo 16/12/2009
Nos 50m livre, seu domínio é mais evidente: quatro das cinco melhores performances de todos os tempos.
1. 20.91 César Cielo, BRA Open CBDA São Paulo 18/12/2009
2. 20.94 Fred Bousquet, FRA Campeonato Francês Montpellier 26/04/2009
3. 21.02 César Cielo, BRA Troféu Daltely Guimarães São Paulo 17/12/2009
4. 21.08 César Cielo, BRA Campeonato Mundial Roma 01/08/2009
5. 21.14b César Cielo, BRA Campeonato Americano Indianápolis 09/07/2009
Ele ainda terá uma outra chance para melhorar seu tempo abrindo o revezamento 4x50m livre, amanhã de manhã. Depois disso, o que acontecerá, com o advento do fim dos trajes tecnológicos? Certamente estes recordes durarão algum tempo. Como prever 2010?
Um estudo pode ser feito observando os tempos líderes dos rankings mundiais dos 100m livre masculino nos últimos 50 anos, até 2007, quando todos ainda nadavam apenas com trajes têxteis. O gráfico a seguir ilustra esse panorama:

Os pontos representam os tempos líderes dos rankings mundiais. A linha é uma função obtida com o objetivo de estabelecer uma relação entre tempo e ano. Com o intuito de prever qual será o tempo líder do ranking mundial dos 100m livre em 2010, obviamente não podemos considerar os tempos dos últimos dois anos, conseguidos com trajes hi-tech. Com a função obtida de 1958 a 2007, técnicas estatísticas de projeção e margens de erro e conhecimento de causa, podemos afirmar que o melhor tempo do mundo de 2010 ficará entre 47.60 e 48.20. Nada de 46 alto ou 47 baixo. Mas estamos falando da prova do maior esportista brasileiro da atualidade e que caminha para entrar na história da natação mundial. Qualquer barreira é mais uma motivação. Tomara que ele leia este texto e mande essa previsão para o espaço!
Nova revista de natação
Autor: dtakata

Uma nova revista de natação está surgindo no Brasil. E desta vez promete vir para ficar! Um meio de comunicação pouco explorado e lembrado até hoje no nosso esporte, as investidas nesse filão nunca duraram muito tempo. A revista isWIN será lançada em julho, em nível nacional, e tratará de natação e maratonas aquáticas.
Para sabermos mais sobre esse projeto, conversamos com a editora-chefe da revista, Cristiane Zimmerman.
Muita gente do mundo da natação ainda não te conhece.
Meu nome é Cristiane Zimmerman, sou natural de Santa Catarina, Balneário Camboriú, sou formada em Teologia e trabalho com comunicação há quatro anos.
Pelo visto você não é nenhuma pára-quedista no mundo da natação. Como surgiu a ligação com o esporte?
Na verdade eu tinha dois amigos nadadores, Fernando Silva e Felipe França, e comecei acompanhá-los nas competições, e a paixão por natação começou aí. Depois fui morar em São Paulo e meu vínculo de amizades era o pessoal da natação. Sempre que a gente saía, geralmente com Armando Negreiros, André Brasil que é um grande amigo meu, Alan Nagaoka, entre outros, e ficavam falando de natação e eu ficava perdida no meio deles, ouvindo tempos, índices, quem fez tal tempo, quem não fez, quem deixou de fazer, o tempo que eles queriam fazer...
E você foi obrigada a passar a entender.
Exatamente, senão eu ia ficar boiando no assunto!
E como surgiu a idéia de fazer uma revista?
Eu trabalho com comunicação, e fomos procurados para fazer um Workshop de natação para o estado de Santa Catarina. Quem procurou a gente foi Alessandro Koizumi, ex-nadador, costista. Ele comentou que tinha um desejo de fazer esse Workshop e mais pra frente, se surgisse oportunidade, de fazer uma revista, mas não sabia como começar, por não ter uma empresa já montada. Sugeri a ele que fizéssemos uma revista em nível nacional, com muitas matérias, muitas páginas, uma revista bem completa. A idéia dele era completamente diferente da minha. Eu sempre quis fazer algo ligado a natação para divulgar o esporte, fazê-lo crescer. Ele queria uma revista regional, incluindo todos os esportes aquáticos, e eu uma revista nacional, abrangendo natação e maratonas aquáticas. Foi aí que montei toda a revista, os temas, os títulos, a revista é composta de 27 matérias dos mais variados assuntos. Temos quatro colunistas: Alexandre Pussieldi, Fabíola Molina, Rogério Romero e Carlos Camargo. Eles abraçaram o projeto, e tenho apoio dos clubes e técnicos que estão muito felizes com a atitude de divulgar a natação, um meio de divulgação de mídia que no Brasil ainda não é utilizado.
Qual é o significado do nome?
isWIN significa "é vencer", mas dá também a sensação de "é nadar" ou "eu nado".
Será mais voltada para a parte competitiva, ou para quem está começando...?
