Um ator campeão
Autor: dtakata

Muita gente tomou conhecimento do falecimento do ator John Herbert no final do mês passado, aos 81 anos. Rosto muito conhecido da televisão e com várias novelas e filmes no currículo, era um dos atores brasileiros mais conhecidos.
No entanto, muito pouco foi falado sobre seu passado antes da carreira dramatúrgica. Sabiam que ele foi nadador? Pois é, e dos bons! O texto abaixo foi retirado do blog do professor Henrique Nicolini, um dos mais experientes jornalistas esportivos do Brasil (iniciou sua carreira em 1946) e conta um pouco da história de alguém que acompanhou de perto a trajetória do nadador John Herbert.
O falecimento de John Herbert Buckup teve uma ampla divulgação. A maioria dos órgãos de comunicação mais importantes do país dedicou um espaço significativo a esta figura que se tornou popular por seus vínculos com a televisão, o cinema e o teatro. Os que escaparam deste ângulo dedicaram algumas linhas à forte influência germânica na sua educação.
Quase todos “deixaram prá lá” o Johnny Buckup esportista e não incluíram na biografia divulgada sua atuação como um dos mais importantes nadadores do país. Eu, naturalmente, discordo. Como redator de esportes aquáticos desde março de 1946, acompanhei a carreira de Buckup – e não John Herbert como é chamado na TV – desde o início. Johnny aprendeu a nadar quando o Clube Pinheiros ainda se chamava Germânia. Ao atingir a categoria mais alta da natação infanto-juvenil, a de aspirantes, ele tornou-se recordista das provas de nado livre.
Como adulto, integrou a equipe que defendia São Paulo nos campeonatos brasileiros e o Brasil no sul-americano. Conquistou vários títulos de campeão brasileiro e fez parte do selecionado grupo de pinheirenses treinados por Kanichi Sato, que eram Willy Otto Jordan, Plauto de Barros Guimarães, Ralf Kestner e outros. Buckup completava o quarteto paulista e brasileiro dos revezamentos de 4 x 100 e 4 x 200, nado livre. Foi campeão brasileiro individual dos 1.500 metros.
Em 1963, quando nós dirigíamos o departamento de promoções e provas de A Gazeta Esportiva, resolvemos reeditar na represa Billings, em São Bernardo do Campo, a Travessia de São Paulo a Nado, interrompida em 1944 pela poluição do rio Tietê.
Convidamos Johnny Buckup para participar da prova. Ele já havia trocado o estrelato da piscina pela televisão. Atendendo à solicitação de um amigo, ele competiu na prova. Enfrentou seiscentos concorrentes e ficou com um honroso 20º lugar.
Estas linhas têm o objetivo de resgatar a memória esportiva deste amigo e de mandar uma mensagem de solidariedade para os familiares que perderam uma figura histórica da nossa cidade.
Boas festas!
Autor: dtakata

Boas festas e um ano novo ainda melhor do que o que passou, em todos os idiomas:
Feliz Navidad
Zorionak eta Urte Berri On!
Tchestita Koleda
Tchestito Rojdestvo Hristovo
Sretan Bozic
Prejeme Vam Vesele Vanoce a stastny Novy Rok
Vrolijk Kerstfeest en een Gelukkig Nieuwjaar
Glaedelig Jul- Hyvää Joulua or Hauskaa Joulua
Merry Christmas & Happy New Year
Boas Festas e Feliz Ano Novo
Rõõmsaid Jõulupühi
Froehliche Weihnachten und ein gluckliches Neues Jahr
Joyeux Noël et Bonne Année
Gledileg Jol og Farsaelt Komandi ar
Kellemes Karacsonyiunnepeket & Boldog Új Évet
Buon Natale e Felice Anno Nuovo
Prieci'gus Ziemsve'tkus un Laimi'gu Jauno Gadu
Linksmu Kaledu
God Jul og Godt Nyttår
Wesolych Swiat Bozego Narodzenia
Nollaig chridheil huibh
Sarbatori vesele
Pozdrevlyayu s prazdnikom Rozhdestva is Novim Godom
God Jul och Gott Nytt År
ciid wanaagsan iyo sanad cusub oo fiican
Hristos se rodi
Noeliniz Ve Yeni Yiliniz Kutlu Olsun
Veseloho Vam Rizdva i Shchastlyvoho Novoho Roku
Nadolig LLawen a Blwyddyn Newydd Dda.