Será voltada para os atletas, acompanhando as competições, absolutos, e também para quem está começando a nadar, quem gosta do esporte. O público vai ser bem abrangente. Hoje o Brasil tem como um dos esportes mais praticados a natação, não só nos clubes como em escolinhas, academias, e sei que vários estados têm projetos para montar piscinas para a população carente ter acesso ao esporte. E um processo em longo prazo, mas se der tudo certo a gente vai conseguir!

Parte de matéria que será veiculada na primeira edição da isWIN
Mais recentemente tivemos algumas revistas de natação no Brasil, como Aquasport e Natação Hammerhead, mas todas acabaram. Por que acha que isso aconteceu? O que fazer para não acontecer novamente?
Eu vi algumas revistas, a gente fez algumas pesquisas com revistas estrangeiras e acredito que depende muito... é muito difícil montar uma revista se você não tiver uma boa estrutura, um bom apoio de pessoas que estão no meio da natação, outros vínculos, no comércio, empresários. A gente tem um produto muito bacana, uma revista muito ampla. Ela será bem abrangente, vai abordar vários temas, não só o atleta que compete, como também o atleta que tem deficiência, alimentação, suplementos, complementos, as crianças que dão as primeiras braçadas, a família que acompanha... Então acho que para fazer com que uma revista ou qualquer tipo de projeto permaneça no mercado, você tem que acreditar naquilo que você está fazendo. Se não acreditar, não adianta. Tem que trabalhar muito, é preciso muito esforço, muita dedicação, muito foco... Não é fácil, mas com persistência a gente consegue.
A revista vai ser vendida em banca, livraria, assinatura...?
Por assinatura e distribuída nas livrarias mais conhecidas nas capitais do Brasil, ainda não sei por qual distribuidora.
Por qual editora?
Na verdade a revista é editora E revista.
Qual será a tiragem?
A primeira tiragem vai ser gratuita, de 20 mil exemplares, e as demais tiragens de 40 mil até o final de 2010.
E será mensal?
Isso. O lançamento vai ser no dia 16 de julho de 2010, em Florianópolis, e vai contar com a presença de alguns atletas internacionais.
Pode falar quem são?
Ainda não! (risos)
Para finalizar, gostaria de agradecer muito ao pessoal da Unisul, principalmente os técnicos Carlão (Carlos Camargo) e Marquinhos (Marcus Vinícius). Fiquei muito feliz na semana passada quando fizemos um intensivo lá buscando aprimorar nossos conhecimentos em natação. Fomos recebidos de maneira inacreditável, foi fantástico. Em nenhum momento eles se limitaram a ajudar, em responder as perguntas, as dúvidas, sempre prontamente eles nos esclareciam. O clima do clube, os atletas são maravilhosos, comprometidos, dão um show de maturidade, de comprometimento com o técnico, com a natação... Foi muito bom, estou muito agradecida ao suporte. A gente tem estudado muito, e fica meu agradecimento ao Carlão, ao Marquinhos, ao Marcelo Amin (presidente da Federação Catarinense de Natação) e a todo pessoal da Unisul.
Boa sorte na empreitada e ficaremos na torcida para que o projeto contribua e engrandeça ainda mais a natação brasileira.
Obrigada.

Qual é a da Copa do Mundo?
Autor: dtakata

E o circuito da Copa do Mundo deste ano em piscina curta terminou no fim-de-semana passado, em Cingapura. A americana Jessica Hardy e o sul-africano Cameron Van Der Burgh (foto acima) terminaram como os grandes vencedores após seis etapas, levando para casa 100 mil dólares cada um por terem sido os melhores nadadores do circuito pelo complicado critério de pontos criado pela FINA. Obviamente isso não quer dizer que estes atletas são os melhores do mundo da atualidade - muito longe disso por sinal. Afinal de contas, onde estão os campeões olímpicos?
Em relação ao número de recordes mundiais, nem é preciso fazer muitos comentários. Foram 37, recorde na história da Copa. Mas 2009 também foi o ano com mais marcas mundiais, Roma sediou o Mundial com mais recordes da história... Se os trajes tecnológicos continuassem a ser permitidos, talvez daqui a algum tempo, um ou dois anos, bater um recorde mundial voltaria a ter o significado que já teve. Como serão proibidos a partir do ano que vem, teremos um período no qual um recorde mundial terá uma importância diferente do que já teve. Ou seja, melhor nem considerar esse número.
Qual foi o legado da Copa do Mundo de 2009? Infelizmente, foi o mesmo que o dos últimos anos: muito pequeno. Objetivamente falando, a popularidade de um evento esportivo em geral se dá pelo número de astros que participam dele. Nos maiores acontecimentos do esporte do mundo, os vitoriosos se tornam estrelas. Mas em competições menores (e aí se inclui a Copa do Mundo de natação), é o contrário: as estrelas é engrandecem os eventos.
Quais são os grandes nomes da natação mundial? Inquestionavelmente, pelo que fizeram nos últimos dois anos, estão entre eles Michael Phelps, Federica Pellegrini, César Cielo, Britta Steffen, Paul Biedermann, Ryan Lochte, Aaron Peirsol e Stephanie Rice. Biedermann foi o único deles que se mostrou em boa forma na Copa, quebrando dois recordes mundiais na etapa de Berlim. Phelps nadou duas etapas para treinar, e Peirsol apareceu na última também longe da melhor forma. Os outros sequer deram as caras.
Que diferença do atletismo, onde no último grande evento do ano, a Final Mundial, atletas como Usain Bolt e Yelena Isinbayeva mostraram seu talento e voltaram para a casa um pouco mais ricos e consagrados.
Foi bom ter citado o dinheiro. Talvez uma das grandes diferenças de motivação seja a forma de premiação. Depois de várias competições durante o ano, os classificados para a Final Mundial de atletismo podem conquistar 100 mil dólares a cada recorde mundial quebrado, além de 30 mil para o primeiro colocado de cada prova, 20 mil para o segundo e 12 mil para o terceiro. Na Copa do Mundo de natação, são 1.500 para o primeiro, mil para o segundo e 500 para o terceiro em cada etapa.
Os lugares escolhidos para abrigar as etapas da Copa também não contribuem para a presença de estrelas. Este ano, a etapa mais estrelada foi a de Berlim. Isso já acontece há alguns anos. Em outras etapas (e aí se inclui a etapa do Brasil, este ano excluída do calendário), aparecem alguns gatos pingados estrangeiros. Não é difícil lembrar que quando Austrália e Estados Unidos eram sedes, os grandes nomes também apareciam para nadar. E isso atraia gente em busca de competições de alto nível. Berlim, Nova York e Sydney formavam a santíssima trindade da Copa. Ninguém dava muita importância para o resto. Agora que só restou Berlim, a importância da Copa se reduziu. Repetindo: sem estrelas, a divulgação da mídia é ínfima, não importa muito o nível técnico.

Michael Phelps na etapa de Sydney em 2003: lá o bicho pegava
E existe também o fato da piscina de 25m. Não acho que esse seja um grande problema. Todo ano final de ano é disputado o Campeonato Europeu de curta, com os principais nadadores europeus (e em geral mais estrelado que a Copa do Mundo). Obviamente não há comparação entre ser recordista mundial em piscina longa (principalmente em uma prova olímpica) e em piscina curta. Alexander Popov dizia que "piscina curta é tipo brincadeira de criança".
O problema maior para a FINA é encontrar um modo de atrair as estrelas para manter a Copa do Mundo em evidência. O atletismo já descobriu uma maneira. É difícil copiar o atletismo, mas há de se dar um jeito. Para os brasileiros, é inegável o ganho com a possibilidade de competir internacionalmente. Mas muito pouca gente sequer saberá disso enquanto a Copa do Mundo seguir do jeito que está. Lugares mais atraentes e mais prêmios para atrair os astros são possibilidades a se pensar.
Para encerrar, um texto escrito por David Berkoff em 1997 sobre os recordes mundiais de curta (texto retirado do Swim It Up! impresso, nº 8). Na época, recordes em piscina de 25m eram coisa recente (desde 1993 a FINA passou a reconhecê-los) e ele resolveu polemizar. Lendo o texto 12 anos depois, parece um pouco radical, mas não deixa de ter sua parcela de razão. Berkoff foi vice-campeão olímpico dos 100m costas em 1988 após ter quebrado o recorde mundial da prova na eliminatória.
Eu também acho que os recordes de curta não valem o título de "recordes mundiais". De fato, apenas alguns se comparam aos de longa. Por anos americanos e estudantes visitantes vêm nadando em jardas e nenhum destes recordes foi reconhecido fora dos EUA. E acredito que não devam.
No Mundial e nas Olimpíadas, os eventos são somente na longa. e é onde verdadeiros nadadores são elevados ao status de campeões. Olhe para a TV. Nós temos o Xtreme Games na ESPN, onde snowboarders são tratados como atletas olímpicos - embora ache legal ver estes esportes, zombo da idéia de que eles estão no mesmo nível profissional dos maiores esportes olímpicos. Olhe a estupidez de esportes pré-fabricados na TV, como aeróbica, vale-tudo, etc. O que estou tentando deixar claro é que a natação e diversos outros esportes estão tentando competir com esta tendência de trivialização do valor dos esportes.
Recordes na curta estão na mesma linha. Eu não trocaria meu velho recorde mundial dos 100m costas na longa por 20 na curta. Nem o fariam a maioria dos nadadores que têm ou tiveram um. O fato é, jogos são elevados para o esporte quando eles já têm alguma história por trás. A natação na longa está aí quase o mesmo tempo que o próprio esporte, especialmente nós americanos sofremos de uma necessidade neurótica de imediatamente sermos diferentes ou bons em algo que ninguém mais é, e então rapidamente canonizar a atividade como legítima. Nós não permitimos tempo ao jogo amadurecer, desenvolver, tornar-se profissional, ou ter boas performances antes de o querermos tão legítimos quanto, digamos, o basquete ou o atletismo.