Campeão como poucos
Autor: dtakata

O australiano Grant Hackett é considerado por muitos o maior fundista da história. Sua lista de conquistas é infindável. Mesmo tendo sido contemporâneo e rival de Ian Thorpe, conseguiu dominar as provas longas como nunca havia se visto na natação.
Começou a obter grande destaque internacional a partir de 1997, quando venceu os 1500m livre no Pan-Pacífico, em Fukuoka (Japão). Versátil, nadava praticamente todas as distâncias do nado livre. Participou do revezamento campeão do 4x100m livre no Pan-Pacífico de 2002. Chegou a ser recordista mundial dos 200m livre em 1999. Nos 400m livre, só era derrotado por Thorpe, e com o afastamento deste das competições internacionais a partir de 2004, passou a reinar na prova. Nos 800m, bateu o recorde mundial em 2005.
E nos 1500m, bem, nos 1500m exerceu um dominio jamais visto. Na Seletiva Olímpica Australiana para os Jogos de 1996, em Atlanta, ele tinha 16 anos. Foi sua última derrota da prova em muitos anos. A partir de então foram duas Olimpíadas, quatro Mundiais, três Pan-Pacíficos, dois Jogos da Comunidade Britânica. Sem contar o recorde mundial no Campeonato Mundial de 2001, imbatível até hoje. Ninguém conseguiu chegar perto daquele 14:34, mesmo no biênio 2008/2009 dos trajes tecnológicos. Um feito que nem Thorpe conseguiu. Simplesmente imbatível! Na curta, tem um tempo absurdo de 14:10, obtido em uma ocasião em que seus óculos embaçaram, ele perdeu a conta e continou nadando mesmo depois dos 1500m!
Foi então que chegou o Mundial de 2007, em Melbourne, na sua Austrália natal. Hackett havia passado por uma cirurgia no ombro em 2006 que o havia tirado do Pan-Pacífico e dos Jogos da Comunidade Britânica. Longe de sua melhor forma, a competição não começou de forma promissora: um terceiro lugar nos 400m livre. Desde 2000, apenas Ian Thorpe conseguia lhe tirar o ouro da prova. Era o prenúncio de uma competição diferente.
Nos 800m, decepção maior: sétimo lugar, 17 segundos acima de seu recorde mundial então vigente. Foi quando começou a se aventar nos bastidores a possibilidade de Hackett desistir dos 1500m, prova que seria disputada no último dia do Campeonato. Sem chances de vitória, ao abrir mão da prova ele manteria imaculada a invencibilidade que mantinha de mais de 10 anos, a maior da natação mundial, para tentar mantê-la na Olimpíada do ano seguinte, quando estaria em busca de um inédito tri-campeonato olímpico em provas masculinas.
Muito se falou sobre uma eventual desistência. Se ele não nadasse a prova, certamente muitos outros australianos, derrotados nas seletivas para a competição, gostariam de estar no lugar dele. Mas diante de um ídolo do porte de Hackett, todos o perdoariam. Ele tinha crédito infinito. Para manter uma tradição nos 1500m livre, a prova de estimação australiana, então, mais ainda.
Só que esqueceram de convencer o próprio Hackett. Em nenhum momento, desistir passou pela sua cabeça. Seria uma alternativa muito mais fácil para ele. Mas ele jamais considerou a hipótese. "Não se pode desistir de uma prova só porque você não pode vencê-la", declarou antes mesmo da prova, prevendo que a vitória seria impossível. "Tenho que ir lá e dar meu máximo".
De fato, em condições físicas precárias, foi para o sacrifício e terminou a prova na sétima posição. O sonho do penta, inédito em mundiais até hoje, tinha acabado. E também a invencibilidade de mais de 10 anos.
Mas, muito mais importante que tudo isso, ele deixou uma lição. Algumas, na verdade. De amor ao esporte: muito mais vale a dor da derrota do que a vergonha de não tentar. De respeito aos adversários: batalhar com seus concorrentes significava mais do que simplesmente manter uma invencibilidade e um orgulho pessoal. De superação: a maior demonstração disso é lutar até o final, seja você um ídolo ou um iniciante, disputando uma Olimpíada ou um regional.