Então, para concluir. Recordes na curta são um sintoma do fenômeno dos anos 90. Sem imediata gratificação, mas imediata importância. Paciência está faltando em qualquer lugar. Ninguém quer "esperar e ver" se um jogo se tornará um esporte. Em nossos esforços para ovacionar resultados e manchetes de NOVOS RECORDES MUNDIAIS ou 3 VEZES OURO NO EXTREME GAMES, nós esquecemos que a maior parte do esporte é a legitimidade.
Eu agora volto para minha insignificância.
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Uma vez atleta, sempre atleta
Autor: dtakata
Uma bela surpresa no Campeonato Carioca Junior-Senior que está sendo realizado no Botafogo foi ver Mariana Moraes Rangel nadando as provas de fundo. Mas alguns, principalmente os mais novos, podem se perguntar: quem é ela?
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Mariana foi uma das principais fundistas do país na década de 90, mas teve sua carreira abreviada por uma fatalidade: em 1999, foi baleada na perna numa tentativa de assalto. Ela se recuperou totalmente, mas ficou oito anos e meio sem dar sequer uma braçada.
Foi quando no ano passado foi a uma festa junina no Fluminense, clube em que viveu seu auge na natação, e lá encontrou seu antigo técnico Luiz Raphael. "Ele disse 'nossa, você está magrinha, por que não volta a nadar?'", diz Mariana. "Meu namorado, torcedor doente do tricolor, foi o outro culpado!". Então resolveu arriscar. Nadou mil metros no primeiro dia e pensou "isso aqui não vai dar certo..." Mas o coração de atleta falou mais alto e também a vontade de sentir de novo a adrenalina e o frio na barriga nas competições.

Mariana e seu namorado Marcus
E isso não faltou em sua carreira. Quando disputava competições de categorias inferiores, Mariana conquistou diversos títulos brasileiros e sul-americanos em provas longas, e também beliscava medalhas em provas de costas. Na categoria absoluta, de 1993 a 1999, era presença constante no pódio das principais competições do país, sempre nos 400m, 800m e 1500m livre e às vezes nos 400m medley. Tem um dos melhores tempos da história do Brasil nos 1500m até hoje: 17:14.58, de 1995, que a coloca no 11º lugar no ranking brasileiro de todos os tempos. Travou grandes duelos com Luciana Sagae Abe, Fabiana Carreço de Oliveira, Juliana Filippini e Patrícia Amorim, esta já em final de carreira. Tem inclusive uma boa recordação da piscina do Botafogo: "Foi aqui que bati o recorde brasileiro dos 800m livre em piscina curta, em 1995, com 8:48, que era da Patrícia".
Em 1996, foi prata nos 800m livre no Troféu José Finkel, atrás de Luciana. Com o bronze, uma jovem revelação: Poliana Okimoto, de apenas 13 anos, hoje campeã mundial do circuito de maratonas aquáticas. "Um dia desse adicionei a Poliana no orkut, achando que ela nem fosse lembrar de mim, mas ela respondeu 'claro que me lembro, você era minha ídola!'", conta orgulhosa. "Nunca imaginei que pudesse ser referência para alguém. Às vezes quando nos destacamos não temos muita noção disso".
Em 1999, seguindo seu técnico Luiz Raphael, trocou o Flu pelo Vasco, na época do super projeto olímpico da equipe cruz-maltina, que adquiriu a maior parte dos grandes nadadores do país. Mas tão logo começaram os treinos naquele ano aconteceu a fatalidade. Foi no dia 26 de março, quando saía de carro do treino em São Januário. Mariana foi baleada na altura do joelho em uma tentativa de assalto. Mesmo ferida, conseguiu dirigir até um posto de gasolina, onde pediu socorro. A bala perfurou a artéria femural e duas veias profundas. A nadadora perdeu cerca de 2,5 litros de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e entrou em coma. "Não era minha hora", diz ela.
Na época, o acontecimento causou comoção na comunidade aquática, sendo notícia inclusive em noticiários estrangeiros. "Recebi muitas mensagens de incentivo, inclusive da seleção brasileira que no mesmo dia estava viajando para disputar o Mundial de Curta". E completa: "Infelizmente, violência existe no Brasil inteiro, no Rio talvez um pouco mais. Talvez na época por impulso poderia ter saído daqui. Mas foi uma fatalidade".
Pela gravidade do acidente, sua recuperação foi em tempo recorde. Em seu favor, claro, o fato de ter o corpo de em perfeitas condições e a determinação e a força de vontade presentes em atletas de primeira linha. Um mês depois, já voltou à faculdade, onde cursava odontologia. "Voltei de surpresa, em um dia de prova. Ninguém esperava!". Em maio, começou a fisioterapia e em agosto disputou sua primeira competição após o retorno. Mas o comprometimento físico causado pelo ferimento e a perda da forma física a desanimaram. "O Vasco tinha os melhores atletas, todos no auge, e ver aquilo sem poder render o que rendia antes me desanimou". Por isso, e também por estar no final da faculdade, em 2000, resolveu largar a natação.

Pronta para nadar os 800m no Campeonato Carioca
Hoje, nove anos depois, divide os treinos com a carreira de dentista. Nada de 3 a 4 vezes por semana. Não tem como objetivo repetir suas marcas da juventude e reconhece que o fato de disputar provas longas dificulta qualquer pretensão nesse sentido. "Mas sempre quero melhorar um pouquinho em relação à competição anterior". No Carioca, venceu os 400m, 800m e 1500m livre. E uma curiosidade: nos 800m, o recorde de campeonato da categoria junior 2 era dela mesma, estabelecido no distante ano de 1994! Hoje, a marca foi melhorada por Stephanie Pereira, também do Fluminense. "Bateu o recorde por causa do traje", brinca Mariana. "Claro que se eu estivesse no auge, também faria de tudo para nadar com um traje desse". Detalhe: Mariana competiu com o bom e velho maiô!
Diz que estão insistindo para ela investir em maratonas aquáticas. "Não dá, não tenho tempo de treinar", desconversa. Mas para quem voltou a disputar (e vencer) um estadual após oito anos sem nadar e que já derrotou até a morte, o adversário mais difícil de ser batido, qualquer nova investida mercerá o devido destaque. Afinal, como ela mesma diz, "sou atleta né? A gente sempre quer um pouquinho mais!"
Copa do Mundo em Berlim e erros do SporTV
Autor: dtakata
Pela primeira vez consegui assistir pelo SporTV algumas provas da Copa do Mundo em piscina curta esse ano, etapa de Berlim, a mais forte de todas como já vem se tornando tradição (as etapas dos Estados Unidos e da Austrália dividiam essa honra, mas este ano estes países não foram sedes).
Vários recordes mundiais, com o pessoal aproveitando os últimos dias dos trajes hi-tech. Alguns impressionantes. Para alegria da torcida caseira, Paul Biedermann bateu recordes nos 200m e 400m livre. Nos 200m, seu tempo de 1:39.37 (primeiro a nadar abaixo dos 100 segundos) é inacreditável! Nos 100m costas feminino, a japonesa Sahiho Sakai (foto abaixo) se tornou a primera a nadar abaixo de 56s, fazendo logo 55.23 e abaixando em quase um segundo a antiga marca. A australiana Leisel Jones fez 1:03.00 nos 100m peito. Com os trajes tecnológicos, não demoraria muito tempo até alguma mulher nadar abaixo do minuto na prova, ao menos na curta!

Houve a presença de Michael Phelps, que nadando só de bermuda, já se ajustando às regras que valerão para os trajes no ano que vem, conseguiu um bom tempo (para suas condições atuais) nos 200m medley, ficando em segundo com 1:53.70 atrás do sul-africano Darian Towsend (1:51.55), recorde mundial. Interessante notar é que Phelps teve muito mais destaque no pódio do que o novo recordista, sendo inclusive um dos poucos entrevistados pela organização da competição.
Entre os brasileiros, Felipe França foi prata nos 100m peito e bronze nos 50m (25.70). Frederico Castro foi prata nos 200m borbo (1:51.64) e Nicholas Santos foi bronze nnos 50m borbo (22.17). A exceção de Frederico, os outros bateram recordes sul-americanos. Aliás, muitos recordes nesta etapa. Para maiores detalhes, confira na Bestswimming (primeiro e segundo dias).
Nos pedaços que vi da competição, a transmissão da SporTV foi muito pobre. Absolutamente nenhuma emoção por parte de narrador e comentaristas e vários erros. Muitas informações incorretas que podem fazer o telespectador a ter algumas idéias erradas. Muito cuidado com o que você ouve nas transmissões! Veja algumas delas:
- Rafael Mósca disse que, quando Thiago Pereira fez o tempo que até hoje é recorde da Copa, em 2007, nos 400m medley, a performance na época havia sido recorde mundial. Isso não é verdade. O tempo não foi recorde mundial. O único recorde mundial que Thiago bateu foi nos 200m medley, em 2007 mesmo (na mesma etapa de Berlim).
- Durante a prova dos 400m livre, ao ver Paul Biedermann nos primeiros 100m metros atrás da linha do recorde mundial, Mósca disse que o ideal era que o alemão se mantivesse mais próximo da marca, pois o recorde era de Grant Hackett, "famoso por seu final de prova fortíssimo". Na verdade, Hackett era notório pela regularidade. Ian Thorpe era mais famoso por seu final. E olhando as parciais do recorde, se vê que o final da prova de Hackett não teve nada de anormal: 51:35, 54.05, 54.85, 54.33. Biedermann, pelo contrário, teve um grande final (dobrou a prova). Não custaria antes de comentar dar uma olhada nas parciais do recorde para não passar uma informação incorreta!