Pode parecer paradoxal. Mas, naquele dia, a derrota de Grant Hackett o fez ainda mais campeão.

10 anos depois: um tributo ao holandês voador
Autor: dtakata
Há dez anos, o mundo assistia espantado, durante os Jogos Olímpicos de Sydney, um nadador entrar para a história, fazendo jus ao seu apelido de "holandês voador". Hoje, ele é uma lenda em seu país. Abaixo, alguns fatos da carreira de Pieter van den Hoogenband.
- Pieter van den Hoogenband é filho de um famoso médico holandês, que trabalhou no clube de futebol PSV Eindhoven. Sua mãe foi uma nadadora que chegou a ser vice-campeã européia nos 800m livre em 1971.
- O pai de Pieter sempre o incentivou na prática da natação. No entanto, não aceitava que o filho usasse de qualquer artifício para vencer. "Meu pai uma vez me disse que quebraria minhas pernas se eu usasse drogas", disse certa vez.
- Com apenas 17 anos, Pieter foi finalista dos 100m e 200m livre no Europeu de Viena, em 1995. No ano seguinte, fez papel ainda melhor na Olimpíada de Atlanta, mas ficou com as posições mais ingratas da natação: dois quartos lugares e um nono. Nos 100m livre, perdeu o bronze por apenas onze centésimos para o brasileiro Gustavo Borges.
- Sua primeira medalha internacional individual foi um bronze no Mundial de 1998, em Perth, nos 200m livre. Mas o reconhecimento viria no ano seguinte, no Europeu de Istambul: seis ouros, recorde histórico igualando os alemães Michael Gross e Franziska van Almsick. Poderia ter sido sete, caso a equipe holandesa do 4x200m livre, que venceu facilmente, não tivesse sido desclassificada. Nos 100m livre, colocou fim a invencibilidade de oito anos na prova do russo Alexander Popov em competições internacionais.
- Em 2000, a consagração absoluta: não só venceu os 100m e 200m livre nas Olimpíadas de Sydney, como estabeleceu recordes mundiais em ambas as provas e ainda derrotou os mitos Popov e Ian Thorpe, este último em sua terra natal. Foi ainda bronze nos 50m livre e 4x200m.

- No Mundial de Fukuoka em 2001, teve que se render à melhor competição da vida de Ian Thorpe e foi um coadjuvante, conquistando quatro pratas. Aliás, apesar de suas conquistas olímpicas e recordes, Pieter nunca foi campeão mundial em piscina longa. São nada menos que oito medalhas de prata em quatro Mundiais disputados.
- Em 2002, voltou à melhor forma e venceu os 100m e 200m livre no Europeu de Berlim. Voltou a nadar abaixo de 48s, por duas vezes, nos 100m. É o único nadador da história a nadar para 47s por três vezes utilizando trajes têxteis.
- Em 2004, disputou a "prova do século": os 200m livre nas Olimpíadas de Atenas, contra Ian Thorpe, o americano Michael Phelps e o australiano Grant Hackett. Ficou em segundo lugar, vencido por Thorpe. Nos 100m, a prova mais emocionante da carreira: nadando sempre atrás do sul-africano Roland Schoeman, venceu a prova nos metros finais por apenas seis centésimos, conquistando o bi olímpico da prova e se colocando no mesmo patamar de lendas da prova como Johnny Weissmuller e Alexander Popov.
- Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, apesar de ter uma chance de pódio mais clara nos 200m livre, abdicou da prova para tentar um inédito tri olímpico masculino nos 100m no ato final de sua carreira. Terminou na quinta posição, com a melhor marca da carreira na semifinal de 47.68 (ajudado, é verdade, por um traje de poliuretano). Com isso, é o único nadador da história a disputar quatro finais olímpicas dos 100m livre.
- Pieter é formado em medicina, é casado e tem uma filha, Daphne, de três anos.
Em memória de uma carreira marcante, relembramos aqui talvez o momento mais memorável de sua trajetória. Semana passada, a performance mais aclamada dos Jogos da Comunidade Britânica foi a vitória do canadense Brent Hayden, nos 100m livre, com 47.91. Ele é o terceiro homem a nadar a prova abaixo de 48s usando trajes têxteis. O primeiro foi Pieter van den Hoogenband e o segundo, o sueco Stefan Nystrand.