- Mariana Brochado disse que o alemão Paul Biedermann, no Mundial de Roma, bateu o recorde mundial dos 200m livre que era de Michael Phelps e depois bateu o recorde mundial dos 400m que era de Ian Thorpe. Na verdade, Biedermann bateu o recorde mundial dos 400m ANTES dos 200m.
- Não é a primeira vez que Mósca diz que Tales Cerdeira ficou muito próximo ("a centésimos") de ir para a Olimpíada de Pequim no ano passado. Sinceramente não faço a mínima idéia da fonte dessa informação. O tempo de Tales nos 200m peito na época era 2:14,21, e os dois brasileiros com índice para nadar na China eram Henrique Barbosa (2:12.56) e Thiago Pereira (2:12.67) - convenhamos, muito mais do que apenas "alguns centésimos" à frente de Tales!
- Mariana disse que o recorde do sul-africano Cameron van der Burgh nos 50m peito foi o primeiro recorde mundial da etapa de Berlim, se esquecendo (ou não sabendo) que o russo Sergey Fesikov havia melhorado a marca global nas eliminatórias dos 100m medley.
- No final da primeira etapa, no momento das premiações de algumas provas, Mariana dizia que Therese Alshammar não havia respirado nenhuma vez nos 50m livre. No exato momento, a prova da sueca era reprisada, mostrando a nadadora respirando logo nos primeiros 25m!
- Falando sobre Darian Townsend, Mariana disse que ele foi um membro do revezamento 4x100m livre sul-africano campeão olímpico em 2004 que tirou o ouro dos Estados Unidos. Ela se esqueceu que, se não fosse os sul-africanos, nem assim os americanos venceriam a prova, pois a medalha de prata foi para a Holanda.
- Rafael Mósca: "Nicholas Santos é um atleta multi-internacional". O que será que ele quis dizer com isso?
- Mariana Brochado: "Michael Phelps vem crescendo no nado de peito", na prova de 200m medley, sobre a parcial de 50m peito que Phelps inicou em 2º e finalizou em 4º!
- Rafael Mósca disse que o sueco Stefan Nystrand é um dos precursores do nado de crawl com recuperação estirada dos braços, uma técnica já utilizada em 1988 pela americana Janet Evans e pela alemã-oriental Kristin Otto!
- Mósca disse que o austríaco Markus Rogan é um multi-medalhista olímpico. Uma informação no mínimo tendenciosa, pois o telespectador pode pensar que Rogan tem diversas medalhas olímpicas, e não apenas as duas conquistadas em Atenas/2004.
Esses foram os erros que ouvi, e olha que não assisti nem metade das provas! Alguém notou mais alguma coisa?
Vários recordes mundiais, com o pessoal aproveitando os últimos dias dos trajes hi-tech. Alguns impressionantes. Para alegria da torcida caseira, Paul Biedermann bateu recordes nos 200m e 400m livre. Nos 200m, seu tempo de 1:39.37 (primeiro a nadar abaixo dos 100 segundos) é inacreditável! Nos 100m costas feminino, a japonesa Sahiho Sakai (foto abaixo) se tornou a primera a nadar abaixo de 56s, fazendo logo 55.23 e abaixando em quase um segundo a antiga marca. A australiana Leisel Jones fez 1:03.00 nos 100m peito. Com os trajes tecnológicos, não demoraria muito tempo até alguma mulher nadar abaixo do minuto na prova, ao menos na curta!

Houve a presença de Michael Phelps, que nadando só de bermuda, já se ajustando às regras que valerão para os trajes no ano que vem, conseguiu um bom tempo (para suas condições atuais) nos 200m medley, ficando em segundo com 1:53.70 atrás do sul-africano Darian Towsend (1:51.55), recorde mundial. Interessante notar é que Phelps teve muito mais destaque no pódio do que o novo recordista, sendo inclusive um dos poucos entrevistados pela organização da competição.
Entre os brasileiros, Felipe França foi prata nos 100m peito e bronze nos 50m (25.70). Frederico Castro foi prata nos 200m borbo (1:51.64) e Nicholas Santos foi bronze nnos 50m borbo (22.17). A exceção de Frederico, os outros bateram recordes sul-americanos. Aliás, muitos recordes nesta etapa. Para maiores detalhes, confira na Bestswimming (primeiro e segundo dias).
Nos pedaços que vi da competição, a transmissão da SporTV foi muito pobre. Absolutamente nenhuma emoção por parte de narrador e comentaristas e vários erros. Muitas informações incorretas que podem fazer o telespectador a ter algumas idéias erradas. Muito cuidado com o que você ouve nas transmissões! Veja algumas delas:
- Rafael Mósca disse que, quando Thiago Pereira fez o tempo que até hoje é recorde da Copa, em 2007, nos 400m medley, a performance na época havia sido recorde mundial. Isso não é verdade. O tempo não foi recorde mundial. O único recorde mundial que Thiago bateu foi nos 200m medley, em 2007 mesmo (na mesma etapa de Berlim).
- Durante a prova dos 400m livre, ao ver Paul Biedermann nos primeiros 100m metros atrás da linha do recorde mundial, Mósca disse que o ideal era que o alemão se mantivesse mais próximo da marca, pois o recorde era de Grant Hackett, "famoso por seu final de prova fortíssimo". Na verdade, Hackett era notório pela regularidade. Ian Thorpe era mais famoso por seu final. E olhando as parciais do recorde, se vê que o final da prova de Hackett não teve nada de anormal: 51:35, 54.05, 54.85, 54.33. Biedermann, pelo contrário, teve um grande final (dobrou a prova). Não custaria antes de comentar dar uma olhada nas parciais do recorde para não passar uma informação incorreta!
- Mariana Brochado disse que o alemão Paul Biedermann, no Mundial de Roma, bateu o recorde mundial dos 200m livre que era de Michael Phelps e depois bateu o recorde mundial dos 400m que era de Ian Thorpe. Na verdade, Biedermann bateu o recorde mundial dos 400m ANTES dos 200m.
- Não é a primeira vez que Mósca diz que Tales Cerdeira ficou muito próximo ("a centésimos") de ir para a Olimpíada de Pequim no ano passado. Sinceramente não faço a mínima idéia da fonte dessa informação. O tempo de Tales nos 200m peito na época era 2:14,21, e os dois brasileiros com índice para nadar na China eram Henrique Barbosa (2:12.56) e Thiago Pereira (2:12.67) - convenhamos, muito mais do que apenas "alguns centésimos" à frente de Tales!
- Mariana disse que o recorde do sul-africano Cameron van der Burgh nos 50m peito foi o primeiro recorde mundial da etapa de Berlim, se esquecendo (ou não sabendo) que o russo Sergey Fesikov havia melhorado a marca global nas eliminatórias dos 100m medley.
- No final da primeira etapa, no momento das premiações de algumas provas, Mariana dizia que Therese Alshammar não havia respirado nenhuma vez nos 50m livre. No exato momento, a prova da sueca era reprisada, mostrando a nadadora respirando logo nos primeiros 25m!
- Falando sobre Darian Townsend, Mariana disse que ele foi um membro do revezamento 4x100m livre sul-africano campeão olímpico em 2004 que tirou o ouro dos Estados Unidos. Ela se esqueceu que, se não fosse os sul-africanos, nem assim os americanos venceriam a prova, pois a medalha de prata foi para a Holanda.
- Rafael Mósca: "Nicholas Santos é um atleta multi-internacional". O que será que ele quis dizer com isso?
- Mariana Brochado: "Michael Phelps vem crescendo no nado de peito", na prova de 200m medley, sobre a parcial de 50m peito que Phelps inicou em 2º e finalizou em 4º!
- Rafael Mósca disse que o sueco Stefan Nystrand é um dos precursores do nado de crawl com recuperação estirada dos braços, uma técnica já utilizada em 1988 pela americana Janet Evans e pela alemã-oriental Kristin Otto!
- Mósca disse que o austríaco Markus Rogan é um multi-medalhista olímpico. Uma informação no mínimo tendenciosa, pois o telespectador pode pensar que Rogan tem diversas medalhas olímpicas, e não apenas as duas conquistadas em Atenas/2004.
Esses foram os erros que ouvi, e olha que não assisti nem metade das provas! Alguém notou mais alguma coisa?
Mais uma do UOL
Autor: dtakata
Em geral, as reportagens do UOL sobre natação são um desastre. Notícias com informações misturadas e incorretas dão o tom. Claro que há exceções, como por exemplo a excelente cobertura que Bruno D'Oro fez do Mundial de Roma. Mas em se tratando de notícias do dia-a-dia, a impressão que fica é que quem escreve os textos sobre natação são pessoas que não têm a mínima noção do esporte.
Aqui, recuperamos dois exemplos. Clique aqui para ver no Blog do Coach um comentário a respeito de uma matéria totalmente errada publicada na época da disputa do GP de Santa Clara em junho deste ano. E aqui para ver no antigo endereço deste blog um texto da época da Olimpíada de 2000 (no post "A notícia mais errada da história!")
Hoje, o UOL publicou uma reportagem sobre as eliminatórias do segundo dia da etapa da Copa do Mundo de Estocolmo. Atentem para o seguinte trecho:
Entre as mulheres, Jessica Hardy voltou a mostrar força. Suspensa no ano passado por causa de doping, ela é um dos destaques do circuito internacional de piscina curta da Fina (Federação Internacional de Natação). Nesta quarta-feira, ela voltou a quebrar o recorde mundial dos 50m costas.