Mas o melhor tempo da história em trajes sem poliuretano continua sendo de Pieter, 47.84, da Olimpíada de Sydney, em 2000. No dia 19 de setembro, essa performance memorável completou 10 anos sem que nenhum homem tenha conseguido superá-la, desconsiderando os trajes de poliuretano.
Abaixo, o vídeo da semifinal da prova, seguida da entrevista. A essa altura, ele já havia vencido os 200m livre contra Ian Thorpe. "Acho que estou em boa forma", brinca com a repórter. "Espero nadar um pouco mais rápido na final". Ele não conseguiria melhorar seu tempo, mas ninguém pôde lhe tirar o ouro.
Seria cômico...
Autor: dtakata

...se tudo isso não fosse muito trágico para nossa natação!
A CBDA calculou de maneira incorreta os índices técnicos do Troféu José Finkel - os mesmos índices que serão utilizados para convocação das próximas etapas da Copa do Mundo!
A CBDA utiliza como critério para índice técnico a tabela IPS (International Points Score). É uma pontuação desenvolvida pelo site Swimnews para permitir comparações entre diferentes provas. O calculo do IPS é meio complicado e envolve os rankings all-time de todas as provas, mas quanto melhor a performance do atleta em determinado evento, mais alta é a pontuação correspondente. Em geral, pontuações próximas de 1000 refletem tempos próximos a recordes mundiais. A tabela IPS é atualizada anualmente.
No Brasil, esse índice é importante, pois é utilizado como critério para diversas convocações. Foi baseado nele, por exemplo, que foi montada a seleção brasileira que foi ao Pan-Pacífico deste ano.
Só que algo de estranho ocorreu neste último Troféu José Finkel. Ao observar as pontuações de alguns nadadores, achei-as um pouco altas demais. O tempo de 56.79 de Felipe França nos 100m peito, de acordo com a CBDA, teria 1017 pontos, sendo que o recorde mundial da prova é de 55.61. Pela distância para o recorde, eu imaginaria que ele não ultrapassaria os 1000 pontos.
Entrei no site da Swimnews, que oferece um campo para cálculo de IPS. Para o desempenho de França, o site indica 995 pontos. Fiz esse teste também para outros resultados. Nenhuma pontuação bate com as informadas pela CBDA.
Após uma conversa com Julian Romero e depois de examinar outros resultados em piscina curta do primeiro semestre deste ano (como Campeonatos Paulistas), cheguei à conclusão de que a CBDA continuava utilizando a mesma tabela. Só que há um detalhe: a temporada de piscina curta dura de julho de um ano até junho do ano seguinte. Por isso, as pontuações são atualizadas normalmente em junho de cada ano. Como a CBDA não alterou os cálculos do primeiro para o segundo semestre, isso significa que ela esta usando a tabela desatualizada!
Entrei em contato com Ricardo de Moura, coordenador técnico da CBDA, que informou que a CBDA utiliza a tabela enviada por Nick Thierry (estatístico da Swimnews) para o ano de 2010. Há um equívoco ai, já que, como já dito, a tabela não dura o ano inteiro, e sim ate o mês de junho.
Contatei o próprio Nick Thierry, que disse que "talvez Ricardo de Moura tenha esquecido de solicitar a tabela atualizada".
Moral da historia: os índices técnicos calculados no Troféu José Finkel estão baseados em uma tabela desatualizada, que levam em conta somente resultados até junho de 2009. Por sorte, os vencedores de melhor índice técnico do Finkel não seriam alterados pela tabela atual (Felipe França e Kristel Kobrich).
Só que esses índices técnicos são o critério para convocação para as etapas estrangeiras da Copa do Mundo (confira aqui o boletim que define as regras). E agora? A CBDA vai admitir o erro e recalcular tudo? Assumir erros é uma coisa que nossa Confederação não costuma fazer. E desconfio que novamente quem vai acabar pagando o pato são os nadadores. Assim como acontece nas escolhas esdrúxulas de locais de competições, nos critérios de convocação divulgados em cima da hora, na já usual péssima divulgação de resultados de campeonatos, no não esclarecimento da distribuição de verbas...
Essa zona só vai acabar quando os incompetentes que lá habitam há muitos anos se retirarem. Vejo um único jeito: uma ação extrema dos nadadores, assim como fez a equipe brasileira de tênis em 2004 (se recusou a jogar a Copa Davis em protesto contra a administração, levando o Brasil à terceira divisão e ocasionando a queda do então presidente da CBT Nelson Nastás).
Será?
O campeão voltou
Autor: dtakata

"O atleta que foi campeão olímpico e mundial tava um pouquinho preso aqui dentro, e esse resultado dá uma confiança muito grande pra mim".
Essa foi a declaração de César Cielo após sua performance na semifinal dos 100m livre, ontem, no Troféu José Finkel.
Após ter nadado no seu limite na semifinal, e mais tarde nas eliminatórias ter nadado os 50m borboleta e o 4x100m livre também a 100%, era difícil imaginar que ele pudesse melhorar ainda mais seu tempo. Mas ele não só fez isso, como quebrou a barreira dos 46s em piscina de 25m e com 45.87 se tornou o segundo a nadar abaixo da marca sem trajes tecnológicos (o primeiro foi o sueco Stefan Nystrand, em 2007, com 45.83).
Mais importante que isso, como o próprio Cielo afirmou, foi a volta da confiança. Seu tempo na Copa do Mundo, há duas semanas, de 47.16, era condizente com seu 48.48 obtido em piscina de 50m no Pan-Pacífico, cuja performance ele atribuiu à falta de trabalho de base e problemas no treinamento no primeiro semestre.
Só que 45.87 na curta corresponde a um tempo abaixo de 48s na longa. Chutando muito alto, 47.8 - semelhante ao recorde mundial sem trajes do holandês Pieter van den Hoogenband.
Após o Pan-Pacífico, nem Cielo nem nenhum nadador brasileiro que disputou aquela competição conseguiu retomar um programa de treinamento devido ao curto espaço de tempo entre as competições do período. Sua performance de hoje mostra que treinado ele está. O que nos faz imaginar o seguinte: possivelmente seu treinamento para o Pan-Pacífico foi bem feito. Talvez tenha ocorrido algum problema no polimento, ou ele não estava em seus melhores dias em Irvine. Acontece nas melhores famílias. Indiscutivelmente o que ocorreu será muito importante para seu amadurecimento.
Se o Pan-Pacífico tivesse ocorrido esta semana, ele venceria os 100m livre inquestionavelmente. Hoje, César Cielo provou que continua sendo o nadador mais rápido do planeta. E as dúvidas que o assombravam desde o mês passado foram dizimadas. Esta noite, ele irá dormir o sono dos justos.
O mais veloz da história
Autor: dtakata

Muito se falou sobre os 50m livre de César Cielo no Troféu José Finkel. Muitos lembraram que, com 20.80, ele fez o melhor tempo sem traje da história da prova em piscina curta, que era do croata Duje Draganja (20.81).
Mas hoje um nadador foi autor de um feito não somente semelhante, como ainda mais significativo. E sem o devido destaque na midia.
Felipe França havia nadado os 100m peito para 57.64 na etapa do Rio de Janeiro na Copa do Mundo, um tempo excelente, um segundo acima de seu recorde sul-americano obtido no ano passado nadando de Jaked.
Hoje, ele superou todas as expectativas. Com 56.79, é o melhor do mundo disparado da temporada (claro que ainda teremos várias etapas da Copa do Mundo e o Mundial de Curta) e apenas 30 centésimos de seu melhor tempo. Mas o que ninguém notou é que esse é o melhor tempo da história sem trajes. Não só é melhor como simplesmente destroi o recorde anterior, de 57.47 do americano Ed Moses!
Comparando com o recorde mundial com traje (55.61, do sul-africano Cameron van der Burgh), o tempo de França parece distante. Mas na verdade não há como comparar, pois em uma prova de 100m peito, em piscina curta, os nadadores só faltavam decolar nas filipinas a bordo de um Jaked! Por isso é ainda mais significativo ele ter ficado tão perto de seu melhor tempo, algo que será muito difícil de outros peitistas fazerem esse ano.