Mesmo nadando com um supermaiô rasgado, ela marcou 28s96, contra os 29s36 que ela tinha marcado há quatro dias, na etapa de Moscou da Copa do Mundo. A brasileira Fabiola Molina avançou para a final desta prova na quarta posição com o tempo de 58s19.
Jessica Hardy nadando 50m costas? E quebrando o recorde mundial com 28.96? E Fabiola Molina fazendo 58.19 nos 50m costas?? É mais uma proeza do que o UOL faz de melhor, ao menos nas notícias sobre natação: juntar informações não relacionadas e magicamente produzir um texto onde tudo não faz sentido!
Aqui, recuperamos dois exemplos. Clique aqui para ver no Blog do Coach um comentário a respeito de uma matéria totalmente errada publicada na época da disputa do GP de Santa Clara em junho deste ano. E aqui para ver no antigo endereço deste blog um texto da época da Olimpíada de 2000 (no post "A notícia mais errada da história!")
Hoje, o UOL publicou uma reportagem sobre as eliminatórias do segundo dia da etapa da Copa do Mundo de Estocolmo. Atentem para o seguinte trecho:
Entre as mulheres, Jessica Hardy voltou a mostrar força. Suspensa no ano passado por causa de doping, ela é um dos destaques do circuito internacional de piscina curta da Fina (Federação Internacional de Natação). Nesta quarta-feira, ela voltou a quebrar o recorde mundial dos 50m costas.
Mesmo nadando com um supermaiô rasgado, ela marcou 28s96, contra os 29s36 que ela tinha marcado há quatro dias, na etapa de Moscou da Copa do Mundo. A brasileira Fabiola Molina avançou para a final desta prova na quarta posição com o tempo de 58s19.
Jessica Hardy nadando 50m costas? E quebrando o recorde mundial com 28.96? E Fabiola Molina fazendo 58.19 nos 50m costas?? É mais uma proeza do que o UOL faz de melhor, ao menos nas notícias sobre natação: juntar informações não relacionadas e magicamente produzir um texto onde tudo não faz sentido!
Pela segunda vez, o mais rápido da história!
Autor: dtakata

Kaio Márcio acaba de bater o recorde mundial dos 200m borboleta em piscina de 25m, na etapa de Estocolmo da Copa do Mundo. Ele já havia batido o recorde sul-americano na eliminatória com 1:51.46, mas na final fez algo inacreditável: se tornou o primeiro no mundo a nadar abaixo de 1:50s, e quase nada para 1:48s, com 1:49.11! Seu tempo melhorou em quase um segundo e meio da antiga marca do russo Nikolay Skvortsov! Skvortsov, aliás, ficou em segundo na prova. Destaque para o 3º 50m de Kaio, conforme as parciais abaixo.
Comparação das parciais do novo recorde e do antigo:
Kaio: 24.80, 53.43 (28.63), 1:20.24 (26.81), 1:49.11 (28.87)
Skvortsov: 25.30, 53.47 (28.17), 1:22.13 (28.66), 1:50.53 (28.40)
Kaio, assim, volta a repetir o sucesso que já experimentou em piscina curta. Em dezembro de 2005, bateu o recorde mundial dos 50m borboleta no Open CBDA, em Santos, com 22.60, marca que durou até o ano passado. Em 2006, foi campeão mundial dos 100m borboleta, também em piscina de 25m. A partir de então, praticamente abdicou das provas em piscina curta para alcançar glórias em piscina olímpica. Com isso, foi 6º nos Jogos Olímpicos de 2008 e 4º no Mundial de 2009 nos 200m borbo.
Com o recorde de hoje, Kaio se torna apenas o segundo brasileiro em toda a história a conseguir dois recordes mundiais na natação. A primeira foi Maria Lenk, na década de 40, recordista dos 200m e 400m peito.
Há cerca de dois meses, Kaio desfez a parceria com sua técnica de longa data Rosane Carneiro, com quem treinava no Flamengo, para ser treinado no Fluminense por Luiz Raphael, ex-técnico da seleção brasileira. Detalhe é que Kaio não representa oficialmente nem Flamengo nem Fluminense, mas o Tijuca Tênis Clube!
O recorde de Kaio mostra que ele voltou a priorizar a piscina curta? Não! É só uma conseqüência de um trabalho bem feito, que vinha sendo executado com Rosane e agora com Luiz Raphael. Seu principal objetivo é piscina de 50m, visando os Jogos de Londres em 2012. Como o próprio Kaio declarou, a Copa do Mundo seria um teste "interessante" para avaliar seu estágio de preparação. Sua meta para o fim deste ano é o Open, em dezembro, no Pinheiros (piscina de 50m). Quem sabe lá teremos uma boa surpresa? E quem sabe amanhã não teremos outra, afinal ainda falta os 100m borboleta nesta etapa de Estocolmo!