França já é o nadador de peito mais rápido da história em piscina de 25m. Atestada sua boa forma (também venceu os 200m peito no Finkel, longe de ser sua especialidade), dá até medo de pensar o que vem por aí nos 50m na final que ocorre sábado. E para quem achava difícil a transformação do excepcional nadador de 50m em um de nível internacional nos 100m, parece estar queimando a língua (inclusive eu!). Não é absurdo de se imaginar a conversão desse 56 na curta em um 59 na longa (apenas três nadadores conseguiram este feito em 2010). Claro que em piscina de 25m a filipina ajuda, e nesse fundamento ele é indiscutivelmente um dos melhores do planeta (é só ver quem está na frente na saída em qualquer competição). Mas, às portas dos Jogos Olímpicos de 2012, não poderia haver melhor hora para seu esforço dar resultado!
Triste rotina
Autor: dtakata
A única prova que não consegui assistir hoje de manhã no Finkel foi o 400m medley masculino.
São 13:50h, entrei no site da CBDA para pegar o resultado e...
SURPRESA!
Quero dizer, nenhuma surpresa: o resultado não está online ainda!
Inexplicavemente, o resultado do 50m livre, que foi realizado depois, está disponível. Mas nada do 400m medley.
Além de termos que nos esforçar muito para achar resultados naquela página terrivelmente desorganizada (clique aqui para ter o desprazer de conferir), muitas vezes o esforço é em vão!
É muita várzea e desrespeito!
Mas o que poderíamos esperar dessa administração, que não respeita nem seus atletas? Respeito aos torcedores e internautas?
Coaracy e sua turma gargalhariam!
São 13:50h, entrei no site da CBDA para pegar o resultado e...
SURPRESA!
Quero dizer, nenhuma surpresa: o resultado não está online ainda!
Inexplicavemente, o resultado do 50m livre, que foi realizado depois, está disponível. Mas nada do 400m medley.
Além de termos que nos esforçar muito para achar resultados naquela página terrivelmente desorganizada (clique aqui para ter o desprazer de conferir), muitas vezes o esforço é em vão!
É muita várzea e desrespeito!
Mas o que poderíamos esperar dessa administração, que não respeita nem seus atletas? Respeito aos torcedores e internautas?
Coaracy e sua turma gargalhariam!
Um pouco sobre o Troféu José Finkel
Autor: dtakata

O Troféu José Finkel, Campeonato Brasileiro Absoluto de Inverno, será disputado em sua 39º edição esta semana. A competição começa amanhã, no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro, e vai até domingo. Eh a primeira edicão, desde 2005, a ser disputada em piscina de 25m - cortesia do Mundial de Piscina Curta em dezembro, cujo Finkel servirá como ultima tentativa de indice para os brasileiros. Por isso muitos recordes de campeonato devem cair - ah, os recordes, objeto tão raro nestes dias pos-trajes. Vamos recordar algumas curiosidades da historia da competição, muitas já publicadas neste blog, mas que pela ocasião valem a pena serem recordadas.
As origens da competição se perderam na névoa do tempo. Mas graças ao trabalho de Pedro Junqueira (recomendo a leitura deste seu texto, na Bestswimming), ficamos sabendo um pouco mais sobre quem foi José Finkel e como o torneio se tornou a principal disputa da natação brasileira, ao lado do Troféu Brasil/Maria Lenk. Colaboração também de Alberto Finkel.
Tudo começou em setembro de 1971, quando a equipe do Centro Israelita, de Curitiba, viajou para uma competição em Porto Alegre. Lá, um promissor nadador chamado José Finkel, de apenas 17 anos, começou a se sentir mal. Quando voltou a Curitiba, exames médicos detectaram um câncer nos vasos linfáticos. Entregue a um desgastante tratamento, não resistou e faleceu três meses depois.
O presidente da federação paranaense de natação, Berek Krieger, decidido a homenagear o nadador, de uma tacada só resolveu criar um torneio nacional e construir um clube de nível nacional em Curitiba.
Assim, o primeiro Troféu José Finkel foi realizado no inverno de 1972, no próprio Centro Israelita, que para isso recebeu em sua piscina de 25 metros um sistema de aquecimento inédito em um clube de natação no Brasil. Participaram grandes clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo. Com o tempo, o torneio foi ganhando o status de Campeonato Brasileiro Absoluto de Inverno..
Além do torneio, Berek construiu a piscina do Clube do Golfinho, de onde saíram diversos destaques nacionais e levaram a natação paranaense a um patamar nunca imaginado nos tempos do garoto José Finkel.
A partir da década de 80 outras localidades passaram a sediar o Troféu, agora ja em piscina de 50m. No comeco dos anos 90, voltou a ser disputado em piscina curta, tendo o Clube Internacional de Regatas, em Santos, participação destacada. Foi lá que foram estabelecidos os dois primeiros recordes mundiais da história do torneio, em 1993: Gustavo Borges nos 100m livre e revezamento 4x100m livre, composto por Borges, Fernando Scherer, José Carlos Souza Jr e Teófilo Ferreira.
Com o passar dos anos, o Finkel foi se adaptando às necessidades da natação brasileira, tanto em sua forma de disputa quanto na data. Em 1996, foi disputado no final do ano no Inter, como Brasileiro de Verão, para que servisse de seletiva para o Mundial de Curta do ano seguinte. Isso também ocorreu em 1998, desta vez no Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, onde novamente a equipe brasileira do 4x100m livre superou o recorde mundial.
No final de 1999, o Finkel voltou a ser disputado em piscina de 50m, visando os Jogos Olímpicos de Sydney no ano seguinte. Em 2000, novamente em piscina longa, a holandesa Inge de Bruijn superou o recorde mundial dos 50m livre.
Aliás, ao longo de sua história, não faltaram atrações internacionais, que viajavam para o Brasil contratadas pelos grandes clubes. Alguns exemplos: Inge de Bruijn, Yana Klochkova, Claudia Poll, Denis Sylantyev e James Hickman.
Apesar de nos últimos anos ter recuperado a tradição de Brasileiro de Inverno (tem sido disputado no mês de setembro), desde 2005 que não era disputado em piscina curta.
Entre os nadadores em atividade, Fabíola Molina é a maior medalhista da competição, considerando apenas provas individuais. Em 19 edições (sim, isso mesmo, desde 1991!) ela já conquistou o incrível número de 57 medalhas, sendo 40 de ouro! Muito distante está a segunda colocada, Monique Ferreira, com 35 subidas ao pódio (14 vitórias). Entre os homens, Thiago Pereira tem 22 medalhas (18 vitórias), seguido de Eduardo Fischer com 18 (9 ouros).
Fabíola não é só a maior medalhista da atualidade, como a maior da história da competição! A última vez que ela saiu de um Finkel sem um ouro foi em 1992. Ela também detém a maior hegemonia da atualidade em uma prova: desde 2003 não perde os 100 costas, e este ano vai em busca do octa.
No entanto, até hoje ninguém supera Gustavo Borges com a maior invencibilidade em uma prova: foram nove vitórias consecutivas nos 50m livre, de 1991 a 1999! Aliás, era interessante notar o que acontecia com os 50m e 100m livre entre 1992 e 1998: em todas esses anos, Borges venceu as provas no Finkel, enquanto Fernando Scherer venceu no Troféu Brasil! Parecia combinado.
Fabíola venceu os 100m costas 14 vezes, talvez a maior vencedora em uma única prova. Talvez, pois Rogério Romero pode ter o mesmo numero de vitórias nos 200m costas, mas não conseguimos os dados dos torneios de 1990 e 1988. Sem considerar essas edições, contabilizamos 12 vitórias para ele na prova.
Joanna Maranhão é a nadadora mais versátil: conseguiu medalhas em absolutamente todos os estilos!
Todos os números acima consideram os pódios "absolutos", ou seja, sempre considerando os estrangeiros que nadaram nas ocasiões (segundo lugar atrás de nadador estrangeiro = medalha de prata).
Em termos de clubes, os maiores vencedores sao Flamengo e Pinheiros, com 12 títulos. O Botafogo dominou a competição nos anos 70, e o Flamengo, com um octacampeonato consecutivo, foi absoluto nos anos 80. Após o fim da hegemonia dos clubes cariocas, o Minas Tênis Clube foi quem mais se aproveitou, com cinco conquistas de 1988 a 1998. Os cariocas voltaram com força no final dos anos 90 com as super-equipes de Vasco e Flamengo. Desde 2003, entretanto, não há outro vencedor diferente do Pinheiros. E este ano o clube pode se isolar como o maior vencedor da competicao.
Uma última curiosidade: César Cielo, que não disputou a competicao no ano passado, conquistou sua primeira medalha no torneio em 2004: um bronze nos 50m costas!
Pan-Pacífico: algumas considerações
Autor: dtakata

- Ryan Lochte alcançou o feito de ser o maior vencedor em uma edição de Pan-Pacífico, com seus seis ouros. Superou as performances de Matt Biondi (1985), Ian Thorpe (2002) e Michael Phelps (2006 e 2010), que conquistaram cinco ouros. Deve receber no final do ano o prêmio de melhor nadador do mundo da revista Swimming World. É de se notar suas viradas com vigorosas golfinhadas nos finais de prova. Michael Phelps não está mais só!
- Contribuição do leitor Maktub: com as cinco medalhas de ouro conquistadas em 2010, Michael Phelps é o maior medalhista da história da competição no masculino, com 16, empatado com Matt Biondi. É também o maior medalhista individual, com 9 medalhas, ao lado de Grant Hackett e Matt Dunn, o maior medalhista de ouro isolado (13) e o maior vencedor individual (7, empatado com Kieren Perkins). Se consideramos ambos os sexos, ele ainda perde em todos os critérios para Jenny Thompson. Lembrando que ele também é o nadador com mais ouros (14) e medalhas (16) na história Olímpica e em Campeonatos Mundiais (25 medalhas e 21 ouros).
- É impressionante a sequencia de vitórias apresentada por dois nadadores. Desde 2001, Aaron Peirsol e Michael Phelps conquistam ao menos uma medalha de ouro individual na principal competição do ano (contando Olimpíada, Mundial e Pan-Pacífico). 10 anos consecutivos vencendo! Eles superam, assim, a sequencia obtida por Grant Hackett (1997 a 2005).
- Impressionante também o retorno de Natalie Couhglin e Kosuke Kitajima às grandes competições. Para quem os dava como aposentados depois das férias que tiraram, mostraram que estão mais vivos do que nunca para conquistar tricampeonatos olímpicos em 2012.
- Reveladora a declaração de Felipe França após sua vitória nos 50m peito. Em entrevista para a televisão, disse: "não tem jeito, 50m peito é minha prova". Não é de hoje que se fala em tentar converter a habilidade que ele tem nos 50m peito em um trajetória bem-sucedida também nos 100m. Mas pelo visto até ele mesmo sabe que isso não é uma coisa fácil e que talvez seja melhor continuar focado na prova mais curta. Não é demérito para ninguém ser campeão em uma prova não-olímpica. Ele pode até melhorar como nadador de 100m, mas é muito difícil ser um dos melhores do mundo como vem sendo nos 50m.
- Fabiola Molina empatou com outras duas nadadoras na terceira posição nos 50m costas. Nunca, jamais, na história da natação, um pódio individual de uma grande competição internacional em piscina longa contou com cinco atletas no pódio!
- César Cielo vacilou na eliminatória dos 100m livre. Ao marcar 49.13, terminou na 11ª posição, e só se classificou para a final na 8ª posição pela regra de no máximo dois países na final A por prova. Isso não foi nadar com o regulamento embaixo do braço, foi vacilo mesmo! Por sete centésimos, ele não fica fora da final. É bom para que não se repita em Mundiais e Olimpíadas.
- Cielo pediu desculpas pelas suas performances nos 50m e 100m livre. Totalmente desnecessário. Para ele, sua performance não foi satisfatória, mas isso faz parte do esporte. Todos entendemos que há dias bons e ruins. Ele também pediu desculpas por não ter nadado o 4x100m livre. Por isso, sim, ele deveria mesmo ter se desculpado. O 4x100m livre brasileiro sempre foi o principal revezamento do país, e poderia ter conquistado uma medalha inédita. A justificativa de se poupar para os 50m livre não é razoável, a não ser se a razão fosse doença ou lesão. A decisão de retirar da disputa o revezamento também é inadmissível. Uma falta de respeito com o país, que investe nestes nadadores e o mínimo que estes tem a fazer é cair na água e nadar. Seja quem tenha sido o responsável por essa decisão, pisou na bola feio!
- Ótima transmissão da SporTV, comentários nem tanto. Para quem esperava o Coach Alex Pussieldi, deve ter ficado decepcionado com os erros de informação e os comentários enche-linguiça sem conteúdo de Ricardo Prado - que fala muito bem, mas poderia se preparar melhor.